The Pale Door (2020)

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The Pale Door
Original:The Pale Door
Ano:2020•País:EUA
Direção:Aaron B. Koontz
Roteiro:Cameron Burns, Aaron B. Koontz, Keith Lansdale
Produção:Roman Dent, Aaron B. Koontz, James Norrie,
Elenco:Bill Sage, Melora Walters, Zachary Knighton, Stan Shaw, Noah Segan, James Landry Hébert, Natasha Bassett, Devin Druid, Darryl Cox, Alexandra HarrisTina Parker, Pat Healy, Matt Thomas

Se um dia The Pale Door chegar ao Brasil, não estranhe se o título vier como algo do tipo As Bruxas do Velho Oeste, com alguma review falsa com o destaque: “Uma mistura de Um Drink no Inferno com A Bruxa“. Até mesmo a capa, se ainda estivéssemos na época do boom do DVD, poderia facilmente enganar aqueles que são ludibriados por perspectivas satanistas e boas edições de imagem. Na verdade, trata-se de um filme ruim, uma produção amadora que se camufla de um terror claustrofóbico, envolvendo uma cidade-fantasma dominada por um coven. E os aspectos que determinam essa condição saltam aos olhos já nos primeiros quinze minutos de projeção.

Dois garotos em um quarto, em uma noite tempestuosa, estabelecem um diálogo fraterno. O mais velho, Duncan (Jake Ryan Scott), tenta acalmar os brios de um “assustadoJake (mal interpretado por William Tate), dando-lhe um lenço de proteção, com a promessa de que se trata de uma “mágica de irmão“. Eis que o pai aparece no quarto armado, anunciando a presença de invasores, e pede que os jovens façam o que foi combinado. Eles fogem para um celeiro, e, antes de seres descobertos por um dos bandidos, são salvos pelo amigo da família, Lester (Stan Shaw, que fez o Detetive Sapir em Deu a Louca nos Monstros, 1987), apenas para revelar os corpos sem vida dos pais.

Anos depois, Jake (no papel do mais convincente Devin Druid) está trabalhando em um saloon, com o local recebendo a visita da Gangue de Duncan – sim, o irmão mais velho, agora na pele de Zachary Knighton, virou um fora da lei, com cartazes de “Procura-se” espalhado por todos os lados. Eles então planejam o assalto a um trem, e Jake se voluntaria depois que um dos comparsas do grupo é morto em um duelo. No assalto, encontram um baú onde uma jovem está sendo mantida presa, alegando ter sido sequestrada. A bela Pearl (a fraquinha Natasha Bassett) diz existir uma herança pelo seu resgate em sua cidade, Potemkin, e que também dispõe de médicos que podem ajudar Duncan, ferido à bala por uma mulher que estava no trem e que Jake a deixou viva, antes que seja tarde.

O grupo parte para a tal cidade como única alternativa possível. Chegam ao povoado desértico, onde encontram um bordel repleto de belas mulheres, dispostas a seduzir e matar. Além das bruxas em sua caracterização “moça normal“, a cidade é habitada por dezenas de bruxas queimadas, e que logo irão se revelar para um banho de sangue. Elas querem a carcaça de todos os homens ali presentes, mas possuem um plano para Jake, considerado puro o suficiente para “alimentá-las durante décadas“. Cabe a Lester, Jake, Willye (Pat Healy) e Dodd (Bill Sage) encontrar meios de escapar dessa cidade maldita antes que sejam exterminados como os demais homens da região.

Parece interessante em um primeiro momento de leitura desta review. Porém, além de alguns componentes do elenco realmente comprometerem o resultado com atuações pouco expressivas, ainda há falhas absurdas na produção, entre outros aspectos técnicos. Pode-se notar que o cenário é construído em uma estrutura clichê, assim, como os diálogos, e até mesmo o duelo extremamente teatral. A primeira cidade que aparece é limpa, as roupas dos personagens muito alinhadas, como estivessem prestes a tirar foto ou a ir a um casamento. Eles são uma gangue de bandidos do deserto, mas sem um grão de areia ou manchas pela pele, caracterizando um contexto artificial e distante do que se imagina. Além disso, a fotografia noturna é exageradamente iluminada; e o próprio som dos tiros proferidos no assalto ou no confronto com as bruxas soam como leves estampidos. Muitos dos cenários se repetem, principalmente na mata e entre as duas cidades que aparecem. E, claro, o roteiro é bastante óbvio e repleto de referências indevidas: há altas doses de Um Drink no Inferno e até Aprisionados pelo Medo.

Por outro lado, deve-se enaltecer a produção por conter algumas cenas sangrentas, como a do momento em que Willye come vidros e o seu próprio desfecho. As bruxas queimadas até que promovem alguns momentos divertidos, ainda que você perceba que são sempre as mesmas que aparecem em cena. Aliás, dá até quase para ver a corda que desce uma das bruxas do teto do bordel. E vale também pela tentativa de transformar as bruxas como seres canibais, que mordem como vampiros e rasgam a pele de suas vítimas. Ou seja, poderiam ser vampiras, monstros ou qualquer entidade, uma vez que quase não aparecem realizando rituais e promovendo maldições.

Ainda assim, mesmo com alguns acertos, The Pale Door transborda amadorismo. Dirigido por Aaron B. Koontz (de Imagens do Mal, 2017), o longa poderia ter um desempenho melhor com alguns cuidados técnicos. A intenção de misturar bruxaria e o Velho Oeste até que é boa, mas o resultado está muito distante de valer uma recomendação.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

One thought on “The Pale Door (2020)

  • 04/03/2021 em 18:35
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    Poxa que tristeza, semanas atrás estava eu num furor passageiro pela junção faroeste e horror e vi o poster, uma pena que numa interseção onde ser minimamente decente já seria destaque nem isto entregam.

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