O Enigma do Horizonte (1997)

O Enigma do Horizonte (1997) (4)

O Enigma do Horizonte
Original:Event Horizon
Ano:1997•País:UK, EUA
Direção:Paul W.S. Anderson
Roteiro:Philip Eisner
Produção:Nick Gillott, Lawrence Gordon, Jeremy Bolt, Lloyd Levin
Elenco:Sam Neill, Laurence Fishburne, Kathleen Quinlan, Joely Richardson

Conforme o dito popular, de boas intenções o inferno está cheio. Algo que literalmente se aplica a O Enigma do Horizonte, dirigido por Paul -Milla Jovovich- Anderson, que só havia comandado antes desse filme a adaptação de Mortal Kombat (1995). Lembro que quando assisti ao filme pela primeira vez, achei a experiência frustrante devido aos elogios (de público) que qualificavam a obra como uma mistura que passava por Alien, Hellraiser e chegava até mesmo a 2001 e Solaris. Exageros à parte, a verdade é que a experiência de revê-lo foi ainda mais decepcionante, embora o longa tenha deixado um legado (vide Dead Space) que poderia ser potencialmente muito maior.

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O enredo de Enigma se concentra em uma missão espacial de busca e salvamento encomendada por Weir (Sam Neill, canastríssimo aqui) com uma equipe liderada pelo Capitão Miller (Fishburne) que envolve a ida deles até a órbita de Netuno, de onde um sinal foi emitido, pertencente à nave Event Horizon, projetada por Weir e desaparecida há sete anos. O problema é que a tal nave não ficou sumida todo esse tempo à toa, já que o mecanismo do veículo envolvia viajar longuíssimas distâncias em espaços de tempo ínfimos usando o conceito da criação de portais através de dobras espaciais e buracos negros. Não é preciso muito para adivinhar que depois da “viagem” a nave agora mais se parece com um navio fantasma, e descobrir o destino da tripulação da Event Horizon é só o começo de uma perturbadora jornada para a equipe de Miller e Weir.

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Tendo um design de produção arrojado que remonta ao mesmo tempo ao gótico e ao futurista, o filme lança mão de conceitos interessantes, como a nave em formato de cruz e outros símbolos religiosos, como as referências ao Inferno de Dante e ao próprio conceito de Inferno em si, contando inclusive com a consultoria de Clive Barker durante a pré-produção, deixando claro as influências do universo de Hellraiser no projeto. Além disso, a própria complexidade (inclusive científica) sugerida pela trama, utilizando atalhos no espaço-tempo e a viagem para outras dimensões é algo promissor, pena que quase tudo mal aproveitado pelo preguiçoso roteiro.

E acaba ficando tudo na promessa mesmo. Até mesmo as tais perturbadoras cenas do que teria acontecido aos ocupantes da nave quando viajaram pelo tal portal ficaram em sua maioria na sala de edição, devido aos imensos cortes (mais de 20 minutos) feitos por exigência da MPAA (órgão de classificação de filmes nos EUA) por causa de seu conteúdo violento (cenas que nunca veriam a luz do dia, nem mesmo nas edições em home video). Ou seja, nem mesmo lidando com o gore o filme se sustenta, já que muito pouco impressiona. Pior ainda é quando o filme se leva excessivamente a sério, mesmo com seu atabalhoado roteiro, provocando o riso involuntário em algumas cenas.

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Destaque para o excesso de frases de efeito que rolam soltas durante a trama, a hilária troca de socos entre Miller e Pinhead-Weir no terceiro ato, e a trilha sonora eletrônica de Michael Kamen, que em vez de auxiliar na criação do suspense, remete mais a telefilmes baratos. Aliás, de todos os defeitos, o mais imperdoável deles é justamente esse. O longa não constrói minimamente o clima de suspense ou terror, provavelmente devido à direção frouxa de Anderson, que acreditou provavelmente estar dirigindo uma adaptação de videogame, com as quais, aliás, ficou acostumado.

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Marcus Augusto Lamim

Marcus Augusto Lamim

Um seguidor fiel do cinema em todos seus formatos e gêneros, amante de rock e do gênero fantástico, roteirista amador e graduando em química.

33 comentários em “O Enigma do Horizonte (1997)

  • 30/08/2019 em 00:18
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    esse filme é esquisito e deixa muita explicação faltando no ar! é legal e poderia ter sido bem mais explorado de maneiras profundas pra enriquecer o roteiro. apesar de maneiro vehjam que neste print o cadaver esta cheio de larvas… o que é ridiculo pois no espaço não tem moscas pra botar ovos na carniça! que absurdo!

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