0
(0)

Buffy, A Caça-Vampiros - 1ª Temporada
Original:Buffy
Ano:1997•País:EUA
Direção:Joss Whedon, Charles Martin Smith, John T. Kretchmer, Stephen Cragg, Bruce Seth Green, David Semel, Scott Brazil, Stephen L. Posey, Ellen S. Pressman, Reza Badiyi
Roteiro:Joss Whedon, Matt Kiene, Joe Reinkemeyer, Rob DesHotel, Dean Batali, Dana Reston, David Greenwalt, Ashley Gable, Thomas A. Swyden,
Produção:Gareth Davies
Elenco:Sarah Michelle Gellar, Nicholas Brendon, Alyson Hannigan, Charisma Carpenter, Anthony Head, Mark Metcalf, Brian Thompson, David Boreanaz, Ken Lerner, Kristine Sutherland, Julie Benz, Eric Balfour, Mercedes McNab, Elizabeth Anne Allen, Robin Riker, Musetta Vander, Christopher Wiehl, Eion Bailey, Michael McCraine, Robia Scott, Chad Lindberg, Mark Deakins, Rich Werner, Lenora May, Armin Shimerman, Dean ButlerJ. Robin Miller, Ryan Bittle,

Rupert Giles: Em cada geração, nasce uma Caçadora. Uma menina em todo o mundo, uma escolhida, uma nascida com o…
Rupert Giles, Buffy Summers: … força e habilidade para caçar os vampiros…
Buffy Summers: … para impedir a propagação de seu blá mal, blá, blá. Eu ouvi isso, ok?

Entre 10 de março e 2 de junho de 1997, às segundas-feiras, às 21h, Buffy – A Caça-Vampiros foi exibida na The WB. Foi a temporada que teve menos episódios, apenas 12, e também a que se mostrou menos eficiente em efeitos especiais e enredos mais profundos e a que teve mais aparência televisiva. É fácil perceber que o investimento ainda era tímido, quase experimental, ainda que as narrativas já deixassem sinais do que a série pretendia explorar. Joss Whedon esteve bastante atuante no desenvolvimento do programa, escrevendo o roteiro de três episódios, investindo como produtor executivo e showrunner, e mostrou já na primeira temporada o que havia planejado para o longa de 1992.

No primeiro episódio, “Bem-vindo à Boca do Inferno“, dirigido por Charles Martin Smith, Buffy Summers (Sarah Michelle Gellar) chega a Sunnydale, depois de ter sido expulsa da Hemery High, em Los Angeles, por ter incendiado o ginásio – algo que ficou de fora, mas era pretendido no roteiro do filme. Ela se muda com sua mãe solteira Joyce (Kristine Sutherland), bem mais protetora que a equivalente no longa, e conhece aqueles que se tornarão seus grandes amigos do ensino médio: o apaixonado Xander Harris (Nicholas Brendon) e a interessada no rapaz, Willow Rosenberg (Alyson Hannigan). Buffy já sabe que era a Escolhida, aquela que fora designada para enfrentar as forças do mal, mas acredita que a mudança pode fazê-la deixar esse passado como caçadora para trás, podendo ser uma estudante comum com interesses também comuns. Contudo, o destino a fez se mudar para a chamada Boca do Inferno!

Rupert Giles: Cave um pouco na história deste lugar e você encontrará um fluxo constante de ocorrências bastante estranhas. Acredito que toda essa área é o centro da energia mística, que as coisas gravitam em torno dela e que você pode não encontrar em outro lugar.
Buffy Summers: Como vampiros.
Rupert Giles: Como zumbis, lobisomens, íncubos, súcubos. Tudo o que você sempre temia e estava debaixo da cama, mas disse a si mesmo que não poderia sair à luz do dia. Eles são todos reais.

Depois de ignorar as tentativas de amizade da fútil Cordélia Chase (Charisma Carpenter), a personificação da antiga Buffy, a garota conhece sua nova Sentinela, Rupert Giles (Anthony Head), que trabalha na biblioteca da escola Sunnydale High. É ele que diz que o local é um centro místico, que atrai forças ocultas e seres maléficos e que a Caçadora não deve fugir a seu destino. Mesmo com um pouco de resistência, Buffy percebe que estudantes estão sendo encontrados mortos e que vai precisar usar habilidades em artes marciais e força para enfrentar as criaturas que atacam no local. Uma dessas e a primeira a aparecer na série é a carismática vilã Darla (Julie Benz), que assim como o forçudo vampiro Luke (Brian Thompson), sabe que a Colheita irá acontecer em breve e ela permitirá que o Mestre (Mark Metcalf) possa sair de sua prisão subterrânea para trazer o Inferno à Terra.

Buffy Summers: Então, Giles, tem alguma coisa que possa piorar este dia?
Rupert Giles: Que tal o fim do mundo?
Buffy Summers: Sabia que podia contar com você.

Outro que aparece discretamente mas já atrai olhares curiosos da caçadora é Angel (David Boreanaz), um rapaz que se esconde nas sombras e também faz o alerta sobre a ameaça da Colheita. Ele será personagem recorrente de algumas temporadas, como o principal interesse amoroso de Buffy, escondendo uma maldição que o atormenta há bastante tempo. Neste e no seguinte, há uma participação rápida de Eric Balfour (de O Massacre da Serra Elétrica, 2003), como o amigo de Xander e que será vampirizado para atrair os jovens aos esgotos. A tal Colheita é o título do segundo episódio, dirigido por John T. Kretchmer, e também com roteiro de Whedon, e faz referência a um vampiro receptáculo, o forçudo Luke, e que precisa sugar o maior número possível de vítimas para dar poder ao Mestre e permitir sua subida. Ele o faz no Bronze, uma casa noturna bastante frequente na série, um local onde os personagens interagem, se relacionam e enfrentam ameaças.

A partir do terceiro episódio, “Bruxa“, de Stephen Cragg, e roteiro de Dana Reston, a série passa a adotar os tradicionais “monstros da semana“. Nele, Buffy tenta ter uma vida de adolescente normal e entrar para a equipe de líderes de torcida, sem saber que suas adversárias começarão a sofrer “acidentes” estranhos, como combustão espontânea, dando indícios que existe alguma força agindo contra as garotas. Inicialmente, o grupo acredita que Amy Madison (Elizabeth Anne Allen) possa vir a ser tal bruxa, mas depois descobre que a mãe dela, Catherine (Robin Riker), realizou um feitiço de troca de corpos para voltar a competir como torcedora. Um enredo bem fraquinho, mas que se conecta com a Buffy do filme, apresenta Amy, que terá importância na segunda e sexta temporadas, e como a série irá trabalhar com magias e rituais.

Em “Mascote do Professor“, de Bruce Seth Green, e roteiro de David Greenwalt, o professor de ciências Gregory (William Monaghan), o primeiro a dar valor a Buffy pelo potencial estudioso, é assassinado, sendo encontrado sem cabeça. A professora substituta Natalie French (Musetta Vander) encanta Xander, que começa a se aproximar dela para estudos fora do horário de aula. Quando vampiros começam a temer a Sra.French, logo Buffy percebe que ela na verdade é um louva-a-deus gigante, que irá aprisionar o garoto para fazer sexo e matá-lo, cabendo ao grupo descobrir onde ela mora e resgatar o amigo. Os efeitos especiais deixam a desejar, com aspecto de roupa de borracha: usaram o mesmo adereço visto na série Babylon 5 (1993), e que curiosamente contou com a atriz Musetta Vander. Ainda assim, é um episódio divertido, centrado em Xander.

No quinto episódio, “Nunca mate um garoto no primeiro encontro“, de David Semel, a partir de argumento de Rob Des Hotel & Dean Batali, Giles informa sobre uma profecia que irá acontecer naquela noite, quando cinco pessoas serão mortas e delas surgirá o Messias, aquele que conduzirá o Mestre para cima. Buffy se interessará pelo jovem Owen (Christopher Wiehl) ao mesmo tempo em que tem obrigações com a possível vinda do tal Ungido, depois que um acidente de ônibus mata seus passageiros pelo ataque de vampiros. O grupo vai ao necrotério entre encontros e desencontros, acreditando que dali virá a ameaça, sem saber que o garoto Collin (Andrew J. Ferchland), que estava no ônibus, é que terá essa função. Episódio interessante, com exploração da Ordem de Aurélio, e que irá provocar a profecia no final da temporada.

Xander volta a ter evidência no episódio “A Matilha“, novamente dirigido por Bruce Seth Green e com roteiro a cargo de Matt Kiene e Joe Reinkemeyer. Uma excursão escolar ao zoológico leva Xander e um grupo de jovens ao local das hienas, oriundas da África. Possuído com os demais, Xander começa a ter comportamento estranho, destratando Willow na escola e se alimentando de um porquinho, mascote do diretor. À exceção de Xander, os garotos chegam a devorar o diretor Bob Flutie (Ken Lerner) até Giles e Buffy descobrirem que o zelador pretende realizar um ritual para adquirir os poderes dos animais. Este é um dos episódios favoritos de Joss Whedon e nota-se por que: é interessante por ser quase todo ambientado na escola, mostrando uma partida de queimada e outras situações em sala de aula, nos corredores e no pátio. Entre os jovens da matilha vale a pena perceber o rosto de Eion Bailey, que depois seria bem conhecido atuando inclusive na série From.

Angel: Quando você se torna um vampiro, o demônio leva seu corpo, mas não pega sua alma. Isso se foi. Sem consciência, sem remorso… É uma maneira fácil de viver. Você não tem ideia de como é ter feito as coisas que eu fiz… e lembrar.

Finalmente a identidade secreta de Angel é revelada no episódio que leva seu nome e teve direção de Scott Brazil e roteiro de Greenwalt. Enquanto o Mestre envia três vampiros guerreiros para matar Buffy, a garota descobre que o rapaz é, na verdade, um vampiro de dois séculos, anteriormente conhecido como Angelus. Em um dos melhores episódios da temporada, a principal ameaça é Darla, que consegue confundir Buffy ao fazê-la achar que a mãe fora atacada por Angel, e depois promove um ataque com armas de fogo – algo raro na série – no Bronze até ser pulverizada pela estaca da Caçadora – um dos grandes pecados do programa, eu diria, tanto que depois ela seria trazida de volta na série Angel. Neste também sabemos que os vampiros só podem entrar se convidados e também sobre a questão da alma e que Angel foi amaldiçoado a tê-la de volta, com a memória de tudo o que fez.

Depois do excelente episódio anterior, o seguinte, “Eu, Robô… Você, Jane“, de Stephen Posey, com argumento de Ashley Gable e Thomas A. Swyden, explorou um “monstro da semana” levemente interessante. Iniciando em 1418, com o aprisionamento do demônio Moloch (Mark Deakins) a um livro, as ações partem para a chegada dele à biblioteca, quando os alunos passam a digitalizar as publicações, rendendo discussões sobre tecnologia x livros, além dos perigos das redes sociais, quando Willow começa a dialogar com o demônio digitalizado, achando se tratar de um tal Malcolm. Enquanto ela é influenciada pelas conversas pelo computador, outros como Dave (Chad Lindberg) e Fritz (Jamison Ryan), passam a agir de maneira estranha em um processo de reconstrução de Moloch. Primeira aparição da professora Jenny Calendar (Robia Scott), que tem um passado obscuro e passa aos poucos a se envolver com Giles. Bom episódio, principalmente no confronto final com o robô, em uma ação conjunta com Giles e Calendar.

Diretor Snyder: As crianças de hoje precisam de disciplina. É uma palavra impopular nos dias de hoje: disciplina. Eu sei que o diretor Flutie teria dito: “As crianças precisam de compreensão. As crianças são seres humanos.” Esse é o tipo de pensamento liberal confuso que o leva a ser comido.

Mas, eu curti bem mais o episódio seguinte, “O show de marionetes“, de Ellen S. Pressman, e roteiro de Rob Des Hotel & Dean Batali, sobre o show de talentos da escola, tendo a participação do estranho garoto Morgan (Rich Werner), que aparentemente comanda o boneco Sid (Tom Wyner). Giles é obrigado a dirigir os estudantes na apresentação, enquanto Snyder (Armin Shimerman), o novo diretor, obriga Xander e Willow a participar ao lado de Cordélia. Na verdade, Sid tem vida própria, mas não é o vilão do episódio como se imagina, em um interessante plot twist. Há referências ao Iluminado, de Stephen King, quando Xander diz “Redrum“, e lembra outros filmes sobre bonecos malditos como Na Solidão da Noite, de 1945, em um dos segmentos.

Diretor Snyder: Há coisas que não vou tolerar: alunos vagando no campus depois da escola, assassinatos horríveis com corações sendo removidos e jovens fumando.

Bruce Seth Green também dirige o décimo episódio, “Pesadelos“, com argumento de Joss Whedon. Nele, os pesadelos dos estudantes da Sunnydale High começam a se tornar reais como aranhas aparecendo em um livro; Xander aparece nu em frente à turma e depois é perseguido por um palhaço; Willow precisa se apresentar a uma plateia como cantora; Cordélia tem problemas com o próprio visual; Giles não consegue ler; e Buffy reencontra o pai, Hank (Dean Butler), que  a menospreza, dizendo que tem vergonha de tê-la como filha. Tudo está relacionado a um garoto em coma, Billy (Jeremy Foley), visto durante os pesadelos, e que ficou neste estado devido a uma ação de seu treinador. Episódio que diverte pelo tom apocalíptico, quando Buffy revela que um outro pesadelo seu é encontrar o Mestre, algo que acontece no universo onírico.

A metáfora da estudante invisível é abordada no penúltimo episódio da temporada, o fraco “Fora da mente, fora da vista“, de Reza Badiyi, e que teve argumento de Whedon, mas não o roteiro. Tem a participação da reconhecida Clea DuVall como Marcie, uma jovem que, por ser constantemente ignorada, simplesmente se transforma em um fantasma, passando a maltratar as colegas de Cordélia para posteriomente agir contra ela, sua principal vítima. Este é o primeiro episódio que humaniza Cordélia e a aproxima do grupo principal de caçadores, algo que passaria a ser frequente a partir do último desta temporada. Curiosamente, Sarah Michelle Gellar e Clea DuVall não se viram nos sets de filmagem porque não atuaram em nenhum momento juntas, mas voltariam a estrelar algo em comum em O Grito (The Grudge, 2004).

Por fim, a temporada se conclui com o ótimo “Garota da Profecia“, com roteiro e direção de Joss Whedon. Giles descobre através de um livro dado por Angel que Buffy terá um encontro com o Mestre e será morta. Quando um terremoto atinge Sunnydale e sangue começa a verter das torneiras, Buffy passa a acreditar em seu fatídico destino, e, lembrando que tem apenas 16 anos, tenta a todo custo não sucumbir à profecia. Mas, quando alunos começam a morrer e Giles se oferece para o confronto, Buffy se entrega ao Messias e este o conduz a um encontro com o Mestre. Se ela não tivesse aceitado seu destino e ido ao encontro dele, nada iria acontecer. No confronto, ela mordida e morta pelo líder dos vampiros, enquanto um demônio emerge na Bibilioteca, revelando que ali é o epicentro da Boca do Inferno. Ótimo episódio pelo tom apocalíptico, por colocar todos os personagens em ação, pela dinâmica que promove momentos de drama e combate, incluindo o combate final com o Mestre.

Assim, apesar de estar longe de ser perfeita – algo que a segunda e terceira temporada conseguiriam praticamente atingir -, a primeira temporada de Buffy é um pontapé inicial curioso, com apresentação de personagens e do formato da série. Poderia ter efeitos melhores – curiosamente o episódio inicial concorreu ao Primetime Emmy Award de Melhor Maquiagem -, sair um pouco do trash como acontece em alguns momentos na configuração do louva-deus e da hiena, mas diverte como ponto de partida, fazendo com que os fãs de horror e vampiros anseiem por mais. Algo que aconteceria de maneira muito melhor a partir de então.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 0 / 5. Número de votos: 0

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *