The Rain – 2ª Temporada (2019)

The Rain - 2ª Temporada
Original:The Rain - Season Two
Ano:2019•País:Dinamarca, EUA
Direção:Kasper Gaardsøe, Josefine Kirkeskov, Søren Balle
Roteiro:Simon Oded Weil, Julie Budtz Sørensen, Rune Schjøtt
Produção:Christian Potalivo
Elenco:Alba August, Lucas Lynggaar, Natalie Madueño, d Tønnesen, Mikkel Boe Følsgaard, Lukas Løkken, Jessica Dinnage, Johannes Kuhnke, Sonny Lindberg, Clara Rosager

Depois da tempestade, vem… qualquer coisa que não seja outra chuva. A primeira temporada da série The Rain não cumpriu com as expectativas ao explorar muito pouco o fenômeno que carrega no título. Se era para ser o ponto de partida de apresentação de um mundo pós-apocalíptico, a chuva serviu apenas para espalhar uma doença, capaz de transformar esse produto da Netflix em uma série amplamente convencional, numa estrutura narrativa irritantemente adolescente. Mesmo quando os oito episódios apenas esquentavam o interesse dos espectadores, o sistema de streaming já anunciava uma segunda temporada, com um gancho final que permitia entender os próximos passos do programa. A nova temporada foi disponibilizada em 17 de maio, com menos episódios – apenas 6 – e a perspectiva de que tudo poderia ser menos doloroso, se os criadores, Jannik Tai Mosholt, Christian Potalivo e Esben Toft Jacobsen, soubessem construir uma trama envolvente e, no mínimo, interessante. Infelizmente, The Rain mais uma vez optou por um novo caminho, menos empolgante e quase sem entretenimento que justifique sua continuidade.

A nova temporada começa exatamente no ponto onde terminou a primeira. Depois de finalmente conhecer a Apollon, a empresa por trás do incidente que dizimou grande parte da população (mundial, talvez, embora a perspectiva de uma chuva em um alcance entre hemisférios é bem difícil de se aceitar), e perceber que as intenções são as piores possível no que se refere à importância de Rasmus (Lucas Lynggaard Tønnesen) para o projeto desenvolvido, Simone foge com ele, o namorado ferido à bala Martin (Mikkel Boe Følsgaard), Lea (Jessica Dinnage) e o affair Jean (Sonny Lindberg), além de Patrick (Lukas Løkken). São interceptados novamente pelo pai de Simone e Rasmus, Frederik (Lars Simonsen), como uma forma do roteiro cobrir uma falha do final da primeira temporada, e indicar que o grupo deve procurar uma base onde cientistas rebeldes buscam uma cura.

Entre os cientistas só importa Fie (Natalie Madueño), que passará a ajudar o grupo nos experimentos com o jovem. Contudo, o vírus pelo qual ele é hospedeiro passa a atacar aqueles que tentam retirá-lo ou quando o rapaz está em um estado de fúria incontrolável. Sim, ele é uma espécie de Hulk ou Fênix Negra, reagindo com um poder de contaminação – exposto através de uma fumaça negra digital – sempre quando se sente ameaçado. Se Simone já havia mostrado talentos incompreensíveis na primeira temporada, como consertar um drone e dirigir, neste ele se mostra bastante eficiente no estudo da doença e sua composição. Os problemas começam internamente com Martin e Fie agindo contra os irmãos, acreditando que a morte do “paciente zero” seja um ato de sobrevivência dos demais.

Enquanto Rasmus é obrigado a se isolar e se sente culpado pelas mortes provocadas, a base científica esconde uma garota com uma saúde bastante frágil. Em alguns flashbacks, o espectador fica sabendo que Sarah (Clara Rosager) nasceu com o sistema imunológico inexistente e que qualquer gripe pode resultar em sua morte. Não precisa imaginar muito que o rapaz com a doença mais perigosa do mundo vai se apaixonar pela que tem baixa imunidade, resultando naquelas narrativas adolescentes (inspiradas em livros) como A Cinco Passos de Você, que traz o ápice do amor platônico ao apresentar jovens que são obrigados a se manter afastados, mesmo quando uma forte atração acontece. É um plot obviamente oportunista e desnecessariamente dramático.

Por outro lado, embora bobo é interessante acompanhar a paixão entre Lea e Jean, que acontece timidamente e vai adquirindo uma grande importância para o enredo nos episódios finais, quando acontece a tentativa de invasão dos soldados da Apollon no complexo científico. Também vale menção a personagem Kira (Evin Ahmad), que finge fazer parte da Apollon apenas como pretexto de uma possível ação vingativa. Em dados momentos, ela serve de apoio para os demais no combate aos demais inimigos e na decisão sobre como agir com o contaminado Rasmus. Há um casal também que aparece em um episódio isolado e não tem grande valor para a narrativa.

Com um gancho para uma terceira temporada – se não vier, não fará falta -, The Rain esquece de vez das chuvas (só acontece uma chuva em uma cena de flashback no prólogo) e traz uma temporada bastante inferior a primeira, surpreendendo pela capacidade de excluir qualquer interesse pela continuidade ainda que seja um produto dinamarquês e que poderia se proteger dos clichês americanizados, o que infelizmente está longe de acontecer.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

2 comentários em “The Rain – 2ª Temporada (2019)

  • 27/07/2019 em 21:48
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    Os primeiros episódios da 1ª temporada foram bons, do meio para final se perdeu… Acho que nem vou ver essa entao kkk

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  • 07/07/2019 em 20:11
    Permalink

    Já não gostei da primeira temporada, e, ao ler a crítica, fico muito feliz de não ter assistido à segunda.

    Resposta

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