Mandy: Sede de Vingança (2018)

 

Mandy: Sede de Vingança
Original:Mandy
Ano:2018•País:EUA
Direção:Panos Cosmatos
Roteiro:Panos Cosmatos, Aaron Stwart-Ahn
Produção:Nate Bolotin, Elijah Wood
Elenco:Nicolas Cage, Andrea Riseborough, Linus Roache, Ned Dennehy, Olwen Fouéré, Richard Brake, Bill Duke, Line Pillet, Clément Baronnet

Vingança narrada em meio a uma viagem alucinante, em um futuro distópico, envolvendo fanáticos religiosos, motoqueiros bestiais, drogas e batalhas memoráveis. Panos Cosmatos (sim, filho de George Pan Cosmatos), roteirizou e dirigiu Mandy, um filme acima de tudo sensorial, que transforma a atmosfera envolvente em uma viagem de ácido ao espectador.

Desde sua abertura, Mandy se apresenta como um filme desolador: a ambientação sombria, as notícias do rádio já denotam que as montanhas onde Red Miller (Nicolas Cage) e Mandy (Andrea Riseborough) vivem já não são um lugar seguro. Red e Mandy têm uma vida aparentemente tranquila, que é interrompida quando Sand (Linus Roache), líder de um grupo religioso extremista, vê em Mandy um canal de comunicação com seu ‘Messias’. O desenvolvimento da narrativa leva Red a buscar vingança ecoando a melhor frase do filme ‘Hunt Jesus Freak’.

Cage é um cara que sempre gera calorosas discussões no cinema, principalmente por suas atuações (e olha que já ganhou um Oscar!). Geralmente tachado por escolhas ruins em seus papeis, Cage é marcado por suas caras e bocas e olhares insanos na maioria de seus personagens. Mas aqui em Mandy, suas excentricidades são mais contidas (tirando o olhar insano), e Cage constrói um personagem de semblante cansado, mas que guarda em si uma fúria que será despejada em sua vingança. A atriz Andrea Riseborough, que dá vida a personagem título, tem sua atuação marcada por expressões e olhares, e é o nome Mandy que marca o tom do filme, sempre presente na construção da atmosfera. Completando a lista de boas atuações, Linus Roache, entrega uma atuação sutil, mas assustadora como o líder religioso extremista da seita que amedronta a região em que se ambienta o filme. Suas frases são emblemáticas e típicas de um pastor megalomaníaco, que acha que tudo pode em nome do Messias ao qual serve.

Uma fotografia em tons vermelhos saturados transforma a montanha sombria em um inferno na terra. Foques e desfoques entre os personagens, alinhados a uma trilha sonora atmosférica, evocam uma sensação de viagem lisérgica, sensação esta que o diretor reproduz trazendo o espectador para dentro da atmosfera do filme – eu me pergunto como seria ver este filme sob o efeito de ácido. Panos Cosmatos constrói, dentro deste ambiente, cenas de lutas memoráveis entre Cage e uma bando de motoqueiros bestiais, ou contra os seguidores da seita de Sand – a luta com motosserras é brilhante!

Como em o Massacre da Serra Elétrica, a crítica social existente fica como pano de fundo. A condução do diretor Cosmatos desperta no espectador essa sensação de maneira quase palpável, permitindo para o cinema de gênero uma visão sobre essa estética sensorial. Não que não tenha sido utilizada antes, não é uma novidade nos filmes de Terror. Mas há de se enaltecer a maneira como é criada em Mandy!

E mantenho minha curiosidade: alguém já viu este filme sob efeito de ácido?

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Ivo Costa

Ivo Costa

Estudante de Cinema, fez parte do Juri Popular do Cinefantasy em 2011. Além de crítico do Boca do Inferno, atua como diretor e roteirista de curtas-metragens.

8 comentários em “Mandy: Sede de Vingança (2018)

  • 21/03/2019 em 17:42
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    Um dos piores filmes que já assisti….

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  • 15/03/2019 em 07:47
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    Demora DEMAIS pra engrenar, por mais que tente soar artístico e lisérgico. Mas vale pelas lutas e pela atuação do Cage, que consegue passar a sensação que realmente endoidou com toda a tragédia que acontece.

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  • 08/03/2019 em 13:19
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    Curioso é que o diretor Panos Cosmatos é filho do falecido George Pan Cosmatos, diretor que ficou eternizado pelos filmes Rambo 2 A missão (com o eterno casca grossa Silvester Stallone) e Tombstone, a justiça está chegando (misto de faroeste e cinebiografia estrelado por Kurt Russell e Val Kilmer).

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  • 08/03/2019 em 00:07
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    e olha que sou fan de filmes de terror ja vi muitos mas muitos mesmo.vou ate ver de novo de repente sei la.

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  • 08/03/2019 em 00:00
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    gente so eu achei esse filme uma bosta…

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  • 04/03/2019 em 20:14
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    Com todo respeito, mas a que “crítica social” especificamente trata o artigo, neste filme ou mesmo no Massacre? Nunca entendi estas conotações, devo ser meio limitado mesmo.Me parecem apenas bons filmes de horror; ou ótimo, como no caso do TCM.

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  • 04/03/2019 em 12:59
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    isso que é filme de terror! não aquelas historinhas bobas do james wan

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  • 03/03/2019 em 01:05
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    Muito boa a crítica. Mandy realmente é um ótimo filme e acho que o Nicola Cage foi ideal para o papel de fato.

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