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Turno Maldito
Original:Night Shift
Ano:2023•País:EUA
Direção:Paul China, Benjamin China
Roteiro:Paul China, Benjamin China
Produção:Bradley Pilz, Eric B. Fleischman, John Hodges, Chris Abernathy, Dennis Rainaldi
Elenco:Phoebe Tonkin, Lamorne Morris, Madison Hu, Patrick Fischler, Lauren Bowles, Christopher Denham

Há algo de incômodo em pousadas no meio da estrada. Talvez a sensação primitiva de dormir fora de casa, talvez a insegurança sobre as condições sanitárias do local, ou mesmo a vulnerabilidade de ninguém saber nosso paradeiro caso algum imprevisto aconteça, o fato é que hospedarias naturalmente nos despertam arrepios. Arrepios esses que mais uma vez são evocados no filme Turno Maldito, dirigido por Paul e Benjamin China e estrelado por Phoebe Tonkin.

Tonkin aqui interpreta Gwen, uma garota que aceita o emprego de recepcionista do período noturno na pousada All Tucked Inn (belo trocadilho, por sinal), que é administrada pelo divertido Teddy (Lamorne Miles). Teddy apresenta o local a Gwen, informando que o movimento é baixo, não existe sinal e não há segurança (nem um pouco suspeito), deixando a jovem sozinha até o fim do turno. Como desgraça pouca é bobagem, ela acaba descobrindo que o hotel é considerado um dos mais assombrados do país e adivinha? Um assassino acaba de escapar de um hospital psiquiátrico local. Será que nossa heroína conseguirá sobreviver até de manhã?

Com esse plot originalíssimo, fui conferir Turno Maldito com poucas expectativas, e os primeiros 30 minutos realmente conseguiram prender minha atenção. Más condições de higiene, clientes suspeitos e telefones que tocam sozinhos vão lentamente construindo a ideia de que algo de errado não está certo (a suspensão de descrença ligada desde o primeiro minuto, pois não consigo imaginar um emprego mais improvável para uma jovem aceitar). Gosto do personagem de Lamorne Miles, suspeitíssimo em seu bom humor em uma situação tão esquisita, e da garota peculiar interpretada por Madison Hu, aparentemente envolvida em alguma atividade não-ortodoxa no quarto 6.

Infelizmente, o filme degringola do segundo ato em diante, com uma série de decisões absurdas, tanto da direção quanto dos personagens. Particularmente gosto de jumpscares bem executados, mas a sequência de sustos infantis com fantasmas terrivelmente maquiados me incomodou bastante (francamente, ninguém suporta mais o clichê de espíritos que se aproximam toda vez que olhamos e desviamos o olhar de uma câmera). A óbvia arma de Chekhov exemplificada na figura do machado é repetida tantas vezes que dá vontade de avisar o diretor que já tinha dado para entender na primeira. O drama das personagens é entediante, fazendo o curto filme durar uma eternidade.

ALERTA DE SPOILERS! PROSSIGA POR SUA CONTA E RISCO!

O ato final, então, vira uma loucura sem tamanho. Até achei interessante o plot twist da insanidade de Gwen, mas algo assim já era previsível quando a direção reforça tantas vezes que a garota “esquece” uma tesoura na pia. O que poderia ser um encerramento minimamente memorável descamba para a aleatoriedade quando a garota simplesmente se transforma em uma serial killer que trucida todos em seu caminho. Todos os minutos gastos explicando seu background com a família? Pode jogar tudo no lixo, temos uma nova Jason Voorhees aqui.

Não esperava muito de Turno Maldito, e o filme realmente poderia ser um conto intrigante se conseguisse manter o ritmo inicial. Infelizmente, decisões erradas enterraram a produção, e o resultado final é esquecível. Não recomendo.

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