![]() Resurrection Road
Original:Resurrection Road
Ano:2025•País:EUA Direção:Ashley Cahill Roteiro:Ashley Cahill Produção:Talia Bella, Pantea Ghaderi, Randy Wayne Elenco:Michael Madsen, Malcolm Goodwin, Randy Wayne, Ronnie Gene Blevins, Jeff Daniel Phillips, Okea Eme-Akwari, Randall J. Bacon Triana Browne, Furly Mac, Bryan Whorton |
Depois de conferir o horror nacional A Própria Carne (2025), fica até mais fácil se interessar pela “estrada da ressurreição“, de Ashley Cahill. O contexto da guerra — no caso aqui a Guerra Civil Americana —, algo que já dialoga com o mórbido, e a associação a um enredo sobrenatural, é sempre bem-vindo no gênero, com diversos exemplares envoltos em entretenimento. Pesa positivamente para a balança a presença saudosa de Michael Madsen (1957-2025) em um de seus últimos trabalhos, garantindo pelo menos a curiosidade de vê-lo mais uma vez em cena como um vilão da voz gutural e presença imponente. Infelizmente, o percurso não vale tão a pena assim, resultando em mais um Filme B, embebido em um líquido viscoso trash.
Ambientado em 1863, o longa apresenta o ex-escravo Barabbas (Malcolm Goodwin, sempre com o olhar esbugalhado), induzido a liderar uma infantaria extraoficial para tomar o Forte Defiance, no Arkansas, na fronteira de um território indígena, tendo como troca o perdão presidencial, 40 acres e uma mula. Seus soldados, Washington (Okea Eme-Akwari), Cuffy (Furly Mac), Steven (Randall J. Bacon), Blunt (Davonte Burse) e Abe Rossmore (Bryan Taronn Jones), precisam se atentar ao objetivo ao mesmo tempo que sabem que ameaças circundam as matas, indo além da própria guerra: além dos confederados, do racismo pelo período em questão, uma delas é apelidada pelos indígenas como “Bad Juju“, uma entidade que vive nas florestas e aparece à noite, descrita como “o próprio diabo“.

Tsula (Triana Browne), a sobrevivente Cherokee de um massacre, posteriormente se une ao grupo que se reduz consideravelmente após ataques de soldados e pescoços rasgados por algo à espreita. Até esse momento, Resurrection Road se mostrava eficiente, ainda que todo realizado à luz do dia, sem uma atmosfera de horror genuíno. Poderia figurar numa galeria de produções curiosas, feitas com orçamento limitado, com aposta absoluta no sugerido. No entanto, alguns flashbacks contextualizam o passado de Skip, apelido de Barabbas, para mostrar uma profundidade desnecessária, relacionada a perda da esposa grávida nas ações do sádico Quantrill (Madsen).
É claro que Madsen, mesmo com problemas de locomoção, não estamparia a capa para apenas uma cena. Quando chegam ao Forte, encontram-no completamente vazio à exceção de vampiros que já invadiram o local, deixaram seus caixões em algum canto, e querem o sangue dos visitantes. Como se trata de uma produção independente, o elenco vampiresco é o mesmo visto nos ataques dos soldados, e eles sempre atacam sozinhos, não permitindo que o infernauta compreenda a natureza da ameaça. E o líder, óbvio, é Quantrill, que esperará o momento oportuno (lê-se “morreram todos os demais e ele precisa aprisionar o protagonista por uma razão inexplicável“) para dar às caras.
Imagina-se que todo os recursos financeiros foram para a conta de Madsen e para a iluminação noturna exagerada, pois o próprio cenário é vexatório ao utilizar um fundo desenhado e canhões de isopor. Todo o último ato destrói a concepção sugerida pela exposição de vampiros clichês, nunca figurando como verdadeiras ameaças. Fiquei esperando que a tal “Bad Juju” fosse surgir como um elemento a mais de infortúnio para os personagens, mas não é o que acontece.
Madsen parece ter filmado suas cenas no quintal de casa, com acessórios cênicos que se assemelham ao que foi mostrado em Monster Mash. Em declínio na última década, o ator encerrou a carreira com coisas como DinoGator e Shark Season, bem aquém de sua capacidade interpretativa. Mesmo assim, talvez ele e o contexto da guerra sejam os únicos motivos para que você se interesse pelos mortos-vivos insossos de Ashley Cahill.




