![]() O Duende 5 / O Duende Assassino: A Maldição
Original:Leprechaun in the Hood
Ano:2000•País:EUA Direção:Rob Spera Roteiro:Rob Spera, William Wells, Alan Reynolds, Jon Huffman, Doug Hall Produção:Darin Spillman, Mike Upton, Bruce Eisen Elenco:Warwick Davis, Ice-T, Anthony Montgomery, Rashaan Nall, Red Grant, Dan Martin, Lobo Sebastian, Ivory Ocean, Jack Ong, Barima McKnight, Bebe Drake |
O desastre cinematográfico conhecido como O Duende 4: No Espaço (Leprechaun 4: In Space, 1996) não trouxe as consequências necessárias para encerrar a franquia. E pior, mesmo com as críticas obviamente negativas, o diretor Brian Trenchard-Smith, também responsável pelo terceiro, queria estar a frente de mais um, sugerindo a Trimark que o Duende deveria aterrorizar a Casa Branca, numa sátira política a era Clinton. Felizmente a produtora não gostou da ideia, e partiu para um inevitável encontro entre a criatura mística e o gueto.
Se até O Duende Assassino (Leprechaun 3, 1995) o vilão falava de maneira rimada, por que não explorar essa característica associada ao hip-hop? Assim, um roteiro foi rascunhado por Doug Hall e Jon Huffman, a partir de uma trama elaborada por William Wells, Alan Reynolds e do diretor Rob Spera (de outras bombas como Witchcraft, 1988). Trata-se de um blaxploitation, tendo a figura do Duende (Warwick Davis) envolto em uma trama de ascensão musical e vingança, com toques bem-humorados. É bem melhor que o anterior, mas não se distancia dos filmes ruins da franquia.
Em algum período não especificado, Mack Daddy O’Nasses (Ice-T) e Slug (Barima McKnight) descobrem uma câmera secreta com ouros e um duende de pedra, com um medalhão parecido com o visto em O Duende Assassino. Enquanto Mack somente se interessa por uma flauta de ouro — dá indícios que já conhece seu poder, mas se especificar quando ele soube disso e como descobriu esse local —, Slug retira o medalhão, dando vida ao Duende. Slug é morto pela criatura, mas acidentalmente o medalhão cai no pescoço dela, fazendo-a voltar à condição de estátua.
Vinte anos depois, as ações são centradas no trio de rappers Postmaster P. (Anthony Montgomery), Stray Bullet (Rashaan Nall) e Butch (Red Grant), que sonham com o sucesso, mas são atrapalhados pela caixa de som destruída durante uma audição. Tentam vender uma guitarra, alegando que ela havia pertencido a Jimi Hendrix, mas não conseguem. Quando fazem uma apresentação para Mack, agora um produtor musical de sucesso, são criticados pelas letras pouco agressivas. Eles querem que suas músicas transmitam um conteúdo sobre cultura e educação, e não sobre violência, drogas e morte.
Rejeitados por Mack e conscientes do que ele possui em seu escritório, eles retornam ao local para roubá-lo, sendo surpreendidos pelo proprietário. Em pânico, Postmaster atira no peito de Mack, salvo pelo próprio colar, e rouba sua flauta, enquanto Butch liberta o Duende de seu estado — não sei a razão para Mack ter mantido a estátua com ele e ainda evidenciando o medalhão. Para ajudar em sua vingança e recuperar a flauta, o Duende torna um trio de mulheres como ajudantes-zumbis e sai em perseguição aos músicos em um concurso de hip-hop, tendo Mack também na cola.
Descobre-se que a tal flauta hipnotiza quem a ouve, algo que pode ajudar os rappers a alcançar o sucesso em Las Vegas, depois que são prestigiados numa apresentação ao Reverendo Hanson (Ivory Ocean). Outra ideia que alguém achou genial e colocou no roteiro: em dado momento, Butch, em visita a avó, faz um baseado com trevo de quatro folhas (aquele conceito abandonado desde o primeiro filme), dizendo que isso seria capaz de extrair os poderes do Duende. E é esse o nível do enredo, contando com o vilão sendo enganado pelos rappers vestidos de mulher até se tornar um produtor musical, reservando o momento de sua cantoria para quem conseguir alcançar os créditos.
O Duende 5, exibido na TV como O Duende Assassino: A Maldição, é mais uma ofensa à performance de Warwick Davis. Fica claro aqui que o roteiro foi escrito durante as filmagens, repletas de improvisos, equívocos e falta de coerência. Basicamente, fizeram algumas composições e aproveitaram a boa fase do ritmo musical como justificativa de mais um filme do Duende. A criatura, que já se mostrou poderosa e ameaçadora, está com mais piadinhas do que de costume, e parece ter se encaixado bem ao mundo do hip-hop numa esquete alongada demais para divertir. E curiosamente, à exceção das três mulheres enfeitiçadas pelo Duende e da avó, não há personagens femininas no longa.
Último filme da Trimark Pictures, e também lançado diretamente em vídeo, O Duende 5 teve uma “continuação” no mesmo cenário, intitulada O Duende Perverso (Leprechaun 6: Back 2 Tha Hood, 2003), de Steven Ayromlooi — para os que gostam de perder tempo!






