Ichi – O Assassino (2001)

Ichi o Assassino (2001) (3)

Ichi - O Assassino
Original:Koroshiya 1/Ichi the Killer
Ano:2001•País:Japão
Direção:Takashi Miike
Roteiro:Hideo Yakamoto, Sakichi Satô
Produção:Akiko Funatsu
Elenco:Tadanobu Asano, Nao Ômori, Shin'ya Tsukamoto, Paulyn Sun, Susumu Terajima, Shun Sugata, Toru Tezuka, Yoshiki Arizono, Kiyohiko Shibukawa, Satoshi Niizuma, Suzuki Matsuo, Jun Kunimura

O que acontece quando unimos em um filme um diretor controverso e famoso por suas produções ultra-violentas e um mangá completamente doentio? É fácil achar a resposta: um filme com muita violência, que trabalha aspectos psicológicos das personagens como norteadores e formas de justificar os atos. Tudo é muito bizarro, mas você simplesmente não consegue imaginar outro destino para as personagens.

A gangue Anjo, famosa atuante da Yakuza, teve seu chefe misteriosamente desaparecido. Alguns acreditam que ele teria fugido, mas Kakihara, o grande e cruel assassino do grupo, acha que ele foi sequestrado e procura encontrá-lo a qualquer custo. Aos poucos, percebemos que a violência de Kakihara e sua obsessão pelo chefe na realidade fazem parte dos aspectos norteadores da narrativa: sadismo + trauma = violência. Uma receita simples. Kakikara é masoquista, usa sua violência toda vez que não consegue a violência que procura para si, ou, no caso, quando atingem aquele que lhe dava o maior prazer nos jogos de sadismo, seu chefe Anjo.

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Logo no início da narrativa já fica claro que Anjo está morto, e seu fiel ajudante não encontrará mais o prazer na dor que procura. Isso o deixa irritado. Precisam encontrar o culpado pela morte de Anjo a qualquer custo e executar uma vingança digna. Mas, o que eles não esperavam é que não estão lidando com qualquer assassino, estamos falando de Ichi, cruel e chorão, que agora busca eliminar toda a gangue de Anjo a pedido da Yakuza.

Ichi the Killer, assim como diversos outros filmes do incrível Takashi Miike, como Audition (1999) e, o mais recente, Yakuza Apocalipse (2015), é um filme extremamente violento e aborda um dos assuntos preferidos do diretor: a máfia japonesa. No seu terreno de atuação, Takashi fica completamente à vontade para produzir e mostrar o que é violência de verdade.

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Diferente de Audition, que a trama começa de forma mansa, semelhando-se a um drama até culminar em seu clímax feroz, Ichi the Killer já começa mostrando a que veio. Perceba que não estamos dizendo que uma trama seria melhor em relação a outra, apenas que Ichi inicia de um jeito e leva este pico de violência até o último minuto. Não é um filme para qualquer um. Existem cenas de pancadaria, tortura, assassinato, estupro e, o norteador de toda a narrativa, o terror psicológico que acompanha e define a vida de nossos protagonistas. Colocamos no plural, pois, mesmo Ichi sendo o centro da história, a presença e ação de Kakihara é tão marcante, que, muitas vezes, se sobressai.

O filme leva o nome de Ichi e tudo se desenvolve devido à sua presença. Cresceu como uma criança violenta e atormentada, que caiu nas mãos de um controlador, que por uma espécie de hipnose torna nosso anti-herói em uma máquina de matar, usando seus instintos assassinos e controle/perseguição psicológica para moldar seus alvos. Ichi é um louco e, na realidade, parece não ter consciência de suas ações ao mesmo tempo que demonstra prazer e chora logo em seguida, arrependido.

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Em contrapartida, Kakihara, e sua obsessão pela busca do prazer sádico, tem extremo controle sobre tudo. Cada movimento é pensado e, se algo sai errado, ele chuta umas bundas e fica tudo bem. Mesmo com essa áurea pesada, ele não tem tristezas ou arrependimentos. É ele que toma as decisões e controla sua vida e as do que estão ao redor. Um verdadeiro psicopata.

Podemos dizer que os únicos pontos negativos da produção seriam alguns efeitos especiais mal executados, o que é comum em algumas produções de violência extrema, que não possuem um orçamento maravilhoso. E outro ponto seria a forma da narrativa, que, às vezes, é um pouco confusa ao tentar imitar o desenrolar do mangá.

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Mas, o que fica é que Ichi the Killer se define como a tradução da violência. Procura jogar na tela o porquê da violência existir, como ela se constitui e mantém. Até que ponto os fatores externos podem definir como uma pessoa irá agir? Será que isso pode justificar atrocidades? É normal gostar da dor? Vamos assistir Ichi the Killer e refletir com Takashi Miike.

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Luana Caroline Damião

Luana Caroline Damião

Graduada em museologia, fã de faroestes e Christopher Lee, deseja que o mundo acabe com um apocalipse zumbi, onde, certamente, será um dos mortos-vivos.

2 comentários em “Ichi – O Assassino (2001)

  • 04/08/2017 em 18:39
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    Esse filme é muito violento e ao mesmo tempo divertido, estranho né? Mas acho que muitos tiveram esse sensação ao assistir-lo.

    Resposta
  • 03/03/2016 em 15:54
    Permalink

    De todos os filmes de Takashi Miike que eu tenho nada é mais ultra-violento do que o extremo ” Ichi – O Assassino ” , e por esse principal motivo e outros é o meu favorito do diretor , pra ele dou a nota máxima !
    ” Ichi – O Assassino ” orgulhosamente está na minha coleção !

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