Cult Following (2021)

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Cult Following
Original:Cult Following
Ano:2021•País:EUA
Direção:Matt Hartley
Roteiro:Matt Hartley
Produção:Matt Hartley
Elenco:Garrett Marchbank e Clem Darling

Não faz muito tempo éramos bombardeados por produções de qualidade um tanto duvidosa que exploravam repetidamente a então in voga estética found footage. Ainda que não tenha sido o primeiro (esta posição ocupa o amado-odiado Holocausto Canibal, de 1980), foi graças ao sucesso gigantesco de A Bruxa de Blair (1999) que os filmes com as temáticas realistas das tais “fitas encontradas” se popularizaram, originando algumas obras de maior respeito como Atividade Paranormal (2007), REC (2007) e Cloverfield (2008). Mas no geral eram produtos sofríveis que buscavam apenas multiplicar o pouco investimento em cifras milionárias – e, diga-se de passagem, mais incomodavam por suas filmagens trêmulas com pouca iluminação do que agradavam aos espectadores. Grande parte do público rapidamente passou a repudiar este “novo” subgênero e para alegria de alguns, lançamentos do tipo foram se tornando cada vez mais raros.

Entretanto, ocasionalmente algum produtor desconhecido e semi-independente ressuscita o conceito e se arrisca outra vez. Este é o caso de Matt Hartley, que escreveu, dirigiu e produziu o mockumentary Cult Following, lançado em 2021. Para os desavisados, um mockumentary é uma variante do found footage; em síntese um documentário fictício com situações e imagens falsas que muitas vezes se utiliza das incômodas câmeras tremidas para aumentar o realismo. E Harley acrescenta um tempero a mais na fórmula: uma controversa dose de humor.

A trama é simples: depois de quinze anos de investigações, Rob Regis, um renomado autor e especialista em seitas, encontra indícios da existência de um lendário culto secreto chamado Discípulos de Abaddon. Rob então contrata o recém-formado cineasta Tyler Sternberg para documentar a perigosa jornada em busca da comprovação do culto milenar, considerado por todos, até então, somente um mito. Ao seguir algumas pistas, a dupla se vê envolvida em uma intriga na qual é ameaçada não apenas pelos seguidores do culto, mas também pelo próprio demônio Abaddon.

Mesmo respeitando as supostas limitações decorrentes do orçamento reduzido, Cult Following se revela desinteressante por diferentes equívocos. Um deles é o rumo que o enredo toma – negligenciando todas as possibilidades do plot inicial. Já o humor, que nem sempre funciona, colabora para que as poucas tentativas de criar algum suspense sejam falhas. Certas opções na fotografia são igualmente questionáveis, como a escolha de ambientes abertos e bem iluminados – afinal um filme sobre uma seita ancestral que cultua um deus lovecraftiano mereceria ser no mínimo, assustador.

E reforço aqui que produções de baixo orçamento são sempre bem vindas, pois inúmeras vezes encantam pela criatividade que compensa a ausência de recursos. Além de não serem refreadas por produtores mais interessados no retorno financeiro do que na qualidade da obra em si.

Mas, lamentavelmente, o roteiro de Matt Hartley peca por uma espécie de apatia generalizada e praticamente não se desenvolve. Para o espectador, resta uma sensação desagradável de trapaça, uma vez que nada acontece – até mesmo o plot twist final se mostra bem previsível para os mais calejados. Talvez o único ponto positivo, se forçarmos, seja a representação cômica do personagem Rob Regis, uma espécie de Indiana Jones canastrão vivido por Garrett Marchbank. Já o jovem cineasta é interpretado pelo também desconhecido Clem Darling. A performance de ambos é afetada e pouco natural. É possível que esta artificialidade seja em partes proposital, uma vez que é nela que o humor é amparado em alguns momentos, principalmente nos comentários sinceros e politicamente incorretos do personagem vivido por Garret.

Um fato bizarro e que causa certa estranheza é a preferência do realizador pelo estilo oitentista no visual da abertura: são linhas de neon computadorizadas ao som de uma trilha sonora inspirada em John Carpenter – uma combinação nada coerente com a proposta realista de Cult Following, cuja ação (ou falta dela) ocorre no tempo presente e não nos anos 80.

Enfim, ainda inédito por estas bandas, Cult Following é uma produção tediosa (apesar de sua curta duração, cerca de 87 minutos) e pouco criativa, que fracassa na tentativa de renovar (acrescentando uma pequena e inesperada dose de humor) a fórmula do subgênero found footage.

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João Pires Neto

Apenas mais um rapaz latino americano vindo do interior. Ateu não praticante, vegetariano, viciado em Literatura, Rock and Roll e Cinema. Antifascista, antiespecista, feminista e pai de uma menina linda, de 3 cachorros e 1 gata preta. Formado em Letras e Literatura. Colaborador desde 2005.

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