![]() The Walking Dead: Dead City - 2ª Temporada
Original:The Walking Dead: Dead City - Season Two
Ano:2025•País:EUA Direção:Michael E. Satrazemis, Edward Ornelas, Lauren Cohan Roteiro:Charlie Adlard, Eli Jorne, Zoe Vitale, Keith Staskiewicz, Brenna Kouf, Sarah Nolen Produção:Joe Dinnen, Llewellyn Wells, Keith Staskiewicz, Sean Koffman Elenco:Jeffrey Dean Morgan, Lauren Cohan, Mahina Napoleon, Gaius Charles, Zeljko Ivanek, Logan Kim, Lisa Emery, Dascha Polanco, Keir Gilchrist, Kim Coates, Sean Seamus Thompson, Jasmin Walker, Pooya Mohseni, |
O que parecia improvável aconteceu na primeira temporada de The Walking Dead: Dead City, derivado da série The Walking Dead: Maggie (Lauren Cohan), que teve o amado morto numa das cenas mais brutais da série principal, uniu-se àquele que o matou, o vilão carismático Negan (Jeffrey Dean Morgan). A boa aceitação dos críticos, principalmente pela forma como mostrou uma Manhattan apocalíptica, com suas próprias leis, e sequências de tensão absoluta como a da travessia dos túneis escuros, justificaram uma sobrevida da série. Assim, em 22 de julho de 2025, foi ao ar a nova temporada, com desdobramentos surpreendentes pelo modo como a primeira terminou.
Na primeira, o filho de Maggie e Glen, Hershel Rhee (Logan Kim), foi sequestrado pelo Croata (Zeljko Ivanek), um ex-Salvador da gangue de Negan, durante a época do Santuário, e, com a ajuda de seus seguidores, chamados “burazis“, foi mantido no Madison Square Garden. Como Negan já o conhece, Maggie pede sua ajuda, ainda que ele já tenha sua própria dor de cabeça: a intensa perseguição do “xerife” Perlie Armstrong (Gaius Charles). Ao final duas descobertas trazem mais tensão à série: Maggie na verdade pediu a ajuda de Negan porque foi uma condição imposta pelo Croata para libertar seu filho; e Ginny (Mahina Napoleon), a adolescente que Negan cuidava como se fosse sua filha, era uma forma de redenção dele por ter matado o pai da jovem. Além dos burazis, aliados do Croata, a cidade também tem outros grupos como os Bricks, resquícios de Hilltop, e a Nova Babilônia, um local no continente que almeja invadir Manhattan para obter metanol. Por fim, o Croata apresentou Negan a Dama (Lisa Emery), que quer resgatar o velho Negan para ajudar na liderança e domínio. A temporada se encerrou com uma perspectiva de que Negan pudesse aceitar voltar aos tempos áureos, no surgimento de um novo Santuário.
Não foi o que aconteceu. O episódio inicial, “Power Equals Power“, de Michael E. Satrazemis, é ambientado um ano após os últimos acontecimentos, com Negan sendo mantido preso pelo Croata por não aceitar as condições da Dama, ficando numa cela sendo observado pelo violonista Victor (Logan Schmucker), com que faz uma amizade. Os Bricks se uniram à Nova Babilônia, incluindo Maggie, seu filho Hershel, Ginny e Perlie, agora na condição de Coronel. A federação do continente é liderada pela governadora Charlie Byrd (Jasmin Walker) e tem o apoio da intragável Major Lucia Narvaez (Dascha Polanco), que condena os renegados e aqueles que não aceitam lutar pela Nova Babilônia à forca em local público. Posicionadas as peças, uma milícia local pretende invadir a ilha para conquistar o metanol, enquanto Negan é coagido a ajudar a Dama, quando sua família, a esposa Annie e o filho Joshua, são ameaçados.
“Another Shitty Lesson” traz Negan com uma nova Lucille, seu taco de beisebol agora aprimorado com a opção de dar choque nas vítimas. Quando os burazis percebem a aproximação da Nova Babilônia numa embarcação pelo Rio Hudson, eles promovem um ataque com zumbis voando em catapultas e canhões e águas minadas. Negan percebe a fuga do barco de Maggie, Ginny e alguns soldados, e hesita no golpe, o que traz uma consequência mortal para Victor, na ação da Dama. Um dos sobreviventes é o historiador Benjamin Pierce (Keir Gilchrist), aceito pela Dama para que continue a contar a história local.
Os demais atravessam o Central Park, numa interessante sequência em que precisam passar por um matagal, repleto de zumbis, sem que consigam vê-los. De Edward Ornelas, “Why Did the Mainlanders Cross the River?”, o grupo de Maggie conhece os Forrageadores, uma tribo de sobreviventes liderada por Roksana (Pooya Mohseni) que vive no Hangar de Barcos Loeb. Cenas do passado mostram que Hershel se aproximou da Dama, enquanto esteve preso, numa boa relação de convivência, dando-lhe material de desenho e um propósito, algo que trará consequências no final da temporada. Com o apoio de Negan, mais preocupado no cuidado de Maggie e Ginny, os burazis tentam uma aliança com os asseclas de Bruegel (Kim Coates), que organiza entretenimento de luta entre zumbis, tendo um conhecido como Frankenstein, como grande vencedor — uma referência a Corrida Mortal —, e depois busca se aproximar de Christos (Jake Weary) nos episódios “Feisty Friendly” e “The Bird Always Knows“, já deixando evidências que o velho Negan realmente não está de volta. É no quarto episódio que acontece o tão esperado encontro entre Maggie e Negan, quando este revela um dos locais onde há metanol.
Os conflitos continuarão nos episódios seguintes, concluindo alguns grupos como o de Christos e os Forrageadores, que gemem durante a dor de uma perda, algo que, convenhamos, é bem tétrico e esquisito. Nos episódios finais, mais momentos tensos como a sequência em que Negan precisa invadir o Hospital Bellevue para buscar antibióticos para cuidar de Ginny, que falhou em sua missão de vingança. Sem matar crianças zumbis, a cena mostra Negan atravessando um setor infantil com vários exemplares “dormindo“, em um dos melhores momentos da temporada. Já Maggie, quando precisa procurar o filho em um prédio alto, precisa passar por uma ponte de chão de vidro, sendo que ela sofre de acrofobia, tendo que lidar com vários mortos-vivos e contar com a ajuda do Croata, com revelações sobre seu passado.
A temporada é bem melhor que a primeira, com dois episódios a mais, e com mais qualidade nos efeitos e sequências de tensão. Há até uma situação divertida no sexto episódio, “Bridge Partners Are Hard to Come by These Days“, dirigido pela própria Lauren Cohan, como ela havia feito na primeira temporada, quando Maggie precisa lidar com o ataque de um gigantesco urso pardo, tentando enfrentá-lo com zumbis e qualquer coisa que tiver nas mãos. Por outro lado, o personagem do jovem Hershel é extremamente desagradável: nunca fica onde a mãe pede, sempre se mete em confusões e a todo momento quer fugir, quase provocando a morte de sua Maggie, com raiva pelo fato dela não ter mais interesse em se vingar de Negan.
Resgatando uma “situação Negan“, quando este refaz a escolha daquele que irá morrer primeiro, colocando suas vítimas de joelhos, The Walking Dead: Dead City se mostra inovadora e divertida, empolgando ainda mais para a terceira temporada, já em processo de filmagem e pós-produção. A longevidade do spinoff se mostra certeiro, com personalidade e independência, em relação à série original. O que a próxima temporada irá reservar para os sobreviventes é algo que parece promissor e ousado, se é que desta vez irão seguir os caminhos previstos.






