A Fúria das Feras Atômicas (1976)

A Fúria das Feras Atômicas
Original:The Food of the Gods
Ano:1976•País:EUA
Direção:Bert I. Gordon
Roteiro:H.G. Wells, Bert I. Gordon
Produção:Bert I. Gordon
Elenco:Marjoe Gortner, Pamela Franklin, Ralph Meeker, Jon Cypher, Ida Lupino, Belinda Balaski, Tom Stovall, Chuck Courtney

Com exceção desse filme, as obras fantásticas do famoso escritor inglês H. G. Wells sempre contaram com ótimas adaptações para o cinema. Calma aí os mais apressados: não quero dizer com isso que esse A Fúria das Feras Atômicas (The Food of the Gods, 1976) não presta; quero dizer apenas que esse filme está muito distante, em termos de adaptação cinematográfica, de clássicos como O Homem Invisível (1933), Daqui a Cem Anos (1936), A Guerra dos Mundos (1953) e A Máquina do Tempo (1960).

Antes de tudo, é um trash clássico da década de 70 e um dos filmes mais divertidos desse período, com uma profusão de efeitos especiais de fundo de quintal e outros de primeira qualidade, o que resultou em algo no mínimo espantoso, levando-se em conta que sua produção esteve a cargo da antológica American Internacional Pictures, dos espertalhões Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson, que fizeram história criando filmes de baixo orçamento desde a década de 50. Outra coisa: a direção coube a ninguém mais, ninguém menos que o picareta Bert I. Gordon (“Mr. Big“, para os íntimos), exímio criador de trashes envolvendo criaturas gigantescas, tais como em O Começo do Fim (1957), The Amazing Colossal Man (1957) e Earth Vs. The Spider (1958), entre muitos outros. E desta vez quem entrou pelo cano foi ninguém menos que H. G. Wells

Mas, para falar a verdade, o livro que inspirou esse filme, “O Alimento dos Deuses“, é um dos mais fracos e desinteressantes do eminente autor inglês; sem dúvida a adaptação feita por Gordon ficou mais estimulante e divertida que a obra original (e, por isso mesmo, bastante diferente). Enquanto no livro o tal “alimento dos deuses” é fruto do trabalho de um grupo de cientistas curiosos, daqueles que eram mais do que comum na literatura do final do século XIX, no filme a substância brota misteriosamente do chão, numa fazenda isolada de uma ilha da costa canadense, fazendo com que os animais da região, que o ingerem, fiquem gigantes. E dá-lhe vespas, galinhas, vermes, ratos e outras bizarrias bem nutridas para deixar em polvorosa a pequena comunidade local. Outro aspecto que também o diferencia bastante do livro (e que é praticamente o ponto central deste) é a não inclusão de pessoas que por ventura tenham ingerido a misteriosa substância; no livro, este detalhe se transforma numa lengalenga infernal de crianças que ficaram gigantes e passaram a ameaçar a civilização – coisa que foi totalmente excluída da versão em película.

Tudo começa quando um jogador profissional de futebol americano (interpretado pelo canastríssimo Marjoe Gortner), junto com amigos, resolve tirar um fim de semana sossegado na ilha e, durante uma caçada, vê um de seus amigos sendo atacado e morto por uma legião de vespas gigantes, do tamanho de urubus. Depois do ataque, ele se dirige a uma fazenda próxima, onde quase vira picadinho nos bicos de uma monstruosa galinha super-desenvovida. O interessante é que, depois disso, ele interroga a dona da fazenda (interpretada por Ida Lupino) em busca de um telefone como se nada tivesse acontecido, como se galinhas gigantes fossem apenas uma excentricidade da fazendeira. Mas a coisa só vai esquentar mesmo quando ratazanas enormes, do tamanho de vacas, entrarem na história.

E o interessante é que, a partir daí, os efeitos especiais envolvendo esses terríveis roedores gigantes se revelam assustadoramente bons, rendendo algumas sequências memoráveis de horror explícito; pessoas com pavor de ratos, passem longe. A primeira dessas cenas, por exemplo, quando uma legião desses bichos escrotos ataca um incauto viajante dentro de seu carro, é de uma competência digna de nota. O mesmo não se pode dizer, porém, do ataque das vespas, um abuso tosco e mal feito da retroprojeção, em momentos hilários. A sequência de destruição dos ratos, envolvendo a explosão de uma represa e a inundação da fazenda, também é inverossímil ao extremo, embora as cenas de afogamento das criaturas tenham ficado boas. Uma coisa é certa: dezenas de ratazanas reais foram sacrificadas em nome desse filme. Pior pra esses bichos nojentos.

Diversão enxuta e garantida, A Fúria das Feras Atômicas ainda traz no elenco a belíssima Pamela Franklin (de clássicos como Os Inocentes, de 1961, e A Casa da Noite Eterna, de 1973), além de Ralph Meeker, John Cypher, Belinda Balaski, Tom Stovall, entre outros. O multi Bert I. Gordon, além de dirigir, escreveu, produziu e realizou os efeitos especiais desse filme, indispensável na coleção de qualquer aficionado do tema “bichos gigantes“, assim como O Império das Formigas Gigantes, que ele realizou no ano seguinte, com os mesmos divertidos ingredientes.

A Fúria das Feras Atômicas está disponível no mercado nacional de fitas VHS pela Globo Vídeo, já fora de catálogo e hoje peça de museu. Ignore o título nacional

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E R Corrêa

E R Corrêa

"No edifício do pensamento não encontrei nenhuma categoria na qual pousar a cabeça. Em contrapartida, que belo travesseiro é o Caos!" (Cioran)

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