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Presença
Original:Presence
Ano:2024•País:EUA
Direção:Steven Soderbergh
Roteiro:David Koepp
Produção:Julie M. Anderson, Ken Meyer
Elenco:Lucy Liu, Chris Sullivan, Callina Liang, Eddy Maday, West Mulholland, Julia Fox, Benny Elledge, Daniel Danielson, Robert M. Jimenez, Lucas Papaelias, Natalie Woolams-Torres, Nathaly Sabino, Abigale Coakley

Presence veio para ser lembrado como o filme de casa assombrada pelo ponto de vista da assombração. Chloe (Callina Liang) é uma adolescente que se muda com a família para facilitar a vida do irmão Tyler (Eddy Maday). Enquanto isso seus pais Rebekah (Lucy Liu) e Chris (Chris Sullivan), possuem suas próprias questões.  O “espírito” da casa é a testemunha nem sempre silenciosa dessa dinâmica familiar.

Para entender que estamos olhando por seu ponto de vista, o diretor Steven Soderbergh usa de técnicas de filmagem que nos dão a sensação de visualizarmos tudo em primeira pessoa com uma câmera “flutuante” e uma trilha sonora suave e por vezes melancólica. Por grande parte do longa, o espírito (e nós) é um grande voyeur e mero observador, mas em momentos específicos faz-se perceptível principalmente para a jovem Chloe, com quem parece ter uma conexão especial e específica.

O filme todo se passa dentro da residência, passando de um cômodo a outro e acompanhando os desdobramentos de questões emocionais cada vez mais intensas de cada um dos envolvidos. Chloe é a primeira a perceber que há algo acontecendo. Ela se sente observada até perceber pequenos atos vindos do espírito, como uma porta fechada/aberta, livros e coisas fora do lugar… até alguma manifestação mais evidente.

Nessa filmagem experimental temos cenas interessantes onde a protagonista e outra personagem como a vidente, que vai até a casa encontrar uma explicação, olham diretamente para a câmera. Soderbergh faz com que nós espectadores nos sentimos parte do enredo, evocando sentimentos como por exemplo nessas cenas: de sermos flagrados (e muitas vezes é até o que de fato queremos).

Não utilizando de jumpscares ou outras artimanhas conhecidas do gênero, a tensão está na atmosfera sustentada pelas atuações, a própria câmera e também a casa em si. Uma casa grande para uma família pequena ilustra o quanto cada um está distante, física e emocionalmente um do outro. A própria tensão é subvertida pois está no silêncio, no ritmo lento e naquilo que não é dito entre os familiares.

Negligenciada por sua família, Chloe acredita que a presença é sua amiga que faleceu de forma traumática. Enquanto isso tudo nos leva a crer que há uma certa identificação, pelo menos emocional. A melancolia, o cinza e a expectativa de que algo ruim está para acontecer em breve é o que resume o tom de Presence.

Aqui o terror são as questões de cada personagem, porém não são terror o suficiente para causar medo ou qualquer outra emoção muito forte. Uma família mediana, com questões medianas que evocam emoções mornas. O plano sequência não é novo no cinema de horror, mas aqui infelizmente se satura em muitos momentos, podendo levar ao tédio.

O trauma compartilhado é recheado de diálogos muitas vezes profundos que acabam por nos perder com pessoas pouco relacionáveis. Os irmãos são os mais interessantes e conforme a tensão vai crescendo a própria luz e jogo de cores vão escurecendo na casa ao longo de sua trajetória.

Apesar de bem feito, o clímax em seu terceiro ato não o faz um filme tão memorável quanto esperávamos após tanto marketing usando a palavra terror repetidamente. É provável que nos lembraremos apenas pelo filme “do ponto de vista da assombração” e não muito além disso.

Soderbergh é um ótimo contador de histórias, vide suas obras anteriores como Onze Homens e um Segredo (2001), Sex, Lies and Videotapes (1989) e até o realista demais, Contágio (2011).  David Koepp também é um roteirista bem experiente quando se trata de blockbusters como clássicos de Jurassic Park (1993), Missão Impossível (1996) e o querido A Morte lhe cai Bem (1992). Uma dupla que sempre soube onde estava pisando, mas escorrega num gênero pouco explorado por ambos. Aqui é mostrado um grande talento em se aventurar com o experimental e suas técnicas, podendo agradar os entusiastas que têm esse foco ao assistir.

O drama doméstico não é um filme ruim, mas deveria ser vendido como isso, um drama doméstico. Afinal, não criar expectativas sobre “o horror do ano” até então não é fácil. Aos fãs de obras anteriores do diretor, assim como questões familiares e tensões dramáticas, ainda é uma obra que vale a pena ser consumida pelo menos uma vez.

Presença estreia hoje nos cinemas brasileiros. O filme tem a duração de 85 minutos e aguarda sua experimentação de um POV (point of view = ponto de vista) como a assombração tão falada da vez.

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