4.4
(8)

O Farol da Morte
Original:Lighthouse / Dead of Night
Ano:1999•País:UK
Direção:Simon Hunter
Roteiro:Simon Hunter, Graeme Scarfe
Produção:Tim Dennison, Mark Leake
Elenco:James Purefoy, Rachel Shelley, Christopher Adamson, Paul Brooke, Don Warrington, Christopher Dunne, Pat Kelman, Peter McCabe

“Não gosto de ler.”
“Então por que está lendo?”
“Pelo mesmo motivo que as pessoas cavam túneis.”

No apagar das luzes do século XX, um slasher veio com a proposta de não inventar a roda, apenas promover uma situação de horror claustrofóbico em uma ambientação peculiar. Com direção de Simon Hunter, de A Era da Escuridão (2008), O Farol da Morte (Lighthouse, 1999) é injustamente pouco conhecido, não fazendo partes de listas dos melhores filmes do estilo e nem sequer lembrado pela apresentação de um vilão bastante ameaçador, que poderia se tornar um ícone do gênero se tivesse surgido uns quinze anos antes. No momento, mesmo revisto depois de muitos anos – o filme é da época do VHS -, ainda continua divertido, com falhas comuns que não afetam o interesse.

O tal vilão ameaçador é Leo Rook (Christopher Adamson), do cabelo “lambido” e do sapato branco, apresentado como “parte humano, parte caçador, parte demônio, parte maligno“, um assassino em série frio, violento, um colecionador de cabeças. Na sequência inicial, em preto e branco e fotografia inversa, são entrecortadas cenas do “laboratório” do demônio, da criminalista Dra. Kirsty McCloud (Rachel Shelley) na produção de um artigo e de recortes de jornal com informes sobre os “crimes de um demônio“. Não traz detalhes da prisão de Leo Rook, mas sabe-se que dois meses depois ele está no navio The Hyperion, usado para transporte de prisioneiros até a Ilha Marshelsea.

Mantido separado dos demais prisioneiros pela alta periculosidade, também não traz pormenores de como ele conseguiu se soltar de sua cela e da corrente para matar os agentes que o conduziam, incluindo a moça que estava lhe servindo comida, para roubar um bote e buscar abrigo no Farol Gehenna, em suas últimas horas de funcionamento antes da chegada de um helicóptero pela manhã para automatizá-lo. Sua fuga não é percebida porque a embarcação está com problemas no radar, dificultando a própria localização, e, mesmo com os esforços do Capitão Campbell (Paul Brooke) para corrigir o problema, o Oficial Chefe da Prisão O’Neil (Christopher Dunne) pede que ele aumente a velocidade do barco, sob uma densa neblina.

Leo Rook atraca no farol e já começa a fazer vítimas, rasgando pescoços com facilidade, apenas não notando a fuga de um dos responsáveis pelo local. Ele ainda desliga o gerador que mantém o farol aceso, levando a embarcação a se chocar com pedras e sofrer um naufrágio. O’Neil, a doutora e alguns prisioneiros sobrevivem ao acidente, nadando até a praia, imaginando que conseguirão ter acesso a algum rádio de comunicação. Entre os prisioneiros, como Spoons (Pat Kelman) e Weevil (Bob Goody), destaca-se Richard Spader (James Purefoy), que afirma ter sido condenado injustamente pelo assassinato da esposa por ter sofrido de um ataque epiléptico no momento em questão.

Sem ter como pedir ajuda, logo eles percebem que Leo Rook está no local fazendo vítimas e terão que encontrar meios de sobreviver a suas investidas, preferencialmente se estiverem juntos, situação que o subgênero já deixou evidências da impossibilidade. Em uma das melhores sequências do filme, o Capitão está no banheiro, quando percebe a chegada de sapatos brancos manchados de sangue. Precisando ficar em silêncio absoluto, ele não nota quando seu cotovelo sem querer encosta no aromatizador, derrubando-o… em um tapete. Leo Rook está descendo as escadas, e Campbell toca no produto que rola em direção às escadas lentamente, parecendo que a queda irá denunciá-lo, mas novamente ele tem um breve momento de sorte com o objeto parando antes de cair. O que parecia tê-lo salvado definitivamente muda com uma influência do mau tempo e a ventania que atravessa a janela.

Hunter ainda mostra ter boas ideias na criação de suspense, na cena em que O’Neil se esconde no barco que trouxe Leo Rook; ou na sequência das chamas que consomem uma corda, obrigando alguém a ser salvo pelos cabelos. É claro que entre tantos bons momentos, há seus percalços, como a obviedade do roteiro em permitir que se saiba como algumas coisas irão acontecer, incluindo quem irá viver ou morrer. É previsível entender como o plano para enfrentar o assassino não dará certo, e como determinado item guardado no bolso terá sua utilidade em um momento crucial. Também estão entre os problemas do filme a fotografia escura, piorada nas cenas de confronto em que a câmera é bastante agitada, dificultando a visualização.

James Purefoy, que lembra Thomas Jane nos filmes da primeira metade dos anos 2000, faz bem o herói injustiçado, com uma boa química com Rachel Shelley, cuja personagem já teve um encontro no passado com Leo Rook. Já o assassino, sempre mantido nas sombras, ainda que seu visual não precise de todo esse mistério, tem a boa imponência física de Christopher Adamson, seguindo a cartilha dos slashers pela frieza e calma na perseguição de suas vítimas.

É uma pena que muitas pessoas que curtem o subgênero não tenham tido a oportunidade de conhecer O Farol da Morte. Atmosférico, com uma impactante trilha sonora a cargo de Debbie Wiseman, o filme foi rodado em 1994, com financiamento do Conselho de Arte, mas só conseguiu seu lançamento em 1999, chegando limitadamente aos cinemas após os anos 2000. É um bom filme, com uma interessante ambientação claustrofóbica e com um assassino extremamente violento e insano. Quem sabe com o tempo ele possa ser redescoberto, como um bom suspense realizado nos anos 90, já saturado de seus lendários assassinos em série.

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Média da classificação 4.4 / 5. Número de votos: 8

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2 Comentários

  1. Estou lendo essa resenha em 2024, e esse filme não está nem em inglês e nem em português na wiki. Deu até vontade de assistir.

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