Realm of the Damned (2016)

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Realm of the Damned
Original:Realm of the Damned
Ano:2016•País:EUA
Páginas:144• Autor:Alec Worley, Pye Parr•Editora: Werewolf Press

Adentrando em uma comicshop ou passando por uma banca de revistas (ah nostalgia!) você se depara com uma capa dessas… Não bate mais forte seu coração gore? Não para menos, com traços de Pye Parr contornando a matança em seu próprio traço com sua paleta de cores estratégicas sob tons de amarelo-purulentos, verde apático e o vivo do sangue espirrando em rajadas de pontilhadas tal qual um spray a profanar uma parede alva e imaculada. Alec Worley parece ter se criado em meio aos brutamontes dogmáticos dos anos 80, crédulos que a violência extrema pode servir para o expurgo do mal sobre a face da terra, ao menos em seus “heróis” isso parece ecoar na obra, e todo o seu grafismo é embalado em luva para o livro em um encadernamento texturizado com uma certa aderência tátil que empolga, mas honestamente poderia abraçar menos clichês.

Tomas e a sua banda “Sons of Balaur” arrastam Kristoffer à socos e pontapés naquilo que ele achava ser a Igreja que todos iriam queimar como parte de seus ataques blasfemos – com direito corpse paint e cara de poucos amigos – parte do charme de fazer marketing para seu black metal soar ainda mais visceral. Ledo engano, e mesmo as súplicas de piedade é deixado com as pernas quebradas dentro do incêndio que logo consumirá as estruturas de madeira no frio da mãe Noruega. Claro que as intenções não era um simples assassinato e antes de abandonarem Kristoffer, Tomas, Lars e Markus prendem um estranho artefato à sua mandíbula. E já do lado de fora a invocação continua até que desta uma criatura surge dos escombros de carnes a qual Kristoffer fora reduzido: Balaur seu nome, e Dragon sua alcunha.

Isso, meu caro, pode parecer spoilers mas é apenas uma ínfima parte da narrativa que se segue e que se apossa de algumas criaturas bastante conhecidas do público do gênero de horror. Ainda que esses empréstimos sejam licenças poéticas, outras vezes re-interpretações elas seguem uma linha original dentro do universo de forças desproporcionais.

Alberniz Van Helsing é o fio condutor que o une o destino da humanidade entre as atrocidades na qual Balaur empreende contra sua irmã Athena Petrova ou melhor Comandante Petrova. Um caçador de vampiros – surpresa! – com um estilo brutamontes-temente-a-deus em sua eterna cruzada contra as formas das trevas abraçando tudo que pode que lhes ajude e agarrando-se nas beiradas do abismo mental e literal daquilo que ele combate.

Os traços e as cores de Pye são definitivamente a alma da obra, já que ele mantém o design de personagens com características bem marcantes a fim de funcionar até mesmo como marcadores de arcos dentro da história – infelizmente não tão balanceada no pacing com alguns personagens tendo maior e não justificável destaque do que outros – deixando um certo gosto amargo de desperdício de potencial de todo o talento investido na criação deles. O universo onde se figura da narrativa é sujo, cruel e entorpecido pelos guturais, growls e gritos do fino black metal; Uma panaceia gore e uma ode ao estilo extremo sem sombra de dúvidas. Vale destacar a “cor-tema” que cada personagem possui, e os olhos vivos de todas as criaturas que parecem querer saltar a cada página.

Embora eu tenha dito que o timing não está balanceado, ele segue intenso a todo instante; talvez a herança que Alec tenha trago de suas experiência nas publicações britânica de 2000AD e é ainda eficaz sem incorrer em diálogos patéticos, mas não fugindo tanto do óbvio por vezes – tal qual uma novelização presumível, um enlatado honesto. E por essa razão não há desperdício na comic, e essa diversão descompromissada funcionou perfeitamente na fórmula que o roteiro propõe, muito melhor que a pompa de uma intelectualidade desonesta.

Este é a primeira obra lançada pela Werewolf Press, uma editora independente do Reino Unido fundada por Steve Beatty que também cuida de uma distribuidora de música chamada Plastic Head Music (inclusive com seu próprio selo Plastic Head Records). A obra rendeu inclusive uma animação produzida em 2017 com a participação de nomes conhecidos do metal extremo como Dani Filth (Cradle of Filth) fazendo a voz de Balaur, David Vincent (Morbid Angel) como voz de Van Helsing e Jill Janus (Huntress) como Athena.

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Ed "Toy" Facundo

Cearense nascido e criado na capital, apaixonado pela ideia de dar vidas aos seus brinquedos ou resolver intrigantes configurações do lamento - talvez esteja em um copo de cerveja - e vocalista da banda de death/thrash metal Human Heritage. Veio à Newcastle (Upon Tyne) em busca daquilo que traumatizou Constantine e sobrando tempo para exercer sua profissão de desenvolvedor de jogos.

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