Godzilla II: Rei dos Monstros (2019)

Godzilla 2 - Rei dos Monstros
Original:Godzilla: King of the Monsters
Ano:2019•País:EUA, Japão
Direção:Michael Dougherty
Roteiro:Michael Dougherty, Zach Shields, Max Borenstein
Produção:Alex Garcia, Jon Jashni, Mary Parent, Brian Rogers, Thomas Tull
Elenco:Kyle Chandler, Vera Farmiga, Millie Bobby Brown, Ken Watanabe, Ziyi Zhang, Bradley Whitford, Sally Hawkins, Charles Dance, Thomas Middleditch, Aisha Hinds, O'Shea Jackson Jr., David Strathairn, Anthony Ramos, Elizabeth Ludlow

Vida longa ao Rei“. A fala da Dra. Emma Russell (Vera Farmiga) poderia ter sido dita por um dos personagens do último episódio de Game of Thrones, exibido recentemente pelo canal HBO, mas é uma reverência digna ao Rei dos Monstros Godzilla, remetendo a uma clássica proclamação de um novo monarca, despontada no início do reinado de Carlos VII da França, em 1422. E é uma longa vida realmente, se levar em consideração que Godzilla II: Rei dos Monstros é o 35º filme com o monstro gigante, evidenciando a admiração e o respeito que o cinema sempre teve por ele. E todos os adjetivos hiperbólicos são justificáveis pelo trato dado ao projeto pela Warner Bros. em parceria com a Legendary Entertainment e a Wanda Qingdao Studios, em uma notável evolução em relação ao filme Godzilla, de 2014.

O primeiro longa, dirigido por Gareth Edwards, partiu de um drama familiar e a busca por justiça para uma batalha grandiosa do exército americano contra o próprio Godzilla e contra dois MUTOS, monstros que se alimentavam de radiação e tentavam se aproximar um do outro com o propósito de procriar. Assim, a produção, estrelada por Aaron Taylor-Johnson e Elizabeth Olsen, brilhou com uma fotografia escura e belos takes dos monstros vistos por baixo, para expor sua capacidade ameaçadora, mas, por vezes, esquivou-se das aguardadas lutas, mostradas apenas sutilmente e nos minutos finais. De qualquer modo, é um filme divertido e que foi muito bem nas bilheterias, alcançando cinco vezes mais do que custou, o que inevitavelmente iria promover continuações. A surpresa veio com o lançamento de Kong: A Ilha da Caveira, de 2017, que, ao apresentar detalhes da empresa Monarca, que estuda monstros gigantes, estabeleceu uma interessante conexão com o primeiro filme e antecipou o lançamento de Godzilla II e o encontro com King Kong em 2020.

Assim, depois da tradicional dança das cadeiras – quando o projeto passa por vários roteiristas e diretores -, a primeira boa notícia da continuação veio com o anúncio que Michael Dougherty (Contos do Dia das Bruxas e Krampus: O Terror do Natal) iria comandá-lo. Sem o retorno do elenco original, à exceção do velho conhecido do monstro gigante Dr. Ishiro Serizawa (Ken Watanabe), Godzilla II: Rei dos Monstros teve a fotografia principal realizada entre junho e setembro de 2017, já com a perspectiva de lançamento para o primeiro semestre de 2019. O filme está chegando hoje aos cinemas brasileiros, num período de muitas estreias e produções curiosas em cartaz, mas tem grandes chances de repetir o sucesso do anterior e abrir as imensas portas da Ilha da Caveira para o maior encontro entre titãs!

Embora comece também com um drama familiar, no caso o da família Russell, incluindo o pai Mark (Kyle Chandler) e a filha Madison (Millie Bobby Brown), que perdeu o caçula durante as destruições de 2014, o novo filme não demora muito para mostrar Godzilla e outros monstros em cena. Desde a perda, a Dra. Emma tem desenvolvido um sistema de estudo dos sons emitidos pelas criaturas gigantes, acreditando que ele seja capaz de domá-las se forem mapeados e sincronizados. Durante o teste num dos complexos da Monarca, onde fora encontrado um enorme casulo, a criatura, que os mais íntimos da franquia irão reconhecer como Mothra, e a equipe são atacadas por um esquadrão de ecoterroristas, liderados por Jonah Alan (Charles Dance), enquanto Emma e a filha são sequestradas.

Longe dali, pesquisando a vida secreta dos lobos, Mark é convocado para ajudar a resgatar sua família e encontrar o equipamento, sem saber que os propósitos dos inimigos é apocalíptico pela intenção de despertar outros monstros como o alado Rodan, que vive num vulcão, e o terrível King Ghidorah, um dragão de três cabeças que parece ser a criatura alfa e a mais poderosa ameaça ao planeta. Para ajudá-los nessa guerra de grandes proporções, a solução talvez seja trazer de volta Godzilla para restabelecer o equilíbrio e preservar a vida humana.

Como se pode notar, o enredo, a cargo de Dougherty e Zach Shields, a partir de um argumento desenvolvido por ambos e Max Borenstein, é bem simples, bastando apenas convidar todos os monstros para uma festa e deixá-los se enfrentar para delírio do público presente. Contudo, o interessante é que os humanos desta vez não querem apenas ser coadjuvantes e acabam se envolvendo nas batalhas, tendo consciência sobre qual seria o lado certo, com base na experiência de 2014. Deste modo, as cenas de ação são intensas, e a equipe de efeitos especiais faz um trabalho tecnicamente perfeito, apoiado pela boa trilha sonora e pela ótima fotografia de Lawrence Sher, que não é tão escura quanto a do primeiro filme, permitindo ao espectador acompanhar com clareza os acontecimentos.

E é claro que a grande atração será o encontro entre Mothra, Ghidorah e Godzilla. As sequências de combate são muito boas e duram o tempo suficiente para envolver o espectador. A caracterização das criaturas é bastante similar aos conceitos desenvolvidos originalmente pela Toho, respeitando os filmes clássicos e até mesmo as origens, por exemplo, de Ghidorah, o único monstro extraterrestre. Mothra é de uma concepção visual maravilhosa, com destaque para o momento em que abre suas asas brilhantes!

Mesmo com todas essas qualidades, Godzilla II: Rei dos Monstros não consegue se esquivar dos clichês. Seja pela prepotência americana de se mostrar como única nação do mundo, ou as facilidades em que personagens migram de um território para outro como acontece na fuga de Madison, seja pela velha ideia de mostrar um casal separado por uma tragédia, depois se unindo devido ao incidente proposto pelo roteiro, e até mesmo aquele que irá se sacrificar pelo bem maior. Não se pode nem ignorar as razões pouco práticas do invento da Dra. Emma, coincidentemente pronto para funcionar no momento em que Mothra começava a nascer. Sabe-se lá como ela conseguiu ter certeza que estava pronto sem testá-lo eficientemente com nenhuma criatura.

Resgatando boas discussões sobre a ameaça do poderio bélico desenfreado e as consequências que o uso de armas nucleares pode trazer para o mundo, como blockbuster-pipoca, o novo Godzilla funciona bem e deve divertir o público que for acompanhá-lo nos cinemas. Aliás, é o único lugar ideal para apreciá-lo com todas as suas grandezas, preferencialmente numa tela imensa e com boa qualidade de som. Só assim para saudar o Rei em sua mais nova aventura, acompanhado de monstros fantásticos e que fizeram parte de sua trajetória incrível no cinema universal.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

3 comentários em “Godzilla II: Rei dos Monstros (2019)

  • 02/06/2019 em 10:54
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    Crítica incrível, fiquei com mais vontade ainda de ver o filme.

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  • 01/06/2019 em 10:04
    Permalink

    Tem spoiler na crítica? Vou ver nos cinemas amanhã e queria ler antes, porém sem spoiler.

    Resposta

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