King of the Ants (2003)

King of the Ants (2003) (3)

King of the Ants
Original:King of the Ants
Ano:2003•País:EUA
Direção:Stuart Gordon
Roteiro:Charlie Higson
Produção:Duffy Hecht, David Michael Latt
Elenco:Chris McKenna, Kari Wuhrer, George Wendt, Vernon Wells, Timm Sharp, Daniel Baldwin, Carissa Kosta, Carlie Westerman

No panteão do cinema de horror, existem aquelas obras que transcendem o tempo e se tornam mais do que clássicos, são filmes que redefinem vidas e abrem portas para o maravilhoso e tenebroso mundo do fantástico. Muitos dos leitores que estão nos seus trinta e poucos como eu sabem como é pegar aquele VHS na prateleira de uma locadora, chegar em casa, colocar para rodar com as luzes apagadas e uma hora e meia depois não sentir-se mais o mesmo.

Cada um tem seu filme de estimação e Stuart Gordon com certeza foi o responsável por vários deles para incontáveis fãs. Re-animator – A Hora dos Mortos-Vivos, de 1985, Do Além, de 1986, Herança Maldita, de 1995. são definidores de sua época, mas estranhamente Gordon foi desvanecendo aos poucos até que a gota d’água ocorreu com o lançamento de Piratas do Espaço, de 1996, uma comédia de ficção científica com Dennis Hopper e Stephen Dorff que naufragou na bilheteria.

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Então, alguns anos depois, eis que uma sequência inesperada de eventos ocorreu: o ator George Wendt (A Casa do Espanto) leu o livro King of the Ants (publicado em 1992) do autor Charlie Higson (da série best-seller O Inimigo). Wendt gostou tanto do material que entrou em contato com o escritor sobre uma adaptação para o cinema. Higson lhe disse que já havia sido abordado antes, porém nenhum projeto vingou. Wendt então levou o assunto para conhecimento de Stuart Gordon, com quem já havia trabalhado no teatro no passado, e o projeto saiu do papel, com o roteiro escrito pelo próprio autor do material original.

Só que havia um problema… Nenhuma companhia estava topando produzir o pesado roteiro de Higson, mesmo com o nome de Stuart Gordon na direção. Depois de sete anos sem sucesso, entra na jogada uma empresa chamada The Asylum. Já há 12 anos apenas na distribuição de filmes de baixo orçamento, ela estava tentando entrar na indústria como produtora e aceitou financiar o projeto. O resultado é um pouco visto, mas altamente recomendado filme sério de vingança, um thriller psicológico de primeira, que dificilmente a Asylum voltará a colocar dinheiro.

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Chris McKenna estrela como Sean Crawley, um jovem meio perdido na vida que faz bicos como pintor de paredes até decidir o que fará da vida. Em um dia como outro qualquer, ele conhece o eletricista Duke Wayne (Wendt), lhe oferecendo um trabalho “imoral” para ganhar um extra, e o jovem não hesita por muito tempo.

Duke apresenta Sean para seu chefe Ray (Daniel Baldwin, Vampiros de John Carpenter), o dono mafioso de uma incorporadora imobiliária que se sente ameaçado por uma investigação conduzida por um contador da prefeitura (Ron Livingston). No início, Ray pede que o rapaz apenas siga o contador, mas o trabalho fica mais sério e ele recebe a tarefa de eliminá-lo e coletar as provas incriminatórias contra Ray.

Movido pelo dinheiro e por uma fantasia arrebatadora com a esposa do contador (Kari Wuhrer, Malditas Aranhas!), Sean executa o trabalho, porém seus contratantes não tem qualquer intenção de pagar pelo serviço… Quando o rapaz ameaça divulgar o conteúdo das provas que encontrou, Ray e seus capangas (um deles é Vernon Wells, de Mad Max 2) o levam para um rancho no meio do deserto torturando-o sistematicamente até se tornar uma besta irracional.

Ele foge e começa a se recuperar aos poucos, encontrando novamente a viúva do contador. De maneira oportunista, tentando se esgueirar para dentro da vida da mulher que foi arruinada por ele mesmo e recomeçar como um novo homem, Sean Crawley não parece saber que certos pecados são grandes demais para ficarem enterrados por muito tempo.

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Se David Cronenberg saiu de filmes de ficção científica com efeitos impressionantes para thrillers violentos e pessoais, Stuart Gordon está para King of the Ants como Cronenberg está para Marcas da Violência (2005). É um filme cru, desagradável e extremamente bem rodado, onde até o baixo orçamento ajuda a causar uma sensação de desconforto.

Utilizando de um realismo absurdo, a cena do assassinato do contador está em uma das mais impactantes já filmadas, tanto pela naturalidade como as coisas acontecem e pela qualidade dos efeitos, como também pelo clima. Lembrar de Henry: Retrato de um Serial Killer neste momento, não é pensar muito longe.

O cativeiro do Sean Crawley também não é para todos os públicos, a lenta degradação mental do personagem é sordidamente representada por sua condição física, com alucinações acompanhando em passagens que mostram o calculado e frenético estilo de Stuart Gordon na direção de seus clássicos.

King of the Ants também só tem este impacto graças à falta de maniqueísmo de seu protagonista. Embora todos os demais sejam predominantemente bons ou ruins, os defeitos de caráter de Sean Crawley são tão condicionados a seus desejos primitivos facilmente manipuláveis que fica difícil de taxá-lo como o “vilão” da história, mesmo depois de assassinar um homem a sangue frio. Seu karma é representado por suas frequentes idas e vindas ao inferno, ao ponto que finalmente decide canalizar sua fúria nas pessoas certas: Ray e seus asseclas.

Longe de ser um filme perfeito, a imprevisibilidade dos dois primeiros atos dá lugar as soluções fáceis no clímax, que não acompanha a mesma força do começo, e uma ou outra passagem cômica fora de contexto. Infelizmente difícil de encontrar, King of the Ants entrega o que pode ser o melhor filme que Gordon já fez depois de Re-Animator e a máxima qualidade da soma de qualquer obra que a Asylum produziu no presente ou produziria no futuro. Se não ficou bem claro, assista. Vale o garimpo.

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados. Co-autor do livro Medo de Palhaço, produz as Horreviews e Fevericídios no Canal do Inferno!

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