Lords of Chaos (2018)

Lords of Chaos
Original:Lords of Chaos
Ano:2018•País:UK, Noruega, Suécia
Direção:Jonas Åkerlund
Roteiro:Jonas Åkerlund, Dennis Magnusson, Michael Moynihan, Didrik Søderlind
Produção:Jack Arbuthnott, Jim Czarnecki, Kwesi Dickson, Danny Gabai, Erik Gordon, Ko Mori
Elenco:Rory Culkin, Emory Cohen, Jack Kilmer, Sky Ferreira, Valter Skarsgård, Anthony De La Torre, Jonathan Barnwell, Sam Coleman, Lucian Charles Collier

 

A associação entre o rock e o Diabo – muitas vezes injusta, embora eu realmente ache que Satã tem bom gosto – se fundamenta em bandas como a assustadora Mayhem. Dentro do cenário black metal norueguês, esse grupo, formado por jovens em 1984,  se destacava não apenas pela trilha pesada e pelos clipes que pareciam filmes de terror, mas pelos bastidores que traziam envolvimento com cadáveres e canibalismo, além de um passado trágico com histórico de suicídio e assassinato.

As performances no palco eram sempre violentas. Cortes com facas e vidros durante a apresentação, corpse paint (retratando cadáveres), roupas que passavam muito tempo enterradas para trazer germes e sujeira e a manutenção de um corvo morto numa bolsa para sentir constantemente a essência da morte. Toda essa história – incluindo o suicídio de um deles que acabou se tornando capa de um disco da banda (!!!) – você encontra na internet e em documentários que abordam o satanismo norueguês. Mas, há uma opção melhor que é conferir um dos destaques de horror de 2019 e que está sendo injustamente ignorado pelas distribuidoras nacionais. Trata-se do filme Lords of Chaos, de Jonas Åkerlund.

Nos idos da década de 80, o jovem Euronymous (Rory Culkin) monta a primeira banda de black metal norueguês, intitulada Mayhem. Contando com Necrobutcher (Jonathan Barnwell) no baixo e Manheim (James Edwyn) na bateria, o grupo começa a ganhar força musical com a substituição do baterista por Hellhammer (Anthony De La Torre) e a entrada do vocal sueco Dead (Jack Kilmer), que traz as atitudes violentas necessárias para a composição do cenário de horror proposto. Muitas das insanidades partem de Dead, como a de ser cortar violentamente no palco e sugerir a inalação de um corvo putrefato em um saco de papel, considerando qualquer outra ação como “poser” do estilo. O fascínio por Dead, principalmente por estar sempre no limite até mesmo na sugestão de sua própria morte, surpreende Euronymous quando este vai visitá-lo e descobre que o rapaz cortou os pulsos, o pescoço e por fim explodiu a própria cabeça.

O líder da banda ajeita a cena do crime para deixá-la mais interessante e a fotografa para guardar de recordação, além de sugerir que retirou partes do cérebro do morto para usar como amuletos, o que afasta Necrobutcher do grupo. Após uma das performances da banda, Euronymous conhece o aparente poser Kristian (Emory Cohen) para posteriormente, ao promover sua banda pessoal Burzum, percebe que o rapaz tem boas ideias, embora boa parte seja perversiva, montando assim o “Black Circle“, que inclui promover o incêndio de igrejas até chegar ao assassinato propriamente dito.

O black metal norueguês desponta com força no cenário de música e horror com a banda Mayhem. A popularidade do grupo cresce na medida da violência promovida, o que atrai a atenção da mídia, de jornalistas dispostos a furos de reportagem e da polícia. O final só poderia ser no mesmo nível da repulsa promovida, com a direção de Jonas Åkerlund não se esquivando das ações mais violentas e grotescas, mostrando ainda o bom gosto dos integrantes em constantemente assistir a filmes do gênero como o recém-lançado na época Fome Animal e o clássico Evil Dead, visto por diversas vezes.

Além de ótimos efeitos de maquiagem, há as boas atuações do elenco, incluindo Rory Culkin, que transmite bem a personalidade do líder da banda, ao atribuir a si a responsabilidade pelos crimes cometidos, mas sem a ousadia necessária para protagonizá-las. E Emory Cohen traz bem o contraponto, num processo de transformação de um rapaz riquinho (casa limpa e bem arrumada destoando de suas ações), que não bebia, em um monstro insensível, agressivo e ousado. E é esse duelo de egos e atitudes – mesmo que o resultado seja conhecido – é que traz os melhores momentos de Lords of Chaos.

Violência extrema e todo tipo de ações insanas de uma banda que foi construída pela morte levaram Lords of Chaos ao patamar das melhores produções de 2019. Um longa biográfico e assustador com muito mais conteúdo e repulsa que muitas produções do gênero. Altamente recomendável!

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

3 comentários em “Lords of Chaos (2018)

  • 22/01/2020 em 16:58
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    Seria legal colocar em quais plataformas os filmes podem ser encontrados.

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  • 20/01/2020 em 15:37
    Permalink

    Só uma correção, a foto do Dead morto nunca foi usada pela banda, a capa que saiu, usando a foto, foi de um disco pirata.

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    • 22/01/2020 em 12:42
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      na vdd foi usada sim… o bootleg dawn of the black hearts oficial do mayhem

      Resposta

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