Enjaulada (2016)

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Enjaulada
Original:Pet
Ano:216•País:Espanha, EUA
Direção:Carles Torrens
Roteiro:Jeremy Slater
Produção:Kelly Wagner
Elenco:Dominic Monaghan, Ksenia Solo, Jennette McCurdy, Da'Vone McDonald, Nathan Parsons, Janet Song, Gary J. Tunnicliffe, Denise Garcia, John Ross Bowie, Sean Blakemore, Irene Roseen

Durante a febre dos torture porn, no resgate do cinema sensacionalista da década de 70 como os WIP, não era difícil encontrar pessoas enjauladas, vítimas de sessões de torturas física e psicológica. Com roupas mínimas, retratando fetiches, elas eram subjugadas a vilões doentes, com propósito sádicos, sob o comando de cineastas independentes, inspirados no sucesso de Eli Roth. A tendência perdeu força, como as continuações fracas de Jogos Mortais e O Albergue, e foram substituídas pelos found footages e reboots. Pet aparenta ser uma produção fora de época, que pretende explorar um conteúdo enfraquecido pelo politicamente correto, até que uma alterada na narrativa muda todo o olhar que se deve ter com ele – e justifica sua posição entre os melhores filmes de 2016.

Seth (Dominic Monaghan) trabalha em um abrigo de animais, recolhidos pela carrocinha. Alimenta os animais e limpa as jaulas, seguindo sempre uma rotina de poucas surpresas, como a de se despedir de animais que são “colocados para dormir” após um longo período de estadia no local. Durante sua volta para casa, no ônibus, ele se encanta pela beleza de uma mulher – não fica claro se já a conhecia realmente ou se ele já vem acompanhando-a durante várias viagens – e busca um diálogo. Trata-se da lindíssima Holly (Ksenia Solo), que aproveita a viagem diária para escrever em seu diário, e parece não estar interessada em uma nova amizade. Seth tenta outras investidas, no emprego dela como garçonete e até no bar onde costuma passar algumas noites, porém as tentativas sempre são frustradas pela defesa da garota.

Ela mora em um apartamento, onde mantém um constante diálogo com a amiga Claire (Jennette McCurdy), discutindo sobre a possibilidade de voltar a se relacionar com o infiel Eric (Nathan Parsons). Depois que recebe o mais violento dos foras, Seth encontra a agenda da garota e, a partir dela, decide que chegou o momento de tê-la só pra ele, aproveitando os subterrâneos do abrigo para construir uma jaula. O plano dá certo, mesmo com algumas dificuldades na presença do segurança Nate (Da’Vone McDonald), e agora Holly é seu “animal de estimação“.

Se o enredo de Jeremy Slater (da série O Exorcista) partisse para o óbvio, com a garota tentando encontrar meios de sair dali, em um jogo de inteligência contra seu inimigo, Pet seria facilmente esquecido e ignorado, como muitos animais de rua. Contudo, o longa tem uma bela virada narrativa, quando se é possível entender as razões da garota estar ali; e também faz um paralelo com os animais de abrigos, principalmente alguns que aparentemente não podem ser salvos. Não se trata de uma obsessão apenas, contra uma vítima indefesa, mas algo um pouco mais complexo, capaz de levar o espectador até a simpatizar com ato insano do rapaz sequestrador, e torcer para o êxito de suas intenções, mesmo que os meios não justifiquem os fins.

Aproveitando a beleza de Ksenia Solo – e que domina seu personagem, sabendo conduzir as mudanças de personalidade – e o carisma de Dominic, o longa de Carles Torrens (de Apartamento 143, 2011) tenta seu próprio caminho, sem se prender aos rótulos do estilo, e acerta em quase todos os quesitos. Auxiliado pela fotografia correta de Timothy A. Burton, Pet proporciona bons momentos de tensão e leva o espectador à reflexão sobre o posicionamento de alguns personagens. É difícil imaginar um final diferente do que foi exibido, mas ele ainda assim é incômodo e tem o tom adequado para o que foi proposto.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

3 thoughts on “Enjaulada (2016)

  • 15/10/2020 em 23:28
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    Excepcional. Ator excelente, trama bem amarrada. Amei

    Resposta
  • 15/10/2020 em 23:25
    Permalink

    Maravilhoso. O ator central é excepcional. A trama muito bem amarrada. Amei demasiado

    Resposta
  • 04/09/2020 em 22:12
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    Só gostei do final. Fraquíssimo. Ator bom, atriz blé.

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