The Rain – 3ª Temporada (2020)

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The Rain - 3ª Temporada
Original:The Rain - Season 3
Ano:2020•País:Dinamarca, EUA
Direção:Kasper Gaardsøe, Kaspar Munk
Roteiro:Jannik Tai Mosholt, Christian Potalivo, Esben Toft Jacobsen, Lasse Kyed Rasmussen, Julie Budtz Sørensen, Christoffer Barfred Krustrup
Produção:Christian Potalivo
Elenco:Alba August, Lucas Lynggaard Tønnesen, Mikkel Boe Følsgaard, Lukas Løkken, Sonny Lindberg, Johannes Kuhnke, Natalie Madueño, Clara Rosager, Evin Ahmad, Rex Leonard, Cecilia Loffredo, Annemette Andersen, Henrik Birch

Quando se imaginava que The Rain seria mais um produto sem conclusão da Netflix, como as séries The Returned, O Nevoeiro e Zoo (e que deveriam ser retiradas do catálogo em uma demonstração de respeito com o espectador), eis que The Rain teve finalmente sua conclusão apresentada, em seis episódios lançados em 6 de agosto de 2020. E, por mais incrível que pareça, é uma temporada muito melhor que a péssima anterior, além de ter sido beneficiada por – pasmem! – a pandemia do coronavírus. Enquanto muitos produtos tiveram suas estreias adiadas e até perderam o timing do lançamento (A Casa de Papel e Stranger Things, por exemplo), esta série dinamarquesa foi lançada na data prevista e tem um conteúdo que faz muito sentido pela situação atual. É possível estabelecer um diálogo entre a criação de Jannik Tai Mosholt, Christian Potalivo e Esben Toft Jacobsen com vacinações, imunidade de rebanho e distanciamento social – alguns destes já explorados nas temporadas anteriores.

A terceira temporada começa exatamente onde a anterior terminou com Rasmus (Lucas Lynggaard Tønnesen) se isolando dos demais, consciente de sua condição ameaçadora, enquanto sua irmã Simone (Alba August) e a cientista Fie (Natalie Madueño) estão curiosos para saber o que há por detrás dos muros que mantêm a quarentena. Apenas Simone chega ao outro lado, mas se decepciona ao ver que a doença também se espalhou por lá, e é levada para dentro das instalações da Apollon. Seus demais amigos, o namorado Martin (Mikkel Boe Følsgaard), muito bem recuperado do ferimento à bala, Patrick (Lukas Løkken), Jean (Sonny Lindberg) e a soldado Kira (Evin Ahmad) planejam uma ação de resgate no local. Durante o confronto, Simone foge e se joga de uma ponte; enquanto Rasmus reencontra seu affair, dada como morta, Sarah (Clara Rosager).

É claro que Simone não morreu. Ela foi salva por dois irmãos que vivem além dos muros, Daniel (Rex Leonard) e Luna (Cecilia Loffredo), com os pais. Acreditando que a garota não resistiu à queda, ainda mais devido a um defeito em seu localizador, Rasmus aproveita o bom momento com Sarah e descobre que o vírus a curou, não apenas de sua condição autoimune como de uma possível ameaça do rapaz. Assim, ele é convencido pelo criador da chuva, Sten (Johannes Kuhnke), que faz o estilo vilão Star Trek, a transferir seu vírus para os humanos, acreditando que se todos tiverem contato com ele não correrão mais risco de morte (a tal imunidade de rebanho, que há quem acredite). Pessoas com doenças terminais são expostas ao contágio, mas nenhuma resiste como Sarah, faltando uma peça desse quebra-cabeça para que entendam a razão disso. Depois que descobrem o que precisa ser feito, com a ajuda de Fie, Rasmus passa a transferir seu vírus para outras pessoas, pensando em fazer o mesmo com Martin e a própria cientista, grávida de Patrick.

Do outro lado do muro, Simone descobre o que pode ser o pontapé de uma cura para o vírus: o sulco de uma estranha flor. Imaginando que ela possa ajudar Rasmus, Simone pensa em retornar para Apollon, mas primeiro terá que apoiar a família no embate contra uma gangue em um edifício próximo, composta em sua maioria por crianças – um subtexto que funciona bem e traz uma boa dinâmica de exploração e aventura, unindo os amigos, à exceção dos que estão isolados, em um confronto, enquanto o principal da temporada, com o grupo dos infectados por Rasmus, ainda está por vir.

Em seus seis episódios, sem nada que possa ser considerado épico, The Rain até cria situações interessantes, como a fraqueza que acomete Rasmus por ceder seu poder viral para “pessoas sem imunidade” – é claro que a primeira pergunta que você pode fazer é por que Sarah também não fez o processo, deixando apenas para o rapaz essa responsabilidade. Outra coisa curiosa também sobre Sarah é a sua alternância de comportamento nas duas temporadas. Na segunda, a personagem era uma jovem doente e apaixonada; na terceira, ela começou intragável, pedindo inclusive para Rasmus deixar a irmã para lá, e depois passa a ficar do lado dela, no enfrentamento contra o próprio.

The Rain se encerra como começou. Extremamente irregular pelas falhas e ausência de clímax – o destino de Sten poderia trazer algo melhor como a transformação em um ser absoluto -, a série apocalíptica desperdiça personagens como Jean (Sonny Lindberg), completamente deslocado na temporada e com cenas desnecessárias como a conversa que ele tem com Luna no carro quase soando de maneira pedófila, e traz um pouco de emoção rasa com o triângulo que se forma com Simone, Martin e Daniel. Realmente melhorou em comparação ao que se foi visto na péssima segunda temporada, porém passa distante de uma recomendação, principalmente para os que imaginavam os perigos que a chuva poderia trazer.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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