Doom: Aniquilação (2019)

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Doom: Aniquilação
Original:Doom: Annihilation
Ano:2019•País:EUA
Direção:Tony Giglio
Roteiro:Tony Giglio
Produção:Jeffery Beach, Ogden Gavanski, Phillip J. Roth
Elenco:Amy Manson, Dominic Mafham, Luke Allen-Gale, James Weber Brown, Clayton Adams, Nina Bergman, Amer Chadha-Patel, Gavin Brocker, Chidi Ajufo

Um passeio literal ao inferno era a sensação proposta pela franquia Doom, quando aconteceu seu lançamento em 1993. Desenvolvido por John Carmack, John Romero, Adrian Carmack, Kevin Cloud e Tom Hall, o jogo foi um dos precursores do estilo 3D, com gráficos e jogabilidade que transmitiam ao público uma experiência bem verdadeira no confronto a zumbis e demônios. O imenso sucesso no MS-DOS, que fez o jogo ter mais de 10 milhões de cópias vendidas, atraiu continuações, versões literárias, quadrinhos e board games, além, é claro, das adaptações cinematográficas.

A primeira foi lançada em 2005, com o título Doom: A Porta do Inferno, com direção de Andrzej Bartkowiak, tendo como estrela Dwayne “The Rock” Johnson. Ambientada num futuro distante, trazia uma equipe de soldados na travessia do portal Ark para alcançar o território marciano e restaurar um computador com dados importantes sobre experimentos genéticos e antropologia. Assim que adentram o ambiente hostil, logo percebem que criaturas monstruosas estão espalhadas pela estação, e precisarão de armas e união para enfrentá-las. Bem dirigida, o enredo, além de trazer bons efeitos digitais e de maquiagem e uma dose elevada de mortes gráficas, ainda permitia um momento bastante inspirado no jogo, quando a visão 3D é ativada, funcionando como uma bem-vinda homenagem aos fãs do game.

Apesar de satisfazer os jogadores e os fãs de horror, a primeira versão foi bastante falha nos cinemas. Com muitas críticas negativas, incluindo do próprio Dwayne Johnson, Doom: A Porta do Inferno parecia ter enterrado qualquer possibilidade de voltar à temática, mas com o lançamento de um novo jogo em 2016, com bastante sucesso, a Universal Pictures se interessou em um reboot. Tony Giglio apresentou a ideia para a relutante produtora, e conseguiu estabelecer um sinal verde, desde que fosse direta para o vídeo e desenvolvida pela subsidiária 1440 Entertainment, com as filmagens acontecendo em 2018. Giglio planejou seu filme, com base em franquias como Alien e O Exterminador do Futuro, com uma protagonista badass, no confronto com as criaturas. Enfim, falhou em absolutamente tudo.

O longa começa em um laboratório espacial, localizado em Phobos, um dos satélites naturais de Marte, onde está sendo realizado um experimento de teletransporte através de um portal descoberto no local. Embora seja um sucesso, o experimento traz o voluntário com algumas deformidades físicas e psicológicas, e isso é associado aos medicamentos que ele ingeria. Pensando na perda do financiamento para o projeto, o Dr. Malcolm Betruger (Dominic Mafham) resolve usar a si mesmo como cobaia – alguém não aprendeu nada com Seth Brundle (Jeff Goldblum) -, levando a estação uma perda de energia e a libertação de criaturas demoníacas.

Sem saber o que acontece em Phobos, uma expedição está a caminho para lá. Comandada pela tenente Joan Dark (Amy Manson), mal vista pela equipe por ter permitido a fuga de um terrorista, estão alguns especialistas e soldados como Dr. Bennett Stone (Luke Allen-Gale), o Capitão Hector Savage (James Weber Brown), o sargento Logan Akua (Chidi Ajufo), os soldados Steven Winslow (Clayton Adams), Carley Corbin (Carley Corbin) e Rance Redguo (Amer Chadha-Patel). Ao perceber que a base aparenta estar desativada, a equipe recebe como ordem a reativação do núcleo para restaurar a força, além de descobrir o que levou à perda de energia.

A partir daí não há muita novidade. Eles encontrarão algumas pessoas transformadas em demônios azuis – incomoda pela aparência igual dos monstros, como se enfrentassem sempre as mesmas criaturas – e uma versão mais poderosa, que lança bolas de fogo e é bastante resistente as armas tradicionais. Logo os sobreviventes descobrirão que o portal é um acesso a uma dimensão demoníaca, e que algo precisa ser feito para que os demônios não sejam libertados e possam ameaçar a vida humana. Assim, portas de acesso com cartões especiais, armas poderosas e a identificação rasa a alguns elementos que compõem os jogos são os únicos atrativos, porém cansam pela falta de diversidade dos monstros e um ritmo que se esquive dos clichês do estilo.

Ainda que os efeitos sejam até aceitáveis, o enredo não ajuda até mesmo no desenvolvimento da protagonista, em busca de redenção por um erro do passado. E ainda incomoda com melodramas, envolvendo uma perda, até da própria fé, e algum sinal transmitido pela falecida que só será compreendido no momento certo (Sinais…alguém?). Para piorar, Doom: Aniquilação não empolga e não diverte, diminuindo o interesse e a empatia do infernauta, que lembra com saudades do confronto final de Dwayne Johnson.

Será que veremos uma continuação? De acordo com o diretor Giglio, ao responder a um seguidor pelo twitter sobre a possibilidade de ver os Barões do Inferno em um novo filme, deixou entender que isso poderia explorado numa sequência. Basta saber se vale a pena atravessar esse portal para uma nova adaptação ou deixá-lo apenas para a boa lembrança dos jogadores.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

4 thoughts on “Doom: Aniquilação (2019)

  • 01/07/2020 em 14:48
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    Eu gostei. O enrendo eh bastante fiel ao jogo, ainda mais comparado com o filme de 2005. Uma grande pena que ficou na mesma lógica enfadonha de zumbis, quando podiam ter arriscado e deixado soldados loucos com armas, como no jogo original. Podia ter mais 1 ou 2 espécies monstros a mais . Gostei do uso das armas como no original, faltando mesmo so o lança foguetes.
    Pelo orçamento, dou de 7/10. Se tivesse tido o orçamento do de 2005, seria top, até pela duração.

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  • 21/05/2020 em 23:32
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    Adorei muito bom ?????????????????????????????

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  • 09/04/2020 em 02:29
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    Uma caveira e meia foi uma nota muito alta pra esse filme, ele é horrível, personagens e diálogos péssimos, efeitos mais ou menos, e a protagonista é o pior de tudo, podiam ter botado a Gina Carano ou a Zoe Bell, elas sim convencem que são fodonas e podem meter a porrada em qualquer um.

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  • 08/04/2020 em 15:33
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    Não assisti encarando como um reboot. A mim pareceu algo promocional para o lançamento da sequência do jogo, algo como uma ideia semelhante aos curtas para o 40º Aniversário de Alien.

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