Visitors – Nas Profundezas do Medo (2003)

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Visitors - Nas Profundezas do Medo
Original:Visitors
Ano:2003•País:Austrália
Direção:Richard Franklin
Roteiro:Everett De Roche
Produção:Richard Franklin, Jennifer Hadden
Elenco:Radha Mitchell, Susannah York, Ray Barrett, Dominic Purcell, Tottie Goldsmith, Che Timmins, Christopher KirbyJan Friedl, Michelle McClatchy

Um ano antes do público embarcar (sem trocadilho) no horror absoluto de Mar Aberto (Open Water, 2004), uma outra experiência marítima mostrou o quanto o mar pode trazer insegurança em um pesadelo de múltiplas possibilidades. Assim, o roteirista Everett De Roche se uniu novamente com o diretor Richard Franklin (Psicose 2) – com quem havia trabalhado em Patrick, 1978 -, e desenvolveu uma história bastante curiosa e assustadora, mas, cujo resultado poderia ter sido um pouco melhor se houvesse mais ousadia. A essa trama deu o título de Visitors, 2003, produção australiana estrelada por Radha Mitchell (Por um Fio e Eclipse Mortal), no papel de uma velejadora em busca de um recorde mundial, Dominic Purcell (o Drácula em Blade 3) e principalmente pela veterana Susannah York.

Georgia Perry (Radha) pretende entrar para o Guinnes Book através de uma incrível façanha: dar a volta ao mundo em um barco à vela. Uma longa viagem com duração de aproximadamente seis meses, tendo que obedecer algumas regras básicas. Primeiro, durante o percurso, ela não pode “ver” nenhum ser humano – seu contato só pode ser através de rádio, para informações sobre ventanias, barcos próximos, localização, e conversas com familiares. Segundo, em nenhum momento ela pode ligar o motor do barco, ou seja, Georgia deve perseguir ventanias para que seu veículo se movimente.

Para facilitar sua agonia, a jovem leva escondido um gato de estimação, um recurso que permite ao espectador “ouvir” os pensamentos da protagonista como um alterego que daria orgulho a Edgar Allan Poe. Aliás, é esse mesmo felino que alerta Georgia do principal perigo que ronda a embarcação: ela mesma, em sua necessidade de aceitação e luta pelos objetivos.

Apesar do aviso de seu companheiro de viagem, durante 5 dias de calmaria, Georgia “permite” a entrada de visitantes no barco, alguns amigáveis e outros extremamente perigosos. Certa noite, ela ouve barulhos em seu teto de vidro e vê um estranho andando por ele. Esse é o ponto inicial do pesadelo da moça, que aumenta gradativamente com as chegadas de outros visitantes que passam realmente a incomodá-la, afetando de forma grave sua sanidade. Em um dos momentos mais assustadores, Georgia vê o fantasma de sua falecida mãe (Susannah York), que teria se suicidado há alguns anos, depois de várias tentativas. Com o aspecto de uma morta-viva, com os pulsos sangrando, a mãe avisa a protagonista que ela não conseguirá sair viva da viagem, culpando-a pelo seu cruel ato. Assim, a morte está sempre presente no barco de Georgia, ora metaforicamente simbolizada pela presença de um corvo que aparece preso nas cordas da embarcação, ora pelos fantasmas que a cada noite surgem para visitá-la. Quando ela tenta salvar a ave das cordas e da fúria do mar, Georgia cai na água e observa, assustada, seu veleiro afastando-se lentamente, num momento tenso que lembra bastante a referência inicial desta análise, Mar Aberto.

Abalada pelas estranhas visitas, a protagonista recebe a informação pelo rádio da presença de piratas na região, o que irá representar um medo maior e uma dúvida quanto à veracidade dos fatos que ocorrerão em seguida: os tais piratas irão aparecer para atrapalhar os objetivos de Georgia, culminando numa atitude drástica que poderá trazer consequências graves para ela.

Se já não bastassem os problemas “sobrenaturais”, Georgia ainda terá que enfrentar a possível inveja de seu namorado, que no passado também tentara realizar a mesma proeza mas não obtivera sucesso, e principalmente a si mesma e sua consciência pesada sobre acontecimentos do seu passado – mostrados em flashbacks, contando desde um acidente com o pai quando ela era criança, até a ideia da louca viagem e a falta de apoio de seus familiares.

Apesar da direção correta do australiano Richard Franklin, um grande admirador do mestre Alfred Hitchcock, principalmente tendo a ideia dessa produção baseada no filme Lifeboat (1944), Visitors deixa a desejar na trilha incidental, no excesso de flashbacks – recurso que em exagero torna o longa uma bagunça temporal –, na edição que repete as imagens do barco envolto em nevoeiro e, principalmente, na falta de ousadia, optando em dar um final feliz e romântico para a trama.

Com lançamento direto para o mercado de vídeo – e hoje possivelmente item raro de colecionador -, Visitors é um curioso passatempo, funcionando como um terror psicológico para o público não muito exigente.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

One thought on “Visitors – Nas Profundezas do Medo (2003)

  • 04/07/2022 em 16:33
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    Eu vi esse filme a muitos anos
    li a Critica para tentar me lembrar um pouco
    acho que tenho em dvd em algum lugar
    vou procurar e rever.
    obrigado pela critica

    Resposta

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