H. H. Holmes: Maligno (2020)

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H. H. Holmes: Maligno
Original:Depraved: The Definitive True Story of H.H. Holmes
Ano:2020•País:EUA
Autor:Harold Schechter•Editora: DarkSide Books

Enquanto Jack, O Estripador, ganhava notoriedade e aterrorizava as ruas de Londres com seus assassinatos brutais e sangrentos, a um oceano de distância existia um homem que rivalizava com ele em maldade.  Numa época onde o termo ainda não fora inventado, H. H. Holmes é considerado o primeiro assassino em série dos Estados Unidos. Ou, ao menos, o primeiro que se teve notícia e foram descobertas suas barbaridades.

Batizado como Herman Webster Mudgett, era um garoto quieto e que sofria bullying dos colegas. Um dia, encurralado, foi forçado a entrar no consultório de um médico após descobrirem que o medroso menino tinha pavor dele. Obrigaram-no a tocar um esqueleto humano e, ao invés de apavorado, o pequeno Herman ficou fascinado e interessado. A partir desta experiência, começou a matar e dissecar pequenos animais selvagens e domésticos para estudar sua anatomia e satisfazer um crescente e mórbido desejo.

Já adulto, mudou-se para a promissora Chicago sob o nome de Henry Howard Holmes, um homem de boa aparência, modos refinados e com experiência em farmacêutica. Começou a trabalhar numa pequena farmácia local, que logo adquiriu como sua.

O doutor Holmes era visto pela vizinhança como sendo extremamente inteligente, charmoso e respeitável, além de um galanteador nato.  Mesmo após seu casamento com a jovem e ingênua Myrta, continuou a seduzir outras mulheres – muitas vezes de modo fatal.  Apesar de sua fama impecável, H. H. Holmes era um estelionatário ganancioso, acumulando vários golpes e alguns processos ao longo dos anos.  Durante a construção de seu castelo, diversos trabalhadores foram demitidos e contratados, de modo que nenhum deles saberia a totalidade do projeto. Aqueles que não sumiam misteriosamente, ficaram apenas com as promessas de um pagamento que nunca aconteceu.

Com seu castelo pronto, os planos do ambicioso e maquiavélico doutor poderiam enfim tomar forma. O local tinha diversos quartos, uma sala das caldeiras e um enorme cofre, que servia para propósitos muito mais macabros do que se imagina.

Durante a famosa feira de Chicago – a Exposição Universal de 1893 -, seu castelo foi utilizado como hotel pelos mais diversos visitantes. A maioria deles nunca mais foi vista após sua estadia.

Holmes teve diversos casos e casamentos, normalmente dando um nome falso a cada noiva que teve. Em momento algum ele se divorciou de Myrta, que morava numa casinha com seu filho e não fazia ideia dos horrores e traições de seu marido. Suas amantes também nunca mais foram vistas após cruzarem o caminho do garboso doutor.

Anos depois, após matar seu comparsa Benjamin Pitezel para conseguir o dinheiro de seu seguro de vida, fugiu Estados Unidos afora para não descobrirem seu golpe, que consistia em fingir a morte de Benjamin para conseguir o dinheiro. Porém, a morte foi real e, ludibriando a  esposa de Pitezel, matou também três seus filhos. A pobre mulher e seus outros dois filhos só não tiveram o mesmo destino porque a máscara de Holmes começava a cair, e deu-se uma perseguição de proporções gigantescas para a época atrás do Maligno – como ficou conhecido. Inicialmente, estavam atrás dele por causa da fraude do seguro, porém, quanto mais se investigava, mais ficava claro que o homem também era um assassino, até que finalmente foi detido. Seus diversos nomes falsos foram descobertos, seus inúmeros casamentos, suas esposas que nunca mais foram vistas, suas dívidas e, finalmente, seu Castelo da Morte, que também foi chamado de Hotel Infernal.

Inúmeras ossadas humanas foram encontradas no local, descobriu-se que o cofre era utilizado para matar as vitimas – normalmente suas amantes – asfixiadas e que algumas das mulheres desaparecidas tiveram seus esqueletos vendidos a escolas locais por Holmes.  A repercussão do caso foi imensa, relatos de seus horrores não paravam de chegar e, aumentados pela imprensa, logo manchetes sensacionalistas estavam espalhadas pelo país.

Holmes declarou-se inocente de todas as acusações, inventando histórias cada vez mais mirabolantes para justificar as crianças assassinadas – botando a culpa até mesmo no homem que matara, dizendo que o mesmo estava bem vivo – e afirmando não fazer ideia que suas esposas, amantes e outros que conheceu estavam desaparecidos, dizendo que seus únicos pecados foram a fraude de seguros e a bigamia.  Entretanto, após um tempo enclausurado, jornais ofereceram pagar por sua confissão e, sedento por reconhecimento e dinheiro como era, decidiu confessar seus crimes. Confessou cerca de 27 assassinatos, com detalhes.

No dia 7 de maio de 1896 Holmes foi executado pelo assassinato de seu comparsa. Não se sabe ao certo quantas pessoas ele matou, pois era um exímio mentiroso. Algumas das 27 pessoas que ele confessou ter assassinado revelaram-se ainda vivas, enquanto outras que cruzaram seu caminho e não estavam em sua lista de confissão seguiram desaparecidas.

Foi chamado de “O Mal”, Demônio e Maligno. Sua fama continuou após a morte, especialmente porque diversas pessoas que tiveram contato com Holmes ou participaram de seu julgamento começaram a morrer por circunstâncias, no mínimo, curiosas.

H. Holmes deixou um legado sangrento e impiedoso, marcando para sempre a história dos Estados Unidos e de Chicago com seus atos cruéis e caráter dissimulado. Sua história serviu de inspiração para Ryan Murphy criar o personagem James March, vivido por Evan Peters, para a quinta temporada de American Horror Story.

O serviço de streaming Hulu pretende fazer uma série sobre a vida do assassino, com produção de Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio, que também pretende interpretar o Psicopata da Cidade Branca.

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Louise Minski

Um experimento de Schrödinger entediado.

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