Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022)

4.5
(11)

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura
Original:Doctor Strange In the Multiverse of Madness
Ano:2022•País:EUA
Direção:Sam Raimi
Roteiro:Michael Waldron
Produção:Kevin Feige
Elenco:Benedict Cumberbatch, Elizabeth Olsen, Rachel McAdams, Xochiti Gomez, Benedict Wong, Bruce Campbell, Chiwetel Ejiofor, Michael Stuhlbarg

A primeira aparição do Doutor Estranho no mundo dos quadrinhos data de 1963, na revista de terror Marvel Strange Tales #110. Suas histórias envolviam temas de misticismo, magia e entidades sobrenaturais. A decisão de colocar Stephen Strange nas telas pegou alguns fãs de surpresa, já que o herói não era assim tão conhecido e poderia ser um fracasso de bilheteria, assim como o telefilme produzido pela MCA em 1978. Felizmente, o filme Doutor Estranho foi um sucesso, com Benedict Cumberbatch dando vida ao Mago Supremo, que acabou virando um dos heróis mais populares e queridos dos Vingadores. Após mais de cinco anos de espera, enfim Doutor Estranho: No Multiverso da Loucura chegou às telas, com a promessa de ser “o primeiro filme da Marvel Studios/Disney categorizado como terror”. Sendo um filme que trata de um livro diabólico que corrompe seu usuário e possui feitiços para os mais diversos horrores, Sam Raimi é a pessoa certa para assumir a direção.

O filme já começa com Stephen Strange e uma garota desconhecida fugindo freneticamente de um demônio em uma dimensão paralela. O doutor é morto pelo monstro, enquanto a garota é sugada por um portal. Tudo aparentemente não passou de um sonho de Strange, que se prepara para ir a um casamento.

Durante o evento, um demônio real ataca a cidade, e Strange percebe que a estranha garota que estava em seu sonho está ali, de verdade, sendo perseguida. Ele e Wong – o novo Mago Supremo – descobrem que a desconhecida se chama America Chavez, e possui um poder único: consegue viajar livremente pelo multiverso, porém, não sabe como controlá-lo. Demônios estão atrás dela para conseguir esse poder, a mando de algum ser maior. Cabe ao Doutor Estranho descobrir quem está causando tamanho caos, e para isso ele pede ajuda a Wanda, a feiticeira mais poderosa conhecida. Ele só não imaginava que a pessoa responsável estava bem ali na sua frente, extremamente determinada a cumprir seu objetivo.

Doutor Estranho: No Multiverso da Loucura tem ligação direta com as séries WandaVision, Loki, alguns episódios da animação What If… e com o filme Homem-Aranha: Sem Volta para Casa. É possível entender o longa sem ter assistido as duas últimas produções, entretanto, é necessário ter assistido pelo menos WandaVision para entender melhor a transformação da personagem e determinados acontecimentos.

Sam Raimi não é um novato em dirigir filmes de heróis. A trilogia Homem-Aranha, estrelada por Tobey Maguire, também foi dirigida por ele, apesar de ali não ter toques de horror característicos do diretor. Já em Multiverso da Loucura, Raimi não poupou easter eggs e cenas macabras dentro do possível.

Um livro satânico – chamado darkhold – semelhante ao Necronomicon, o carro Oldsmobile Delta 88, corpos sendo possuídos, espíritos malignos atacando e, se isso ainda não é o suficiente, ainda temos a presença do próprio Bruce Campbell em uma divertida cena que faz alusão à mão descontrolada de Ash em Evil Dead, além da trilha sonora sob responsabilidade de Danny Elfman. A criatividade do diretor vai além, proporcionando momentos que são surpreendentes, levando em consideração que é um filme da Disney. Diversas mortes, membros torcidos e corpos sendo cortados ao meio são alguns dos exemplos. Claro, nada que jorre sangue e que seja extremamente explícito igual a uma produção de terror, mas para os padrões de um filme de herói, é bem impressionante. A primeira e última vez que a Disney usou algum elemento de horror em seus filmes deve ter sido quando o demônio Chernabog se ergue das montanhas em Fantasia, então vamos ter isso em mente ao analisar esse filme.

Fãs de horror devem reconhecer cenas clássicas do gênero durante o filme, como um personagem saindo de dentro do espelho se contorcendo, como se fosse a Samara de O Chamado saindo do poço, ou a mão de um morto saindo do túmulo, a possessão, entre outros.

Elizabeth Olsen e Benedict Cumberbatch possuem atuações impecáveis, ainda mais quando se leva em conta que aparecem diferentes versões deles mesmos. Olsen consegue demonstrar as mudanças de doçura, loucura e maldade em questão de segundos, com uma atuação que faz os espectadores perceberem que ela realmente acha que está sendo ponderada e que suas atitudes extremas são completamente justificáveis. A atriz merece destaque e atenção tanto quanto em WandaVision. Cumberbatch também vive diversas personalidades de Strange de modo que sejam diferenciáveis não apenas pelas roupas, mas também pelas personalidades e micro expressões; não é à toa que sua atuação é sempre elogiada. O ator realmente incorpora o personagem de forma completa.

Vale citar que alguns personagens de outras franquias dão as caras por aqui, enquanto que novos são apresentados. Muitas pessoas negativaram o filme por causa do destino que tais personagens tiveram, porém, temos problemas muito mais sérios do que expectativas quebradas quanto às participações especiais.

Por mais que as cenas sejam satisfatórias e o elenco, de modo geral, tenha feito um ótimo trabalho, o mesmo não se pode dizer do enredo. Diferente do primeiro filme, esse tem um roteiro cheio de furos e motivações fracas. A nova personagem, America Chavez, não foi introduzida em momento algum nas milhares de séries que a Disney produziu como complemento para os filmes, simplesmente foi jogada ali sem ter aparecido em nenhuma cena pós-créditos que seja. Com um universo tão grandioso e interligado, foi um erro a Marvel sequer ter citado America em alguma produção anterior. Além disso, a resolução da personagem é simplória, sem um desenvolvimento aprofundado que mostrasse sua evolução. O longa fica bem abaixo de seu antecessor graças ao fraco poder narrativo, apelando apenas para o visual.

Raimi consegue fundir sua paixão por quadrinhos e horror em uma mesma produção sem perder sua identidade, fazendo um filme de herói com toques de terror de forma competente, apostando em cenas chamativas com movimentos de câmera vertiginosa e jogos de luz e sombra para criar ambientes tensos e tentar proporcionar aos espectadores uma experiência divertida e sombria ao mesmo tempo. Uma pena que o roteiro não seguiu a mesma qualidade de suas cenas.

A primeira cena pós-créditos deixa claro que um terceiro filme do Doutor Estranho está por vir e que irá expandir ainda mais esse universo tão diversificado. Para os fãs de horror, a dica é: esperem a segunda cena pós crédito. É simples, porém divertida de um jeito que apenas apreciadores do gênero – e do diretor – vão entender.

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Louise Minski

Um experimento de Schrödinger entediado.

One thought on “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022)

  • 03/07/2022 em 17:10
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    Essa porcaria prometeu um “Multiverso da Loucura”e nos entregou umas “participações especiais” meia bocas com rostos que o público nunca viu em outras produções da Marvel (só a participação de Patrick Stewart que se salva), Homem Aranha Longe de Casa cumpriu essa função de forma muito mais competente. O filme também nos apresenta como um filme do “Doutor Estranho” mas no final acabou sendo um filme da tal America Chavez e da Feiticeira Escarlate (que já encheu o saco á muito tempo). Filme mega decepcionante e é uma pena que o já grande diretor Sam Raimi, que dirigiu as incríveis trilogias do Homem Aranha e Evil Dead, tenha se rebaixado á isso.

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