![]() Distant / Long Distance
Original:Distant / Long Distance
Ano:2024•País:EUA, Índia Direção:Will Speck, Josh Gordon Roteiro:Spenser Cohen Produção:Fred Berger, Anna Halberg, Brian Kavanaugh-Jones Elenco:Anthony Ramos, Naomi Scott, Kristofer Hivju, Zachary Quinto, Izzy Jones, Leon Nurse-Joseph, Milan Walls-Smith |
O horror monstruoso Entre Montanhas (Gorge, 2025) talvez não tivesse uma aceitação tão — digamos — razoável, se Distant aka Long Distance (2024) chegasse mais cedo às plataformas de streaming. O filme de Scott Derrickson seria considerado uma versão mais cara e inspirada da ficção científica co-dirigida por Will Speck e Josh Gordon. O problema foi o longo processo de pós-produção e a baixa confiança da Universal Pictures, entre inúmeros adiamentos até o lançamento diretamente na plataforma Hulu. Distant foi rodado em 2020, durante a pandemia, em Budapeste, na Hungria, e ficou previsto de estrear inicialmente em 11 de março de 2022, sendo adiado para setembro do mesmo ano, depois janeiro de 2023. Por fim, o longa somente estreou nos cinemas no Vietnã em 12 de julho de 2024 para futuramente alcançar a Hulu, sem aviso, em 3 de julho de 2025.
Quando isso acontece, o infernauta já sabe que se trata de um filme ruim ou que a distribuidora não viu potencial de estreia. No entanto, eu me diverti muito mais com Distant do que com a relação insossa de Anya Taylor-Joy e Miles Teller. Pelo menos o protagonista, Anthony Ramos (de Godzilla II: Rei dos Monstros, Transformers: O Despertar das Feras e Twisters), é mais carismático e mais com um jeito de “pessoa comum em situação de risco“, o que torna a experiência melhor. E os efeitos são bons, os monstros são bem convincentes, ainda que as facilidades do roteiro de Spenser Cohen estejam tudo ali, bem evidentes.
A nave de mineração Borealis trafegava pelo espaço com seus duzentos tripulantes em estado de sono criogênico até ser atingida por um asteroide. O minerador Andy Ramirez (Ramos) acorda no momento certo para o processo de evacuação numa cápsula de fuga, sobrevivendo à queda em um planeta hostil, habitado por criaturas que parecem aranhas, com caudas de escorpião. Orientado pelo sistema de navegação L.E.O.N.A.R.D. (na voz de Zachary Quinto, de American Horror Story), uma inteligência artificial ultrapassada, ele nota que seu tanque de oxigênio está em estado crítico e precisa encontrar meios de sobreviver ou outros sobreviventes.
Um deles é o experiente Dwayne (Kristofer Hivju, de Game of Thrones e O Urso do Pó Branco), aparentemente com o controle da situação até desaparecer em poucos minutos no ataque de um dos monstros. Andy ouve a voz de outra sobrevivente, Naomi Calloway (Naomi Scott, de Sorria 2, 2024), localizada numa distância considerável, com a perna presa na cápsula, embora tenha ainda bastante oxigênio. O jovem astronauta, recém traumatizado pela perda da esposa, resolve embarcar numa missão para chegar até a moça falante, precisando para isso cruzar o planeta e diversos perigos e ameaças, sem qualquer arma que possa salvá-lo dos ataques.
Em basicamente todo o longa, o espectador só acompanha a jornada de Andy, conversando com Naomi, enquanto se esquiva dos perigos. Talvez seja essa aventura solitária que não tenha empolgado os produtores de Distant, mas considero um dos pontos altos da produção. Como o protagonista não é forte, não tem aspectos de um soldado, é mais fácil o público se preocupar com sua sobrevida até porque ele depende mais da sorte do que de suas próprias ações. E são essas facilidades do roteiro, situações óbvias que normalmente não aconteceriam, que incomodam ao mesmo tempo em que elas brincam com a narrativa. Distant é envolto em clichês e não pretende ir além de sua premissa, passando longe — desculpe o trocadilho — de se tornar uma história de amor improvável., como a que separa o inferno entre montanhas.
Vale a conferida como um entretenimento leve e bem feito, um filme de monstros em uma ambientação interessante.






