Dark Light (2019)

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Dark Light
Original:Dark Light
Ano:2019•País:EUA
Direção:Padraig Reynolds
Roteiro:Padraig Reynolds
Produção:Shibani Kapur, R.P. Khemanand
Elenco:Jessica Madsen, Opal Littleton, Ed Brody, Kristina Clifford, Ben Sullivan, Gerald Tyler, Weston Meredith

A família Knox está passando por um período conturbado. Durante um momento de instabilidade emocional, Paul (Ed Brody) traiu sua esposa Annie (Jessica Madsen, de Leatherface, 2017), motivando a partida dela com a filha Emily (Opal Littleton) para a casa rural de sua família, em um local remoto, cercado por uma imensa plantação. Desde a primeira noite no refúgio, ela começa a ser incomodada por estranhas luzes, como se fossem lanternas no milharal, sendo desacreditada pela Xerife Dickerson (Kristina Clifford), imaginando que se trata de uma brincadeira de moleques. O problema é que as luzes não se escondem apenas por detrás das fileiras, mas também invadem sua casa, deixam sinais de que estão interessadas em algo lá, talvez na criança.

Lembra bastante Sinais, aquele filme do Shyamalan com Mel Gibson e alienígenas. O cenário (plantação, casa isolada), os inimigos (eles não têm problemas com a água), o problema familiar (não envolve uma perda, mas o fim de um ciclo) e a xerife (acha que se trata de uma brincadeira). Até mesmo há um vizinho com tendências conspiratórias e que ninguém acredita nele. Apesar de toda essa semelhança, o longa de Padraig Reynolds (Rites of Spring, 2018, e Open 24 Hours) tenta respirar por conta própria, primeiramente ao alterar a cronologia narrativa: o longa começa pelo meio, depois retorna para o começo, traz o terceiro ato e a conclusão. Não faz muita diferença, até porque enfraquece a primeira parte, uma vez que o infernauta já entende  para onde tudo aquilo vai. e, por fim, conta com uma facilitação do roteiro para trazer um novo confronto entre a heroína e os inimigos.

É difícil entender porque Annie não utiliza o celular para filmar os acontecimentos no milharal e em sua casa para provar à xerife; também fica difícil aceitar a continuidade dela no local, mesmo depois de testemunhar situações estranhas. E ainda mais questionável o descrédito da policial, tendo acontecido tantas coisas na região, conforme os jornais recolhidos pelo vizinho e que lotaram a parede de sua casa. Isso sem contar o enredo que deixa a entender no começo de que os vilões são assombrações e, de repente, transforma os monstros em criaturas assassinas, que são ágeis para matar quem fica pelo caminho. Por que elas já não mataram Annie logo no começo, sendo que ela nunca aparentou ser uma ameaça?

Como se percebe, apesar dos bons efeitos especiais (nada de extraordinário, mas no limite do aceitável), Dark Light é repleto de falhas. Pode funcionar como entretenimento e trazer cenas de tensão claustrofóbicas, mas não resiste a uma análise mais profunda. Os mais exigentes podem ficar decepcionados com a proposta e sua realização, mesmo que não sintam que o tempo tenha sido amplamente desperdiçado. Se não esperar muito, talvez você se divirta.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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