![]() A Irmandade de Satanás
Original:The Brotherhood of Satan
Ano:1971•País:EUA Direção:Bernard McEveety Roteiro:L.Q. Jones, William Welch, Sean MacGregor Produção:L.Q. Jones, Alvy Moore Elenco:Strother Martin, L.Q. Jones, Charles Bateman, Ahna Capri, Charles Robinson, Alvy Moore, Helene Winston, Joyce Easton, Debi Storm, Jeff Williams, Judith McConnell, Robert Ward, Geri Reischl, Kevin McEveety, Alyson Moore |
A Irmandade de Satanás foi realizado na esteira do lançamento de O Bebê de Rosemary (1968), produção que colocou o tema “satanismo” na mesa ao narrar a história da jovem Rosemary, vítima de um culto satânico, numa narrativa que capturou o zeitgeist muito específico de paranoia e ruptura cultural no fim dos anos 1960. A temática passou a ser bastante utilizada neste período, e teve em A Irmandade de Satanás, lançado em 1971, um dos melhores resultados desta abordagem.
O longa de Bernard McEveety, no entanto, é um filme menor, bem menor, que o clássico de Roman Polanski, é preciso dizer. Nunca alcança seu nível de sofisticação psicológica – não chega nem perto -, mas guarda alguns bons momentos por baixo de sua aura de filme B televisivo, sendo uma daquelas competentes produções do período que oscilam entre um exploitation e uma narrativa competente, não sendo na prática nem uma coisa e nem outra.
No filme, uma família, formada por um pai, sua namorada e sua filha, se perdem na estrada durante uma viagem e buscam ajuda numa cidade que passa por uma onda de assassinatos de pais e mães, seguidos do sequestro de seus filhos. Aos poucos, descobre-se a ligação entre os crimes e um estranho culto local envolvendo os idosos da cidade. Diante da situação, o casal protagonista junta-se ao xerife, o padre e o médico da cidade para tentar desvendar o mistério e resgatar as crianças desaparecidas.
O que temos a partir de então é uma trama básica de culto satânico/sacrifícios rituais, bem à moda da época. Diferente do “pai” O Bebê de Rosemary, o “Irmandade” se difere ao não focar exatamente na “coação” de alguém para integrar o culto, mas no mistério envolvendo o desaparecimento das crianças.
Mesmo previsível em muitos momentos, o filme acerta na criação de atmosfera. Seu início, especialmente, evoca um sentimento de deslocamento eficaz, explorando bem as estradas vazias e o isolamento geográfico. Quando abraça de vez o elemento ritualístico, a narrativa encontra seus momentos mais interessantes — ainda que nunca ultrapasse o terreno do “bom o suficiente”.
E temos muitos outros momentos legais que seguram nosso interesse, como as cenas envolvendo o tal culto e o ato final, sinistro como deve ser. As interações entre personagens, especialmente os protagonistas, também são interessantes, dinâmicas e elucidativas, sem perda de tempo.
A Irmandade de Satanás é um dos três filmes realizados pelo cineasta Bernard McEveety, e o único do gênero terror. Possui muitas semelhanças com outros filmes do período, e parece ter lançado até certa influência em clássicos posteriores – os vislumbres do que viria a ser o Colheita Maldita (Stephen King) estão ali a todo momento. Teve ampla distribuição nos cinemas dos Estados Unidos e Canadá, e recebeu até uma adaptação literária, escrita pelo produtor e ator do filme, LQ Jones.
Com climas soturnos e uma teatralidade evidente, A Irmandade de Satanás é uma boa dica para os apreciadores de uma histeria satânica bem realizada, além de permanecer como um registro curioso de um período em que o horror flertava diretamente com os medos coletivos de seu tempo.






