
![]() Hotel dos Horrores
Original:Bloody New Year
Ano:1987•País:UK Direção:Norman J. Warren Roteiro:Norman J. Warren, Frazer Pearce, Hayden Pearce Produção:Hayden Pearce Elenco:Suzy Aitchison, Nikki Brooks, Colin Heywood, Mark Powley, Catherine Roman, Julian Ronnie, Steve Emerson, Steve Wilsher |
Se busca uma acomodação na virada do ano e não tem dinheiro para alugar um quarto no Hotel Overlook, uma opção bem mais em conta é o Grand Island Hotel, administrado por Norman J. Warren. Localizado numa ilha remota, o hotel fez bastante sucesso nos anos 50, principalmente como opção de reveillon, com boas músicas da banda Cry No More e agradável gastronomia. Hoje, ainda funciona bem, com arrumadeira fantasma, sons de um avião invisível e assombrações nos espelhos. Dizem que quem se hospeda no hotel gosta tanto que nem pensa em ir embora, ainda mais pela intensa vegetação que circunda o ambiente, com árvores risonhas e uma sensação constante de estar sendo observado.
Lançado em 1987, Hotel dos Horrores (Bloody New Year, 1987) — na França teve o título alternativo “Les Mutants de la Saint-Sylvestre” — é um horror barato, realizado com baixos recursos e algumas doses de inventividade. Faz parte das produções com temáticas envolvendo datas comemorativas, disputando com o slasher meia-boca Reveillon Maldito (New Year’s Evil, 1980) o título de representante da virada do ano. Nenhum faz jus à data, ainda que o longa de Warren tente pelo menos fugir do lugar-comum. Este nem mesmo o diretor considera algo digno de nota, como quando fez uma reflexão sobre seu trabalho: “uma experiência muito terrível para mim. Na verdade, acabou sendo um pesadelo sangrento. Tínhamos os produtores errados naquele filme e eles não sabiam nada sobre terror. Então o filme falha em todos os aspectos e, no final, meu coração simplesmente não estava mais nele.“. Ele disse que o fracasso do longa o fez desistir da cadeira de diretor, mas talvez a falta de novos convites possa ter contribuído para isso, se considerar os problemas apresentados em seu filme, que vão além da edição e produção.
Começa na virada de 59 para 60, com a trilha “Recipe for Romance“, numa boa fotografia em preto e branco, para mostrar as comemorações dos hóspedes do hotel, desaparecidos desde então. Décadas depois, jovens acabam se cruzando em uma parque, numa coincidência que envolveu o trio de arruaceiros: Pai (Steve Emerson), Ace (Steve Wilsher) e O Urso (Jon Glentoran), em péssimas interpretações. Enquanto incomodam a jovem Carol (Catherine Roman), eles são atrapalhados pelos casais Lesley (Suzy Aitchison) e Tom (Julian Ronnie) e Janet (Nikki Brooks) e Rick (Mark Powley), além do amigo Spud (Colin Heywood), em perseguições por atrações do local em sequências que poderiam fazer parte de algum filme dos Trapalhões.
Ainda em fuga, eles partem em um barco sem destino até sofrerem um naufrágio e caírem numa ilha deserta. Encontrando destroços de um avião, eles alcançam o hotel Grand Island aparentemente desabitado. E a partir daí diversas coisas estranhas começam a acontecer, em plena luz do dia para facilitar as gravações: aparições em janelas e espelhos, sons de conversas em lugares solitários e ataques bizarros. Em um deles, enquanto assistiam O Horror Vem do Espaço (Fiend Without a Face, 1958), imagens filmadas no hotel são exibidas e uma das pessoas sai da tela para enforcar e arranhar Spud, numa ação estranhamente suficiente para matá-lo.
Mesmo com a morte do rapaz, eles continuam passeando pelas localidades como tudo estivesse bem, separando-se quando deviam ficar juntos. Encontram uma casinha próxima, onde Lesley é atacada por redes de pesca e depois pela toalha da mesa — é preciso ver para crer — , tornando-se posteriormente uma zumbi do local. Quartos com nevasca, fogos de artifícios que disparam sozinhos, músicas dos anos 50 que tocam sem serem acionadas, um Papai Noel de brinquedo que se movimenta sozinho, assim como a mesa de bilhar e outros móveis. Para piorar, além do hotel, a ilha parece estar viva, com buracos aparecendo no chão, espelhos em árvores e até areia movediça; e os três arruaceiros voltarão a incomodar, sabe-se lá como, apenas para se tornarem vítimas e mais zumbis do hotel.
Mesmo com toda a dinâmica da narrativa de Warren, Hayden Pearce e Frazer Pearce, Hotel dos Horrores é bem mal realizado. Assim como as árvores risonhas, é possível flagrar os próprios atores rindo entre cenas; a fotografia é excessivamente iluminada, sem explorar uma atmosfera de horror genuíno; a maquiagem é excessivamente tosca, seja dos fantasmas ou zumbis; o roteiro tenta contar demais o que está acontecendo através de cenas vistas em televisores do hotel até a fantasma de Lesley revelar sobre o experimento com camuflagem de um avião ter caído na ilha durante o reveillon, prendendo todos os presentes em distorções temporais. A ideia poderia render um sci-fi bem feitinho, se os recursos tivessem permitido isso.
Com muitas referências a Evil Dead, mas de maneira ainda mais tosca que o original de 1982, Hotel dos Horrores não vale seu tempo. Está disponível no youtube, com opção de legendas traduzidas, mas só deve ser recomendado para quem procura bagaceiras oitentistas e quer se diverter com suas falhas.





