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Comando Assassino / Instinto Fatal
Original:Monkey Shines
Ano:1988•País:EUA
Direção:George A. Romero
Roteiro:George A. Romero, Michael Stewart
Produção:Charles Evans
Elenco:Jason Beghe, John Pankow, Kate McNeil, Joyce Van Patten, Christine Forrest, Stephen Root, Stanley Tucci, Janine Turner, William Newman, Tudi Wiggins

O universo cinematográfico de Romero vai além dos zumbis comedores de carne humana. Vale conhecer outros de seus trabalhos metafóricos e que também evidenciam crítica social como o vampírico Martin (1979) e os psicológicos A Metade Negra (1993) e A Máscara do Terror (2000), além de Comando Assassino aka Instinto Fatal (Monkey Shrines, 1988), um de seus filmes considerados pelo próprio cineasta mais complicados na realização. Inspirado num romance britânico de Michael Stewart, lançado em 1983, trata-se do segundo filme de George A.Romero produzido por um grande estúdio — o primeiro foi Creepshow – Show de Horrores (1982) — e um dos maiores orçamentos dispostos (US$7 milhões de dólares).

Apesar de contar com um ótimo investimento e tendo economizado nas filmagens ao mudar o cenário inglês para a tradicional Pittsburgh do cineasta, o filme foi muito mal nas bilheterias, conquistando pouco mais de US$5 milhões durante suas 22 semanas em exibição nos EUA. Romero atribuiu ao fracasso a mudança sugerida pela Orion Pictures para o final, extraindo a ideia pessimista da obra original para uma absurda conclusão feliz. Alguns críticos apontam também como problema a longa duração do filme, com suas 1h53 minutos, com gordura em excesso para um thriller que poderia ser mais enxuto. Não vejo problema na duração e não vi cenas desnecessárias nele, mas concordo em absoluto com o final idiota, um dos piores da carreira do diretor, e também aponto a atuação exageradamente expressiva de Jason Beghe, não sabendo lidar com a carga dramática de seu personagem, parecendo por vezes caricato.

No enredo, o atleta Allan Mann (Beghe) se assusta com os latidos de um pastor alemão e é atropelado por um caminhão enquanto praticava jogging. O acidente o deixa tetraplégico, condicionando-o a uma cadeira de rodas com a tecnologia SNP e cuidados intensivos constantes. Com o afastamento de sua namorada Linda (Janine Turner), cortejada pelo médico que o operou,
Dr. John Wiseman (Stanley Tucci), Allan é ajudado pelo amigo cientista Geoffrey Fisher (John Pankow), que sugere que ele seja assistido por um macaco-prego, mesmo que o animal indicado seja um que faça parte de seus experimentos com soros, produzidos a partir de tecido humano e capazes de ampliar a capacidade cognitiva.

Allan já se mostrava desmotivado, tendo tentado até se matar, ainda mais pelos cuidados pouco interessados da enfermeira Maryanne Hodges (Christine Forrest) e sob o controle abusivo de sua mãe Dorothy (Joyce Van Patten). A macaquinha Ella lhe abre um leque de possibilidades até então limitadas, e ainda permite a aproximação da simpática treinadora de macacos de serviço Melanie Parker (Kate McNeil). O que parecia ser um retorno à tranquilidade começa a mudar quando Allan passa a se conectar mentalmente com o animal, servindo-lhe como um subconsciente agressivo, capaz de se vingar de quem o rapaz não gosta: o médico que não notou algo na fratura de Allan e ainda está com sua ex; o pássaro incômodo da enfermeira, além da própria, e até sua mãe.

Nesses momentos de conexão, Allan chega a “sonhar” que está se movimentando como Ella, com a câmera de Romero fazendo uso de uma visão em primeira pessoa, remetendo aos pesadelos de Um Lobisomem Americano em Londres, e ainda passa a sofrer mudanças na própria dentição, com os caninos avantajados e Beghe fazendo questão de expô-los a cada abertura de boca. É claro que a nova condição irá incomodar Melanie e revelar a verdade sobre os experimentos de Geoffrey, no laboratório de Dean Burbage (Stephen Root), e o protagonista terá que encontrar meios de impedir que a macaquinha faça mais vítimas.

Mesmo com os problemas que me incomodaram, principalmente o final inverossímil, Monkey Shrines é mais um dos interessantes thrillers psicológicos envolvendo macacos assassinos, tal qual o anterior Link – O Animal Assassino (1988). Há cenas de suspense intenso como a da injeção no rosto de Melanie e a briga entre o animal e Geoffrey, assim como as tradicionais facilidades do enredo para que tudo ocorra bem para o protagonista. Deixa dúvidas de como foram explicadas as tragédias no local, se mesmo convencendo a polícia sobre as ações da macaquinha, ela ainda assim estava sob o controle de Allan, o que deveria resultar em um apontamento de responsabilidade.

Distante dos melhores trabalhos de Romero, ainda tem importância em sua trajetória cinematográfica, mostrando versatilidade além das temáticas apocalípticas. Foi lançado em DVD pela Versátil no box Obras-Primas do Terror – Animais em Fúria – Anos 80, contendo cenas excluídas e um final alternativo que mostra um momento posterior ao oficial, com um acréscimo que deixaria a produção com aspectos trashes.

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