
![]() Deu a Louca nos Monstros
Original:The Monster Squad
Ano:1987•País:EUA Direção:Fred Dekker Roteiro:Shane Black, Fred Dekker Produção:Jonathan A. Zimbert Elenco:Andre Gower, Robby Kiger, Stephen Macht, Duncan Regehr, Tom Noonan, Brent Chalem, Ryan Lambert, Ashley Bank, Michael Faustino, Mary Ellen Trainor, Leonardo Cimino, Jon Gries, Stan Shaw, Jason Hervey |
Fred Dekker é um nome para se lembrar com alegria e pesar e já explico o porquê. Aficcionado pelo horror, Dekker quis trabalhar na indústria do cinema homenageando e revitalizando gêneros clássicos, sua maior paixão. Depois de dirigir um curta para a faculdade chamado Starcruisers no início dos anos 80, escreveu uma história sobre um homem em uma casa mal assombrada. Passou a premissa para o amigo e colega de quarto na faculdade Ethan Wiley, que realizou o roteiro acrescentando as pitadas de comédia. O resultado final se tornou o sucesso A Casa do Espanto nas mãos do diretor Steve Miner.
Com o grande valor arrecadado, Dekker ganhou prestigio o suficiente e credenciais para trabalhar no seu primeiro crédito como cineasta de longas: pensando em tudo o que gostava nos filmes B, escreveu e dirigiu A Noite dos Arrepios, lançado em 1986, um clássico moderno do humor negro que injustamente não foi bem recebido pelo público e gerou pouca receita; no Brasil sequer ganhou uma chance durante o “boom” do VHS onde qualquer porcaria era lançada indiscriminadamente. O desconhecimento permanece até hoje e os fãs da película nos Estados Unidos precisaram fazer dezenas de petições on-line para que fosse lançado em DVD, um desejo atendido apenas recentemente.
Apesar de tudo, Dekker ganhou mais uma chance. Escreveu um roteiro junto com Shane Black (de futura fama pela franquia Máquina Mortífera em seu primeiro crédito como roteirista) em que, segundo suas próprias palavras, “Os Batutinhas encontravam os monstros clássicos da Universal“, seus grandes “heróis” quando criança. De maneira que Dekker entregou o script nas mãos dos executivos da na época magnânima Tri-Star (que também lançou A Noite dos Arrepios anteriormente) e do produtor Peter Hyams (Timecop, Fim dos Dias), que aceitou financiar o projeto.
Estava começando The Monster Squad, ou Deu a Louca nos Monstros como é conhecido no Brasil pela TV e em VHS pela finada Transvídeo. Um verdadeiro clássico da Sessão da Tarde e grande referência para a infância de muitos, não raramente colocado lado a lado com Os Garotos Perdidos e Os Goonies na grande onda de aventuras infantis com terror da década de 80. Só que o destino conspirou novamente contra Fred Dekker, mas veremos isto mais a frente.
O prelúdio se desenrola num tempo passado na Transilvânia, onde o Dr. Abraham Van Helsing (Jack Gwillim, Patton) e um pequeno grupo de guerreiros se amotinam dentro do castelo de Drácula para acabar de uma vez por todas com o maligno vampiro. Van Helsing traz uma garota que lê algumas passagens ritualísticas próximo a um amuleto e pede para ela se apressar, pois o relógio bate a meia-noite e sabemos que coisas ruins acontecem a esta hora. Depois de terminar a leitura, um gigantesco vórtex se abre tragando todos os objetos e pessoas em volta. A garota se vai no buraco negro e o destino do caçador é indefinido.
Cem anos se passam, estamos na época presente (no caso, 1987) e dois garotos que se meteram em encrenca vão ao escritório do diretor da escola em que estudam por andarem fazendo desenhos de criaturas na aula de ciências. São eles Sean Crenshaw (Andre Gower) e Patrick (Robby Kiger).
Sean é um cara legal (você sabe quando uma pessoa é legal se ela usa uma camiseta vermelha escrita “Stephen King Rules“) e o presidente-fundador de um clube de monstros onde seus colegas tais qual Patrick se reúnem todos os dias para debater sobre assuntos bacanas do tipo “maneiras de matar vampiros e lobisomens”. Também fazem parte do clube o gordinho zoado Horace/Fat Kid (Brent Chalem), o nanico Eugene (Michael Faustino) e o “cool boy” Rudy (Ryan Lambert). Indiretamente a irmã de Sean, Phoebe (Ashley Bank) tenta participar das reuniões, contudo, pelas regras estabelecidas, garotas não entram.
Enquanto isso, um avião cargueiro leva algumas encomendas vindas da Transilvânia para os Estados Unidos. O barulho anormal das caixas faz o piloto olhar no compartimento de carga, o que obviamente não é uma boa idéia, pois Drácula (Duncan Regehr, Surf Sangrento) o nocauteia e foge em forma de morcego, não sem antes arremessar um caixão que cai no pântano localizado próximo da cidade dos garotos.
Algum tempo depois, por pura coincidência a mãe de Sean, Emily (Mary Ellen Trainor, da quadrilogia Máquina Mortífera), compra para o filho um livro escrito por um “Van-Helsing-não-sei-do-quê” em uma venda de garagem. O alfarrábio não é nada menos do que o diário em que Abraham Van Helsing escreveu suas memórias cem anos antes. Só tem dois problemas, o livro está inteiro em alemão e um tal de “Alucard” telefona insistentemente para a casa do menino para tomar-lhe o livro.
O grupo que morre de medo do “Scary German Guy” (Leonardo Cimino, Amityville 2), um misterioso alemão que vive recluso numa casa assustadora, mas sem outro conhecedor da lingua extrangeira disponível, eles não veem alternativa se não levar o diário para que ele o traduza. Claro que o “assustador alemão” não é nem um pouco macabro e de boa vontade auxilia os garotos.
A tradução afirma que há um amuleto (adivinha qual?) que possui a capacidade de balancear as forças do bem e do mal que não pode ser destruído normalmente, todavia em uma noite específica a cada século – exatamente na época em questão – ele se torna frágil e pode ser despedaçado. Caso isso aconteça o equilíbrio se rompe e as trevas imperarão sobre a humanidade. A única maneira de evitar a catástrofe é realizar uma cerimônia sob a posse da jóia descrita na publicação que abrirá as portas do limbo sugando todo o mal para dentro dele.
A redação no diário acaba confirmando incidentes estranhos que estão ocorrendo por toda a cidade – a múmia (Michael Reid MacKay) que foi roubada do museu, um homem (Carl Thibault) que pede desesperadamente para ser preso, pois afirma ser o lobisomem – e que deixam o pai de Sean, o detetive Del Crenshaw (Stephen Macht), louco de raiva, aumentando ainda mais seus problemas no casamento.
Mal sabe ele que isto tudo é verdadeiro e uma mobilização dos monstros liderados por Drácula, que acaba de ressuscitar o monstro de Frankenstein (Tom Noonan, Manhunt), que estava na caixa jogada do avião e trazida pela superfície do pântano pelo genérico “monstro da lagoa negra” Gillman (Tom Woodruff Jr que interpretou criaturas em diversos filmes, inclusive Alien 3 e O Homem Sem Sombra). O vampiro manda Frankenstein atrás dos garotos para reaver o diário e eliminar qualquer chance de que seu plano falhe.
Obviamente os adultos são muito tolos para acreditarem que o velho Frank, Gillman, o lobisomem e a múmia estão prestes a destruir o planeta liderados pelo rei dos vampiros. De forma que cabe ao recem-fundado Monster Squad chutar os traseiros (e as bolas) dos monstros, encontrar o talismã e realizar o mesmo ritual que Van Helsing executou há exatos cem anos ou a Terra sucumbirá. O fim do mundo começa à meia-noite.
Curioso que o projeto começou ainda antes das filmagens de A Noite dos Arrepios. Entre o indício mais forte, existe uma cena em A Noite dos Arrepios rodada no banheiro do colégio na qual se pode ler em uma parede “Go Monster Squad!”. Nos meses que se seguiram, já durante a pré-produção, Dekker procurou os executivos da Universal no intuito de pedir as licenças do design de seus monstros para aplicar no filme, porém na época a Universal não conhecia (ou não explorava) o potencial de seus clássicos e recusou a oferta do diretor.
Assim, Dekker precisou arrumar um jeito de “adaptar” os maiores atrativos da película para “driblar” o copyright sem perder a identidade visual com o público, então procurou o mestre Stan Winston (Exterminador do Futuro 3, Pânico no Lago, entre outros) para fazê-lo. O magnífico esforço de Winston e seu estúdio que aceitou o desafio é certamente uma coisa para ser lembrada com orgulho. Todos merecedores de menção, mas sua visão única para Gillman e o Lobisomem são memoráveis, para mim os destaques absolutos.
As filmagens foram desgastantes para todos, porém cabe um reconhecimento a Tom Woodruff Jr., o ator que “interpreta” Gillman. A roupa desenvolvida pela equipe de Stan Winston (Tom também era da equipe de efeitos) era, digamos, “hermeticamente fechada“. Ou seja, durante cada dia de 13 horas de gravação Tom ficava selado dentro da fantasia de Gillman sem poder comer e sem beber nada, pois não havia maneira de ir ao banheiro facilmente. Como um agravante, sem ter como enxergar direito por causa da pesada máscara a cena em que Gillman luta com os patrulheiros foi ensaiada e repetida a exaustão, no total de aproximadamente quinze takes. Ao final dela, tanto Tom quanto alguns dublês ficaram com hematomas de tantos sopapos que trocaram.
Os efeitos especiais e visuais são igualmente incríveis, o vórtex possui aquele aspecto nostálgico que só vemos nos anos 80, a transformação do Lobisomem e toda a ventania no clímax batem com força nos efeitos computadorizados aplicados a exaustão hoje em dia.
Não é só nos efeitos que residem a nostalgia, o roteiro também explora bem isto, mesclando esta história de aventura e amizade com momentos de genuíno medo que garante uma excelente diversão tanto para quem já é grandinho e acompanhou a produção numa das inúmeras matinês da Sessão da Tarde quanto aos que estão começando no horror, equivalente a uma verdadeira visita ao trem fantasma para todas as idades. Resumindo, se o seu priminho que fica adimirando sua coleção de DVD’s mas não aguenta ver nem a caixinha de O Massacre da Serra Elétrica, coloque Deu a Louca nos Monstros pra ele e assista junto também, são risadas e sustos na medida certa.
“Wolfman’s Got Nards!“… A frase histórica dita por Horace após Sean gritar para o gordinho chutar os bagos do Lobisomem ecoou nos meus ouvidos por muito tempo e certamente serve para recordar os bons momentos que a produção proporciona.
Particularmente, uma das minhas cenas favoritas (e que também é uma das favoritas pessoais do diretor) é quando Leonardo Cimino explica para as crianças que se ele fosse um vampiro seu reflexo não apareceria no espelho. Horace diz que ele deve conhecer muito sobre monstros e “Scary German Guy” concordando ao fechar a porta revela uma tatuagem numérica recebida em um campo de concentração na Segunda Guerra Mundial, criando toque de humanidade indescritível no personagem em pouquíssimas palavras.
O bem escolhido elenco adulto interage com os atores mirins de igual pra igual; é uma raridade nos tempos atuais vermos uma trupe de crianças tão bem entrosadas realizando uma produção descompromissada como é Deu a Louca nos Monstros.
Curiosamente para aumentar a realidade da história, o ator Tom Noonan nunca aparecia na frente dos garotos descaracterizado de seu personagem, o monstro de Frankenstein. Isso provocava reações na molecada que queria tirar o ator do sério (e do personagem) durante os intervalos de gravações. Duncan Regehr, no papel que estava previsto originalmente para Lian Neeson, também evitava aparecer sem a roupa de Drácula e assim gerar um certo “medo autêntico” no esquadrão monstro. Uma pena que nenhum dos atores se tornou famoso após o lançamento e, numa perda irreparável, o gordinho Brent Chalem faleceu jovem em 1997, em Las Vegas, vitimado por uma pneumonia.
Pois bem, não adianta realizar um filme bom com um orçamento razoável se ninguém for assistir. Novamente amaldiçoado pela mesma injustiça que envolveu A Noite dos Arrepios, a bilheteria de Deu a Louca nos Monstros naufragou em bilheteria. Os motivos determinantes foram dois.
Primeiro, o roteiro gerou uma pequena polêmica por causa do uso de palavrões proferidos da boca das crianças bem como o uso de armas e do fumo por uma delas, mais especificamente do personagem interpretado por Ryan Lambert na época com 15 anos de idade. De acordo com Dekker, acusar a produção de incitar o uso do tabaco ou de malcriações contra adultos é pura hipocrisia, “eu quando era criança falava palavrões involuntariamente“.
Todavia o principal problema foi o marketing, pois no dilema de saber qual público alvo atacar – se os fãs do gênero que poderiam achar que era um filme de crianças ou as famílias que procuravam uma película de aventura, mas que seria muito forte por conter monstros – os trailers tentaram vender a película para ambos, comparando-o porcamente com Os Caça-Fantasmas e a tática se mostrou desastrosa. O novo fracasso financeiro afundou a carreira de Fred Dekker, que saiu alguns anos de circulação e depois dirigiu, eh… Robocop 3 em 1993… que, bem… Acabou com Dekker de uma vez.
Só que o tempo se encarrega de desfazer certas injustiças. A afeição com a película começou a crescer nos Estados Unidos com o VHS e as repetidas exibições na televisão, com o advento da Internet e a popularização das convenções de horror o culto só se fez crescer. Isto surpreendeu até o diretor e os atores que navegando pela rede encontraram uma massiva quantidade de fan-sites e pessoas interessadas de todas as partes.
A mobilização popular gerou apresentações especiais lotadas nos cinemas, sessões de perguntas e respostas, culminando na realização de uma edição dupla de 20 anos em DVD, lançada pela Lionsgate, que apresenta a película pela primeira vez em widescreen fora da tela grande. A edição especial também está disponível em Blu-Ray.
Uma das atrações do DVD diz respeito às cenas excluídas. Apesar de que muito se afirmava que houve um total de 13 minutos de cortes por imposição da distribuidora, Dekker esclareceu que pouco foi cortado da versão final, a maioria das sequências mostrando um pouco mais dos problemas matrimoniais dos pais de Sean Crenshaw (que não fez falta nenhuma) e uma pequena piada durante a morte de Gillman em que ele vomitaria alguns peixes, mas após algumas tomadas a cena não funcionou e foi abandonada.
Com a recente alta de popularidade, Rob Cohen (um dos produtores do original e diretor de Triplo X e Velozes e Furiosos) anunciou que está planejando um remake de The Monster Squad a ser produzido pela… aff… Platinum Dunes de Michael Bay. Os irmãos de James Gunn (diretor de Seres Rastejantes), Brian Gunn e Mark Gunn (que também estão escrevendo a continuação de Jornada ao Centro da Terra) foram contratados para roteirizar a película para um pretenso lançamento futuramente. Se vai ter a mesma paixão que Fred Dekker teve quando filmou o filme de 1987 é de se duvidar e por isso, enquanto não sai em DVD no Brasil (alô distribuidoras!), cave pelo VHS e desfrute cada delicioso momento de Deu a Louca nos Monstros.









Muito bom filme… Bateu uma saudade enorme agora da minha infância..
Quem diria que o INVENTOR do argumento de “Stranger Things” a atual febre oitentista dos anos de 2017/2019 seria *esse tal* de FRED DEKKER…
Outra coisa importante de se dizer é como esse filme dentro da proposta é muito bom, inclusive é curioso e pertubador que o filme reuna os cinco monstros classicos da Universal de uma maneira muita melhor do que a propria Universal fez nas ultimas tentativas.
Esse filme maravilhoso, vamos defendê-lo pra sempre. kkkkkkkkkkkkkkk
Meus amigos, esse classudo filme da sempre saudosa década de 80, fez tanto audiência na Rede Globo em Tela Quente, se não me engano, quando passou de forma, é claro, inédita, em 1991, que a emissora passou a exaustão dos longo dos 90, na época, ótima, Sessão da tarde!! Oh, tempos excelentes fora as décadas de 80 & 90, pessoal!! Obrigado pelo texto, Gabriel!! Graças a você e seu texto, a frase “Recordar é Viver” tem mais sentido para mim na minha vida!! Até mais, pessoal!! [^J^]
Lembro de desse filme demais.
Esse sim é mais um exemplo do quanto criativos e divertidos eram os Anos 80!!!!!
“DEU A LOUCA NOS MONSTROS” nem pode – nem deve! – ser classificado com Filme de Terror, mas, sim, como Aventura Infantil – ou Family Movie.
Não há nada de grotesco ou assustador no filme – pelo contrário – é tudo muito divertido!!!!!!!!!!!
Minha sequência favorita é a final, onde os garotos enfrentam Drácula, suas noivas, o Lobisomem, o Gillman e a Múmia.
Um filme perfeito, divertido e clássico, perfeito para toda a família!!!!!!!!!!!!!!
ALTAMENTE RECOMENDÁVEL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
pior que esse dvd já saiu pela cocôtinental , que é uma pena e lamentável…