Green River Killer: A Longa Caçada a um Psicopata (2021)

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Green River Killer: A Longa Caçada a um Psicopata
Original:Green River Killer: A True Detective Story
Ano:2021•País:EUA
Páginas:248• Autor:Jeff Jensen, Jonathan Case•Editora: DarkSide Books

Nascido em Salt Lake City e considerado um dos maiores assassinos em série da história dos Estados Unidos, Gary Ridgway cometeu seu primeiro crime aos 16 anos ao esfaquear um menino de apenas seis anos. O garoto sobreviveu, mas as próximas vítimas de Gary não teriam a mesma sorte.

Apesar de casado aos 20 anos e membro das forças armadas, mantinha relações sexuais frequentes com prostitutas durante o tempo que serviu no Vietnã, hábito que continuou após voltar aos Estados Unidos e ter se casado pela segunda vez. Suas ex esposas e ex namoradas afirmam que Ridgway era viciado em sexo, exigindo ter relações em áreas públicas ou florestas, além de possuir histórico de violência, que logo mais se tornou uma sede insaciável de sangue. Suas vítimas são todas mulheres em situações vulneráveis ou prostitutas, e o assassino alega ter matado mais de 70 pessoas entre as décadas de 80 e 90, entretanto, “apenas” 48 foram confirmadas pelas forças policiais.

Ridgway levou muito tempo até enfim ser encontrado e preso, mobilizando uma enorme força tarefa, entre eles o serial killer Ted Bundy, que ofereceu opiniões sobre as motivações e comportamento do assassino, e John E. Douglas, um dos pioneiros no desenvolvimento da análise comportamental a fim de traçar o perfil de um criminoso. Ao ser preso, concordou em fazer a confissão após um acordo com a promotoria que o livraria da pena de morte, onde o assassino levou os promotores aos restos mortais de várias de suas vítimas, além de contar detalhes sobre o modo como as matou.  Com esse número de mortes confirmadas, o assassino de Green River é o segundo serial killer que mais matou nos Estados Unidos, ficando atrás apenas de Samuel Little – responsável por, pelo menos, 53 mortes segundo confirmações do FBI.

Como é de praxe, a imprensa coloca apelidos nos autores de diversos assassinatos – isso quando os próprios não o fazem – baseados em alguma característica marcante de seus crimes. No caso de Ridgway, suas cinco primeiras vítimas foram encontradas no rio que passa pelo Condado de King, Washington:  O Green River.

Mesmo com um extenso histórico de mortes, o foco da graphic novel não é Gary Ridgway ou os detalhes sórdidos de seus assassinatos, e sim, como o nome sugere, em sua caçada. Jeff Jensen, roteirista da obra, é filho de Tom Jensen, investigador que participou ativamente do caso, sendo o responsável por conduzir a penosa busca pelo assassino de Green River.

Jeff decide contar a história real da investigação sob o ponto de vista de seu pai, sem romantizações ou exageros, revivendo suas memórias e também como forma de homenageá-lo.

Tom era um escrivão da Marinha que se juntou à polícia para trabalhar na divisão de roubos e furtos, sendo um dos policiais designados a auxiliar na divisão de homicídios. Sobrecarregados com os crimes e com investigações que se mostraram infrutíferas, cada vez mais a frustração tomava conta do departamento e, é claro, de Tom. Mesmo com reforços tanto humanos quanto tecnológicos, o tempo passava e as buscas não avançavam. O peso de trabalhar em um caso grande e importante como esse começa a ficar cada vez mais evidente, com nada de concreto sendo descoberto. O autor também deixa claro a carga emocional que recaía sobre o policial ao conversar com familiares das vítimas ou de pessoas desaparecidas. Para evitar pensar e conversar sobre detalhes do caso com sua família, Tom muitas vezes se ocupava reformando sua residência, mesmo sem necessidade.

Após quase duas décadas e com a evolução de técnicas forenses, em 2001 a polícia conseguiu ter as provas necessárias para identificar e prender o assassino. Apesar de já aposentado na época, Tom Jensen fez questão de continuar trabalhando no caso como consultor até o seu desfecho. Fica claro que, diferente de outros assassinos em série, Ridgway não era nenhum gênio do crime e contou puramente com a sorte, fatores externos como o local dos assassinatos e com a limitação dos métodos utilizados para não ser identificado por tanto tempo.

A história da graphic novel Green River Killer não segue uma narrativa linear, alternando entre as investigações frustradas nos anos 80 – época dos primeiros crimes – com o ano de 2003, com Ridgway já preso e ajudando na busca dos corpos de suas vítimas após o acordo com a promotoria.

Jeff Jensen trabalha muito bem a insatisfação, cansaço e desgosto que seu pai sentia ao ver os anos se passando, novas vítimas aparecendo, e nada de concreto sendo descoberto.  Provavelmente por ter presenciado tais momentos, retrata-os de uma forma bem humana, sem tentar passar a impressão que seu pai era incansável ou imbatível.

O trabalho do artista Jonathan Case é bastante competente, utilizando traços bem limpos e arte em preto em branco, sendo possível identificar sem maiores dificuldades os personagens envelhecidos. Essa sutileza foi necessária para, aliada ao roteiro de Jeff, deixar ainda mais evidente a exaustão de Tom. Porém, alguns detalhes se perdem pela ausência de cores, dando um ar um tanto sombrio ao ambiente e, em contrapartida, diminuindo o impacto que algumas imagens poderiam causar.

Como já citado, essa graphic novel não aborda detalhes dos crimes ou conta a história de Gary Ridgway, o que pode causar um leve desapontamento entre os entusiastas de True Crime que esperavam entrar na mente do assassino e entender suas motivações, mas de modo algum é uma decepção. O processo da caçada e a demorada descoberta do autor dos crimes são bem eficazes em prender a atenção.

O epílogo de Green River Killer: A Longa Caçada a um Psicopata sintetiza bem qual foi o objetivo da obra: celebrar um homem que trabalhou de forma incessante num dos casos mais violentos e cruéis que os Estados Unidos já presenciou, e mesmo com todo o peso emocional e psicológico que esse trabalho teve sobre ele, jamais desistiu até que ele fosse resolvido.

Texto escrito em parceria com Davy Henriques.

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Louise Minski

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