
![]() It: Bem-Vindos a Derry
Original:It: Welcome to Derry
Ano:2025•País:EUA, Canadá Direção:Andy Muschietti, Jamie Travis, Emmanuel Osei-Kuffour, Andrew Bernstein Roteiro:Andy Muschietti, Barbara Muschietti, Jason Fuchs, Guadalís Del Carmen, Jasmyne Flournoy, Stephen King Produção:Cherie Dimaline, Lyn Lucibello, Sarah Rath Elenco:Jovan Adepo, James Remar, Stephen Rider, Matilda Lawler, Amanda Christine, Clara Stack, Blake Cameron James, Arian S. Cartaya, Miles Ekhardt, Mikkal Karim Fidler, Taylour Paige, Jack Molloy Legault, Matilda Legault, Alixandra Fuchs, Dmitry Chepovetsky, Eli Katz, Bill Skarsgård, Thomas Mitchell, Chris Chalk, Clara Stack, Madeleine Stowe, Peter Outerbridge, Kimberly Guerrero, Joshua Odjick |
Enquanto escrevia o romance It, entre 1981 e 1985, Stephen King assumiu em publicações biográficas e entrevistas que estava sob forte influência de álcool e cocaína. Ainda assim, concebeu uma de suas maiores — literalmente — publicações conquistando o British Fantasy Award. Em 1990, foi realizada a minissérie It: Uma Obra Prima do Medo, de Tommy Lee Wallace, dando um visual característico ao palhaço Pennywise, na magistral interpretação de Tim Curry. É incrível pensar que, exatos 27 anos depois, voltaríamos a Derry através de uma nova adaptação concebida por Andy Muschietti em duas partes. It – A Coisa conquistou mais de US$ 700 milhões de dólares para um orçamento estimado em US$ 35 milhões, enquanto It – Capítulo Dois (2019) custou quase US$ 80 milhões e atingiu mais de US$ 470.
As ótimas bilheterias, as críticas favoráveis e a estupenda atuação de Bill Skarsgård praticamente pediram que esse universo fosse revisitado. Houve conversas sobre um Capítulo 3 até, em 2022, uma série ser finalmente oficializada como um produto derivado da nova adaptação. Começou a se desenvolver em 2023, com as filmagens dos três primeiros capítulos, ainda sem confirmação se veríamos Skarsgård em cena, até a greve dos roteiristas e autores interromperem o processo. Na volta, em meados de 2024, o restante do elenco foi confirmado e houve a conclusão das filmagens em agosto para início de um longo processo de pós-produção.
It: Bem-Vindos a Derry estreou em 26 de outubro deste ano, em um arrebatador episódio piloto que basicamente extinguiu o elenco infantil na famosa cena do cinema. Ambientada 27 anos antes da segunda adaptação, em 1962, a proposta seria mostrar Pennywise em ação nas outras vezes em que se alimentou dos cidadãos de Derry. Na verdade, havia uma ainda mais obscura e que só foi revelada no último domingo, com a exibição do episódio final, “Winter Fire“.
Ao longo da temporada, conhecemos basicamente dois núcleos: o infantil, com a emotiva Lilly Bainbridge (Clara Stack), amiga da confusa Marge Truman (Matilda Lawler), que é interesse romântico do simpático Rich Santos (Arian S. Cartaya), além do recém-chegado Will Hanlon (Blake Cameron James), com uma aparente atração por Ronnie Grogan (Amanda Christine); e o adulto, com os pais de Will, Charlotte (Taylour Paige) e Leroy (Jovan Adepo), que é Major das Forças Aéreas dos EUA, e está intrigado com o interesse de militares como o tenente-general Francis Shaw (James Remar) por algo escondido na cidade, solicitando a ajuda dos poderes especiais do aviador Dick Hallorann (Chris Chalk).
Há outros adultos importantes como Ingrid Kersh (Madeleine Stowe), que depois descobrimos ser a filha de Bob Gray, o Pennywise humano, e que teve um caso rápido com Hank (Stephen Rider), pai de Ronnie; o chefe de polícia Clint Bowers (Peter Outerbridge), que organiza um massacre no The Black Spot, no sétimo episódio; e a nativa Rose (Kimberly Guerrero), que conhece o passado da cidade e até mesmo teve uma curtição ingênua com um jovem Francis Shaw em 1908.
Ao longo da temporada, Pennywise deixava evidências de seu controle sobre os moradores em aparições como criaturas diversas, como o pai morto de Lilly, mortos-vivos e até um bebê demoníaco gigante. Incomodava pela seu poderio ampliado pela provocação do medo, até finalmente aparecer como o palhaço dançarino no quinto episódio, com a volta da casa maldita da Neibolt Street. Na busca pelos pilares que limitavam a movimentação de Pennywise, a série levou os personagens a uma visita aos esgotos, com a apresentação de uma adaga, feita com o material estelar que trouxe a Coisa para a Terra, e que serviria como arma contra a criatura.
Quando um desses pilares foi destruído no sétimo e melhor episódio da temporada, após o incêndio no The Black Spot que vitimou os frequentadores, incluindo o jovem Rich, a Coisa, que planejava a sua hibernação por 27 anos, despertou para um ataque final e uma tentativa de fugir da cidade. “Winter Fire” começa com Derry sendo consumida por uma densa névoa — mais um fan service à produção de Stephen King — e o palhaço apresentando suas “luzes da morte” para deixar todas as crianças da Derry High School em transe, flutuando, seguindo a entidade numa clara referência aO Flautista de Hamelin.
Com a cidade repleta de cartazes de desaparecidos, incluindo Will, as crianças resolvem partir numa missão de resgate, de posse da adaga capaz de substituir o pilar destruído. Outros partem para o mesmo local, como Leroy, Rose e seu sobrinho Taniel (Joshua Odjick), Charlotte, e Dick, que, a partir das raízes do Maturin, encontra um meio de impedir os fantasmas de incomodá-lo e localizar a adaga. Ele ainda usará de seus poderes para invadir a mente de Pennywise em um momento oportuno, quando a criatura já planejava matar Marge para impedir que ela tenha filho e possa destrui-lo no futuro.
Essa é a ideia mais interessante na proposta da série It: Bem-Vindos a Derry. Na se trata apenas de um prelúdio, de um produto de origem, mas uma continuação pela possibilidade de Pennywise retornar ao passado para evitar sua morte em 2016. Assim, com essa clara referência aO Exterminador do Futuro, Pennywise se mostra como um ser que controla o tempo e está numa busca pela sobrevida. Há até falas de Andy Muschietti esta semana sobre a possibilidade da série provocar uma parte 2 bastarda, a partir de um passado modificado em 1935 (na segunda temporada) ou 1908 (ambientação da terceira). Seria algo muito mais plausível e divertido do que as continuações recentes dos clássicos Halloween e O Massacre da Serra Elétrica.
No encontro com Marge, Pennywise lhe mostra uma foto de Rich (Finn Wolfhard) como uma criança desaparecida do futuro. E ainda há outras conexões com os filmes na sequência final de Ingrid (Joan Gregson) em um primeiro encontro com Beverly (Sophia Lillis), após o suicídio da mãe. Essas viagens no tempo, pontas que se unem para explicar acontecimentos do passado, presente e futuro é que mostram o quanto It: Bem-Vindos a Derry foi a melhor série de 2025. O bom elenco, uma nova visita à cidade e alguns pontos vistos nos filmes — ainda que não todos, pois eu queria ter visto o local onde as crianças saltavam no lago e outros ambientes —, a ousadia em matar crianças, as sequências de horror, a complementação da mitologia de Pennywise, mostrando inclusive o momento em que foi seduzido por uma criança no sétimo episódio, a boa direção, de Muschietti, Jamie Travis, Emmanuel Osei-Kuffour e Andrew Bernstein…
É claro que a série não foi perfeita. Os efeitos em CGI, ainda que sigam o estilo dos filmes, deixaram a desejar em boa parte dos episódios; o uso excessivo de chroma key, tanto no incêndio do The Black Spot, quanto no final na névoa, deixou um aspecto bastante artificial, sem relação alguma com estética. E os roteiros também tiveram seus percalços em episódios mais chatinhos como o terceiro e o quarto, e também nas cópias de ideias já vistas em outros produtos: a adaga como kriptonita ou corrompendo quem a usa (Senhor dos Anéis). Também vale menção aquele incômodo slow motion do último episódio, quando as crianças lutavam para colocá-la na Fenda da Perdição base da árvore, numa cena interminável.
Entre altos e baixos, It se mostrou até o momento superior até a Stranger Things, série que praticamente inspirou a nova adaptação. E muito dos altos se devem à presença de Bill Skarsgård. Seu carisma como a Coisa não é superior ao de Tim Curry, mas sua presença é fundamental para os propósitos do spinoff, servindo de guia para a cidade assombrada de Derry, um local para o qual não vejo a hora de retornar.
It: Bem-Vindos a Derry – Episódio 7
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Original:It: Welcome to Derry
Ano:2025•País:EUA, Canadá Direção:Andy Muschietti Roteiro:Andy Muschietti, Barbara Muschietti, Jason Fuchs, Guadalís Del Carmen, Jasmyne Flournoy, Stephen King Produção:Cherie Dimaline, Lyn Lucibello, Sarah Rath Elenco:Jovan Adepo, James Remar, Stephen Rider, Matilda Lawler, Amanda Christine, Clara Stack, Blake Cameron James, Arian S. Cartaya, Miles Ekhardt, Mikkal Karim Fidler, Taylour Paige, Jack Molloy Legault, Matilda Legault, Chris Chalkm Rudy Mancuso, Alixandra Fuchs, Dmitry Chepovetsky, Eli Katz |
It: Bem-Vindos a Derry atinge seu melhor momento com o episódio “The Black Spot“, o sétimo da primeira temporada. Só poderia ter o comando de Andy Muschietti, a partir de um roteiro co-escrito por Jason Fuchs e Brad Kane, até por se tratar de um ponto fundamental da mitologia de It: a tragédia do The Black Spot, mencionado tanto no livro de Stephen King como na adaptação It: A Coisa (2017), na fala do jovem Ben. Havia realmente uma boa expectativa para o impacto que o incêndio traria e que possivelmente culminaria com a morte de personagens. Ainda assim, foi surpreendente.
Como havia a promessa que a série mostraria o passado de Pennywise, o episódio começa em 1908, com as apresentações de Bob Gray (Bill Skarsgård) como o palhaço dançarino em um circo itinerante. Alguns momentos se mostram valiosos como o esforço de Pennywise pelo entretenimento de crianças, assim como a forma como elas o tratam, como se estivessem devorando-o, em um excelente conceito, permitindo um paralelo com o ataque que a Coisa sofre dos pequenos em 1989. Também é interessante pensar que a entidade apareceria como palhaço para seduzir os jovens, a partir de então, guardando alguns dos aspectos da personalidade de Bob Gray, e ele é seduzido de forma contrária, com uma criança chamando-o para a floresta. O flashback ainda traz sua filha (Emma-Leigh Cullum), que assumiria o personagem Periwinkle.
Outra boa ideia veio da descoberta que as primeiras aparições de Pennywise na série eram na verdade Ingrid Kersh (Madeleine Stowe), que, até então, veste-se de palhaço para se conectar com o pai desaparecido. Todo esse começo genial somente serve para preparar o público para a invasão do Black Spot sob o comando de Clint Bowers (Peter Outerbridge) e seus asseclas, prendendo todos os frequentadores do pub e incendiando o local. Com as portas fechadas, aqueles que tentam fugir pelas janelas são baleados, restando ao iluminado Dick Hallorann (Chris Chalk), através da orientação de um guia espiritual, encontrar uma saída e salvar algumas pessoas como Hank (Stephen Rider), Ronnie (Amanda Christine) e Will (Blake Cameron James). E há uma perda significativa de um personagem querido em um sacrifício pela sobrevida de outro, lembrando para alguns fãs em memes a morte de Jack em Titanic (1997).
A cena da tragédia é bem atmosférica e claustrofóbica. É claro que se pondera a resistência dos personagens, quando a fumaça já teria feito que praticamente todos ali logo perdessem a consciência, mas visualmente foi bem interessante e, de certa forma, bonito. Pennywise obviamente que irá aparecer por lá, terá oportunidade de se alimentar, antes de anunciar sua hibernação, os tais 27 anos que separam tragédias em Derry. Não sem arrastar mais uma pessoa para flutuar a partir das luzes mortas. Seria o final da série, se um dos pilares que mantém Pennywise preso à cidade não fosse encontrado para destruição pelos militares, gerando tensão entre o Coronel Fuller (Thomas Mitchell), o General Francis Shaw (James Remar) e um consciente Leroy (Jovan Adepo).
O sétimo episódio confirmou o que já se imaginava: It: Bem-Vindos a Derry é a melhor série de horror do ano. Ousada e assustadora, é um spinoff muito bem realizado e que traz referências ao universo King. Neste “The Black Spot“, houve uma para o livro “A Tempestade do Século“, quando os invasores do pub mencionam o famoso: “Me deem o que eu quero e irei embora.” E as expectativas continuam bem altas para a conclusão, ainda mais com algumas declarações de quem já viu e ficou impressionado com o episódio derradeiro. Que surpresas ainda poderemos aguardar no último capítulo e como se encerrarão todas as pontas soltas para a preparação do longa de 2017?
Pelo visto, vai valer a pena flutuar mais uma vez!
It: Bem-Vindos a Derry: Episódio 6
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Original:It: Welcome to Derry
Ano:2025•País:EUA, Canadá Direção:Andy Muschietti Roteiro:Andy Muschietti, Barbara Muschietti, Jason Fuchs, Guadalís Del Carmen, Jasmyne Flournoy, Stephen King Produção:Cherie Dimaline, Lyn Lucibello, Sarah Rath Elenco:Jovan Adepo, James Remar, Stephen Rider, Matilda Lawler, Amanda Christine, Clara Stack, Blake Cameron James, Arian S. Cartaya, Miles Ekhardt, Mikkal Karim Fidler, Taylour Paige, Jack Molloy Legault, Matilda Legault, Chris Chalkm Rudy Mancuso, Alixandra Fuchs, Dmitry Chepovetsky, Eli Katz |
Era imaginado que o sexto episódio de It: Bem-Vindo a Derry, “In the Name of the Father“, de Jamie Travis, iria focar nas consequências do primeiro encontro oficial com Pennywise (Bill Skarsgård) nos esgotos, mas foi bem além das expectativas. Além de mostrar o conflito entre Lilly (Clara Stack) e Ronnie (Amanda Christine), como aconteceu com Richie (Finn Wolfhard) e Bill (Jaeden Martell) em It: A Coisa (2017), evidenciando a inteligência de Rich (Arian S. Cartaya) na compreensão dos intentos da Coisa, o episódio apresentou Leroy (Jovan Adepo) tendo problemas com a esposa Charlotte (Taylour Paige), receosa dos riscos em permanecer em Derry, responsável por esconder Hank (Stephen Rider) no Black Spot.
A amante do fugitivo, Ingrid (Madeleine Stowe, com mais destaque), como era de se esperar, tem um vínculo imenso com o palhaço dançarino, sendo filha de sua versão humana. O passado de 1935, em ótima fotografia em preto e branco, destacando as cores vermelhas do balão e do sangue, mostrou a relação entre os dois, algo que justifica o passe livre de Pennywise pela cidade e na atração de crianças, começando pelas problemáticas de Juniper Hill. Ingrid acredita tanto que a entidade é seu pai, Robert Gray, que está se vestindo como o palhaço para buscar uma constante conexão com ele.
Em It: A Coisa, Henry Bowers (Nicholas Hamilton) foi corrompido pelo palhaço, tal qual seu pai aparenta estar em Derry, dispensado pela polícia, motivando uma ação violenta no Black Spot, como será visto no próximo episódio. Aliás, o massacre ali deve ser o ponto alto da temporada. Ela é mencionada no livro de Stephen King e também por Ben (Jeremy Ray Taylor) na segunda adaptação. Praticamente todos os personagens estão no local, incluindo as crianças, e o confronto será inevitável, prometendo mortes violentas e surpresas.
Assim como o quinto episódio, este também se mostrou bem interessante, tanto na exploração do passado de Derry quanto na ampliação da mitologia. Dick Hallorann (Chris Chalk) está bastante fragilizado, depois que a sua caixa mental foi aberta, permitindo que ele volte a ver pessoas mortas. Dentre todos, praticamente ele é uma das únicas certezas de sobrevivência ao combate no Black Spot, e um personagem que terá fundamental importância nos dois últimos encontros com Pennywise nesta primeira temporada.
It: Bem-Vindo a Derry está chegando à reta final, com a próxima temporada já assegurada. Como os moradores conseguirão silenciar Pennywise — se é que conseguirão — para uma hibernação por 27 anos, é o que provavelmente iremos ver nos episódios finais, com mais informações sobre a Coisa, os pilares que impedem sua movimentação e a perda da pedra que o assombra.
It: Bem-Vindos a Derry: Episódio 5
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Original:It: Welcome to Derry
Ano:2025•País:EUA, Canadá Direção:Andy Muschietti Roteiro:Andy Muschietti, Barbara Muschietti, Jason Fuchs, Guadalís Del Carmen, Jasmyne Flournoy, Stephen King Produção:Cherie Dimaline, Lyn Lucibello, Sarah Rath Elenco:Jovan Adepo, James Remar, Stephen Rider, Matilda Lawler, Amanda Christine, Clara Stack, Blake Cameron James, Arian S. Cartaya, Miles Ekhardt, Mikkal Karim Fidler, Taylour Paige, Jack Molloy Legault, Matilda Legault, Chris Chalkm Rudy Mancuso, Alixandra Fuchs, Dmitry Chepovetsky, Eli Katz |
“29 Neibolt Street“, quinto episódio da série It: Bem-Vindos a Derry, é o que mais se aproximou de It: A Coisa (2017) e It: Capítulo Dois (2019) até o momento por diversas razões. Uma delas é a visita a lugares-comuns de Derry, não somente à casa maldita da rua que leva o nome, mas pela ambientação nos esgotos. O habitat da Coisa sempre foi o subterrâneo local, um ponto de acesso a basicamente toda a cidade, e até então só havíamos visto o cemitério, a escola, o ponto de encontro dos adolescentes e o ambiente militar. A outra é, sem dúvida, a primeira aparição oficial de Pennywise (Bill Skarsgård), o palhaço dançarino, em sua concepção oficial.
It, tanto na literatura como na adaptação de 1990 e nos dois filmes, sempre fez parte do subgênero dos palhaços assassinos. Independente da forma como a criatura poderia aparecer, devido ao medo proposto, os coulrofóbicos sempre apontaram a produção como um de seus maiores temores. Foi escrito por King com alusão a John Wayne Gacy, que utilizava roupas de palhaço para disfarçar sua ação assassina. Assim, a série até divertia pelo resgate de uma cidade pequena, pela assombração que rondava por lá, e algumas ousadias. Contudo, com a aparição oficial, a partir do episódio 5, a série sobe alguns degraus em seus méritos.
Começa por apresentar a reconciliação de Marge (Matilda Lawler) e Lilly (Clara Stack), depois do pesadelo no banheiro e na carpintaria da escola. Ambas se surpreendem quando, ao reencontrar Ronnie (Amanda Christine), Will (Blake Cameron James) e Rich (Arian S. Cartaya), reveem o desaparecido Matty Clements (Miles Ekhardt), alegando ter conseguido escapar da criatura e ainda dizendo que um dos meninos ainda estaria vivo lá. O roteiro de Brad Kane até tenta enganar, mas é claro que a volta é uma representação da Coisa para atrair as crianças para os esgotos, ainda mais porque o garoto se nega a ir à polícia ou até conversar com os pais.
Enquanto o grupo se organiza para caçar a criatura e salvar os amigos, o General Shaw (James Remar) instrui Leroy (Jovan Adepo) e Pauly (Rudy Mancuso) a organizarem uma ação militar na casa 29 da Neibolt Street, o ponto de acesso ao poço que pode conduzir aos 13 pilares da revelação de Taniel (Joshua Odjick) a Dick Hallorann (Chris Chalk). Assim, basicamente os núcleos adolescente e o dos adultos vão ao mesmo local, sendo que Will precisou fugir do abrigo militar, sem a autorização de Charlotte (Taylour Paige).
E é o passeio por lá os melhores momentos do episódio e da série It, quando Matty se transforma em Pennywise e abre sua bocarra para assombrar as crianças e devorar/confundir militares. Em um das sequências tensas, Leroy entende que o que está vendo ali é uma manifestação da Coisa, quando Charlotte exibe um riso aterrorizante nas águas sujas de Derry, e ameaça atirar no próprio filho a partir de sua própria ordem de não acreditar no que não deveria estar por lá. Próximo dali, as crianças fogem pelo esgoto e se separam de Lilly, que só não é devorada por estar diante da “adaga de kriptonita“, um artefato que poderá trazer alguma confiança aos jovens.
Além de toda essa movimentação frustrada dos militares — inclusive me fazendo questionar a necessidade de buscar os pilares a partir do epicentro —, vale menção a descoberta (nem tão surpreendente assim) de que Ingrid Kersh (Madeleine Stowe) é a amante de Hank (Stephen Rider). Era óbvio por envolver uma atriz conhecida em um papel que até o momento era pequeno. E não duvido que, assim como Matty, ela também não esteja a serviço da Coisa, uma vez que Hank precisava estar longe do cinema, e tem ainda uma outra função para os intentos alimentares da criatura.
It: Bem-Vindo a Derry alcança sua melhor avaliação. Restando três episódios, ainda falta a tragédia do Black Spot, mencionado no livro e nos filmes, e estabelecer as conexões entre os personagens e as crianças de It – A Coisa. Tudo isso com um Pennywise mais ativo e….faminto!
It: Bem-Vindos a Derry: Episódio 4 (2025)
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Original:It: Welcome to Derry
Ano:2025•País:EUA, Canadá Direção:Andy Muschietti Roteiro:Andy Muschietti, Barbara Muschietti, Jason Fuchs, Guadalís Del Carmen, Jasmyne Flournoy, Stephen King Produção:Cherie Dimaline, Lyn Lucibello, Sarah Rath Elenco:Jovan Adepo, James Remar, Stephen Rider, Matilda Lawler, Amanda Christine, Clara Stack, Blake Cameron James, Arian S. Cartaya, Miles Ekhardt, Mikkal Karim Fidler, Taylour Paige, Jack Molloy Legault, Matilda Legault, Chris Chalkm Rudy Mancuso, Alixandra Fuchs, Dmitry Chepovetsky, Eli Katz |
A busca por provas da existência de assombrações em Derry levou às crianças a uma jornada aterrorizante no cemitério, incluindo o breve registro do que parecia ser um palhaço. Lilly (Clara Stack), Ronnie (Amanda Christine), Will (Blake Cameron James) e Rich (Arian S. Cartaya) — ou Ricardo para os menos íntimos — tentaram convencer o chefe de polícia Bowers (Peter Outerbridge) da inocência de Hank (Stephen Rider), mas as fotos reveladas já não mostraram mais os fantasmas, à exceção do palhaço, considerado uma estátua ou algo não tão evidente. Para piorar, o acusado parece não ter um álibi para o massacre do cinema, ou, se tem, esconde onde verdadeiramente estava.
A tentativa, ainda mais por envolver seu filho e após um café com Rose (Kimberly Guerrero), pelo menos desperta o interesse de Charlotte (Taylour Paige) em buscar justiça como anteriormente fazia quando era ativista pela liberdade no sul, o que ocasionou sua prisão e justificou seu casamento com Leroy (Jovan Adepo). Embora não apoie as ações da esposa — só ele pode ter missões secretas —, ele percebe que algo anda aterrorizando seu filho, seja numa pescaria, quando o garoto é puxado para a água, ou quando nota com sua luneta um palhaço (digital) à espreita nas sombras de uma árvore. Nas duas situações, Leroy flagra a aparição de uma estranha bexiga vermelha.
Estranho também é o que acontece na escola, quando Marge (Matilda Lawler) é induzida pelas meninas populares da escola a um trote com Lilly — infelizmente ela não possui poderes paranormais para se vingar, mas a referência a Carrie é absoluta —. O vídeo da aula de biologia faz a garota perceber que seus olhos estão esbugalhados como os dos caracóis, correndo em busca de uma solução na carpintaria, com os demais estudantes testemunhando o que poderia ser uma Lilly tentando esfaqueá-la com um cinzel. Mais uma das aparições bizarras de Derry, embora esta não esteja seguindo a linha do filme It – A Coisa de somente atormentar as vítimas de bullying.
No entanto, a parte que interessa do episódio é reservada para os minutos finais, com Dick Hallorann (Chris Chalk) invadindo a mente do nativo Taniel (Joshua Odjick) para descobrir o que as escavações procuram. Ele retorna à infância de Taniel, quando ele conversou a tia Rose sobre uma entidade conhecida como “Galloo“, que chegou à Terra milhões de anos atrás, aterrorizou os nativos americanos em várias formas até que foi confeccionada uma adaga, a partir da estrela que trouxe o “mal” expulso e que se fortaleceu com a chegada dos colonos. Partes da estrela criaram os limites da cidade de Derry, o que justifica a razão de Pennywise não ser visto em outros locais. Só não explicou porque a necessidade de uma extensão tão grande entre os pilares em vez de deixar um espaço menor para a entidade!
Andy Muschietti parece ter se inspirado na própria história do Superman, agora apresentando uma kriptonita para Pennywise. Se por um lado, é interessante acompanhar a ampliação da mitologia, por outro evidencia incoerências em relação aos filmes. Como Mike (Isaiah Mustafa), que fez um longo estudo sobre os Shokopiwah, não viu nada disso? Em que momento haverá menção ao Ritual de Chud, aos artefatos, e ao massacre dos nativos, quando eles deram ao monstro uma forma física no século XVIII?
Com o longo título “The Great Swirling Apparatus of Our Planet’s Function” e a direção bem acertada de Andrew Bernstein (dirigiu episódios de Castle Rock e The Outsider), destacando a sequência em flashback, a série chega à metade de uma boa temporada — nada espetacular —, ainda não mostrando seu caminho, sem muito fan service relacionado aos filmes, além das referências a Stephen King (até a prisão de Um Sonho de Liberdade é mencionada, como já acontecia no livro) e alguns pontos da cidade. Basicamente se divide em dois arcos: os das crianças assombradas por uma entidade que deixou de fazer massacres para se alimentar do medo (considerei o do cinema bem surpreendente, mas não condizente com as ações da entidade, conforme mostrado nos filmes) e o dos adultos envolvidos na busca pelo passado enterrado em Derry. E…falta Pennywise. O verdadeiro, sem boneco digital ou aparição de relance em fotografia.
Com a visão da casa maldita da Neibolt Street, pode ser que tenhamos um vislumbre do poço, e finalmente passem a explorar os esgotos de Derry, bastante vistos nos longas. O primeiro filme deu uma ideia de que a coisa se movimenta pela cidade através do sistema de esgoto, conectado a todos os ambientes, permitindo que possa ocasionar as visões, mas, até então, parece que Pennywise ainda não optou por esses acessos, movimentando-se pelas ruas, cemitério, floresta e se escondendo atrás de árvores. Veremos como os próximos episódios mudarão os percursos da temporada.
Em tempo, por que os nativos americanos se referiram à entidade como Galloo, se o termo faz referência ao demônio sumério? Como eles conheceram esse termo e fizeram uso dele ao invés de “manitou” (mencionado em It – A Coisa) ou “wendigo“, palavras relacionadas ao vocabulário deles e se refere a espírito ou criatura metamorfoseada?
It: Bem-Vindos a Derry: Episódios 2 e 3
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Original:It: Welcome to Derry
Ano:2025•País:EUA, Canadá Direção:Andy Muschietti Roteiro:Andy Muschietti, Barbara Muschietti, Jason Fuchs, Guadalís Del Carmen, Jasmyne Flournoy, Stephen King Produção:Cherie Dimaline, Lyn Lucibello, Sarah Rath Elenco:Jovan Adepo, James Remar, Stephen Rider, Matilda Lawler, Amanda Christine, Clara Stack, Blake Cameron James, Arian S. Cartaya, Miles Ekhardt, Mikkal Karim Fidler, Taylour Paige, Jack Molloy Legault, Matilda Legault, Chris Chalkm Rudy Mancuso, Alixandra Fuchs, Dmitry Chepovetsky, Eli Katz |
O massacre no cinema pode servir de simbologia para a transposição de uma produção, popular na literatura e na tela grande, para os streamings. O primeiro episódio de It: Bem-Vindos a Derry mostrou que poderia expandir as cenas grotescas, admiradas nas duas versões, para a televisão. Bastava saber como seria o ritmo a partir do segundo capítulo, The Thing in the Dark, exibido antecipadamente na noite de Halloween. Mais uma vez dirigido por Andy Muschietti, o episódio apresentou as consequências da tragédia e como ela afetou as sobreviventes Ronnie Grogan (Amanda Christine) e Lilly Bainbridge (Clara Stack).
A primeira viu seu pai, Hank (Stephen Rider), ser preso após a indução do depoimento de Lilly. O chefe de polícia Clint Bowers (Peter Outerbridge) se viu pressionado em prender o rapaz para trazer um alento à população e expor o preconceito evidente na Derry dos anos 60. Com a morte das crianças, novos personagens foram apresentados, enquanto outros, vistos em relance, passaram a se destacar. O Major Leroy Hanlon (Jovan Adepo) recepciona a esposa Charlotte (Taylour Paige) e o filho gênio Will (Blake Cameron James), que terá importância no novo grupo de adolescentes e também futuramente no filme It: A Coisa. Além de Will, o pequeno Rich (Arian S. Cartaya) atrai olhares, principalmente por sua paixão por Marge (Matilda Lawler), amiga de Lilly e que está na dúvida se segue as garotas populares ou fica com a considerada insana.
Outro que ganha mais importância é o aviador Dick Hallorann (Chris Chalk), personagem conhecido do livro O Iluminado, por ter ajudado o garotinho Danny e também possuir poderes de telepatia e visões assombrosas. Ele é advertido pelo Coronel Fuller (Thomas Mitchell) sobre a necessidade de encontrar algo que está enterrado no passado de Derry. Mas o que chama a atenção é o horror que já atormenta as sobreviventes do cinema em dois momentos assustadores: no primeiro, Ronnie se vê puxada para o ventre infernal de sua mãe morta; e em outro, Lilly tem uma visão de seu pai morto, desmembrado e em conserva, durante sua ida ao mercado. Seu surto ocasiona o retorno temporário ao hospital psiquiátrico Juniper Hill.
Sem a mesma intensidade do primeiro episódio, The Thing in the Dark manteve o interesse pela qualidade da série (ambientação, direção e fotografia) e a proposta de resgate a uma entidade envolta em medo. Já o terceiro episódio, Now You See It, foi conduzido por Andrew Bernstein, e teve a exibição no último domingo, durante o encerramento do Festival Boca do Inferno XII. Começa em 1908 — para quem não se lembra, é uma data importante em Derry, comentada no primeiro filme (mais detalhes em breve) —, com o jovem Francis Shaw (Diesel La Torraca) visitando um parque de diversões itinerante nas atrações de um freakshow. Lá, entre gêmeas siamesas e aberrações, ele vê um velho com um dos olhos vazados que diz o título do episódio: “Agora você vê.”
Quando seu pai, Monty (Justin Mader), o está levando pra casa, o carro quebra próximo a uns jovens vendendo água. Ele se aproxima da nativa Rose (Violet Sutherland) e dá a ela seu estilingue, estabelecendo uma amizade de verão. Francis novamente é perseguido pelo velho na mata, desta vez numa caracterização ainda mais monstruosa em efeitos especiais pavorosos. A Rose de 1962, interpretada por Kimberly Guerrero, está preocupada com as escavações, assim como sua comunidade, pelo fato de envolver um local sagrado de seus ancestrais. O garoto assustado do passado é exatamente quem está por trás da busca de algo poderoso por lá, já apresentado na série como o General Francis Shaw (James Remar).
Descobre-se que o carro encontrado enterrado, visto no final do episódio anterior, pertenceu a Al Bradley, durante um massacre de gangues, ocorrido em 1935 (outra data importante na cidade). E Dick acompanha um voo de helicóptero, com Leroy e o Capitão Pauly (Rudy Mancuso), somente para ter uma visão do espetáculo itinerante e sua avó morta. No núcleo adolescente, Lilly sai de Juniper Hill e tenta se aproximar de Ronnie, buscando provas de que algo sobrenatural ronda Derry. Para tal, se unem a Will, esperto em revelação de fotografias, e Rich, que conhece um ritual para despertar entidades.
Eles então vão ao cemitério da cidade para um ritual que ocasiona correria, os fantasmas dos garotos mortos no cinema e zumbis, além de uma aparição rápida e especial, registrada em foto. As cenas noturnas combinam gravações e estúdio e externas, e permitem uma atmosfera aterrorizante para os jovens em suas bicicletas. No entanto, os efeitos visuais e especiais deixam a desejar, assim como outros já mostrados como o bebê-demônio voador, o pai em conserva e o velho caolho.
A série caminha para seu meio de temporada, já com a segunda assegurada, e dá mais ênfase aos personagens adultos. Se os jovens mantêm sua caracterização perdedora, sofrendo bullying na escola, por outro lado não são frutos de pais problemáticos. Há todo um interesse pelo contexto que envolve a cidade maldita em todas as suas épocas, e uma trama que costura núcleos de maneira orgânica, explorando ambientações anteriormente vistas no longa It – A Coisa. Também foi corrigida uma situação que estava causando estranhamento no enredo da série, sobre pouco do que aconteceu no passado ter sido mencionado no longa-metragem. E o esquecimento faz parte da maldição que ronda Derry, como bem pontuou Rose para Shaw.
Por outro lado, a ausência de Pennywise continua bastante sentida. O palhaço dançarino já devia ter aparecido na série, mesmo quando suas versões monstruosas assombraram os personagens. Em a It – A Coisa, ele aparecia nas cenas do ataque do zumbi viciado, no pesadelo da biblioteca e na casa sobre o poço. Aliás, quando iremos vê-la em cena, além de outros ascendentes dos garotos de 1989? Será que testemunharemos a tragédia da boate de 1962, um dos acontecimentos mais marcantes da cidade na época? Até o momento, It: Bem-Vindos a Derry segue interessante, mesmo tendo brecado a ousadia e sem a graça de Pennywise.
It: Bem-Vindos a Derry: The Pilot
![]() It: Bem-Vindos a Derry
Original:It: Welcome to Derry
Ano:2025•País:EUA, Canadá Direção:Andy Muschietti, Andrew Bernstein Roteiro:Andy Muschietti, Barbara Muschietti, Jason Fuchs, Guadalís Del Carmen, Jasmyne Flournoy, Stephen King Produção:Cherie Dimaline, Lyn Lucibello, Sarah Rath Elenco:Jovan Adepo, James Remar, Stephen Rider, Matilda Lawler, Amanda Christine, Clara Stack, Blake Cameron James, Arian S. Cartaya, Miles Ekhardt, Mikkal Karim Fidler, Taylour Paige, Jack Molloy Legault, Matilda Legault, Chris Chalkm Rudy Mancuso, Alixandra Fuchs, Dmitry Chepovetsky, Eli Katz |
Entre os lugares do assombrado Maine de Stephen King, existe uma cidade tão maldita quanto Jerusalem´s Lot e Ludlow, tão claustrofóbica quanto Chester’s Mill e insana como Castle Rock e Haven. Derry é o território de um dos monstros mais aterrorizantes da mente criativa do autor, o local onde habita um ser que se popularizou com a alcunha de Pennywise, o palhaço dançarino. Aprendemos com It que ele se alimenta do medo, escondendo-se nos lugares mais sombrios e desérticos da cidade, atraindo jovens com seu carisma macabro e balões vermelhos. Você imaginaria essa criatura ocasionando um massacre em um cinema, destroçando crianças, a partir de sua versão bebê monstro gigante?
Derivados andam em teto de vidro porque mexem com produções que não foram constituídas para esse fim. Quando a minissérie It: Uma Obra-Prima do Medo foi realizada, em 1990, o palhaço mostrou seus dentes afiados e desejo por um horror psicológico tão intenso ao ponto de desenvolver traumas e até ocasionar suicídios. A mesma ideia foi trabalhada, em uma época diferente, com It – A Coisa e It – Capítulo Dois, mais uma vez tendo Pennywise como metáfora de pais abusivos e famílias problemáticas. Assim como a péssima Alien Earth, a proposta aparente de It: Bem-Vindos a Derry é mostrar os primeiros passos do palhaço, talvez mudando seu modo de operação a partir das consequências de sua ação no cinema.
De toda forma, o primeiro episódio foi realmente um soco no estômago. Com direção de Andy Muschietti, a partir de um roteiro de Jason Fuchs e Barbara Muschietti para um argumento de Guadalís Del Carmen e Jasmyne Flournoy, a ideia foi subverter todos os conceitos determinados nas adaptações. Assim, colocaram os holofotes sobre adolescentes que possuem o mesmo estereótipos já vistos antes: o nerd, o pressionado pelos pais religiosos, a meiguinha e curiosa, além da traumatizada, manipulando o espectador como se propusse uma refilmagem ou nova adaptação do livro.
Começa em 4 de janeiro de 1962, com a fuga do cinema do garoto da chupeta Matty Clements (Miles Ekhardt), flagrado pelo lanterninha durante a exibição do musical Vendedor de Ilusões (The Music Man, 1962). Ele é ajudado pela jovem Ronnie Grogan (Amanda Christine), e depois por uma família assustadoramente estranha e feliz, que o leva de volta a Derry mesmo com seu insistente pedido para não voltar. Quando a família diz uníssona “Fora“, a matriarca dá a luz a um bebê demônio com asas, para selar o destino do garotinho, enquanto a chupeta amarela boia nos esgotos da cidade.
Quatro meses depois, dois soldados chegam à base aérea local, após combate na Coreia: o Capitão Pauly Russo (Rudy Mancuso) e o Major Leroy Hanlon (Jovan Adepo). Conversas sobre arsenal nuclear e o receio de que possa avançar até ali são intercaladas com algum aprofundamento de Hanlon, convocado pelo General Shaw (James Remar) para pilotar um B-52: trabalhou como aviador de lavouras e aparenta ser corajoso para não se intimidar com dois intrusos que, durante a noite, querem detalhes sobre o comando do mesmo avião.
Ao mesmo tempo, acompanhamos um grupo de jovens ainda abalado pelo desaparecimento de Matty. Seu amigo tímido e do cabelo estranho Teddy Uris (Mikkal Karim Fidler) confessa que Matty não tinha muitos amigos e que era pago para frequentar suas festas, mas tinha uma afeição por ele, enquanto Phil Malkin (Jack Molloy Legault) das teorias conspiratórias o tranquiliza, ainda que não acredite que o desaparecido possa estar se comunicado pelos canos do banheiro, conforme presenciou Lilly Bainbridge (Clara Stack), que perdeu o pai em um acidente de fábrica, um ano antes, e sabia que Matty tinha um certo interesse por ela.
Parece que o incidente de Matty possa ter relação com o cinema, uma vez que a música “Ya Got Trouble” do filme é constantemente lembrada no clamor das tubulações. E é exatamente a busca por respostas que conduzirá todos a uma visita a Ronnie, que também anda tendo uma experiência estranha com a mesma canção.
Como episódios pilotos precisam convencer investidores no desenvolvimento da série, eles realmente costumam ser agressivos e impactantes. Apesar dos efeitos não tão bons do bebê monstro, a ousadia é o motor condutor desse primeiro episódio, sabendo desenvolver personagens carismáticos, fazer uso de um humor ácido e trazer o que os fãs de horror mais querem mesmo em um produto para a TV: sangue em profusão, gore e violência. It: Bem-Vindos a Derry começa bem, ainda que não tenha apresentado o seu fio condutor. Pode-se dizer que o episódio é o típico prólogo de uma produção de horror, tendo a morte inicial antes dos créditos como o ponto de partida para o elenco principal.





























