4.8
(5)

Vestida para Matar
Original:Dressed to Kill
Ano:1980•País:EUA
Direção:Brian De Palma
Roteiro:Brian De Palma
Produção:George Litto
Elenco:Michael Caine, Angie Dickinson, Nancy Allen, Keith Gordon, Dennis Franz, David Margulies, Ken Baker, Susanna Clemm, Brandon Maggart, Amalie Collier, Mary Davenport, Anneka Di Lorenzo, Norman Evans

por Matheus Ferraz

Assistir a Vestida para Matar sem conhecer a sua maior inspiração, Psicose, é uma experiência incompleta. Brian De Palma nunca negou sua grande admiração por Alfred Hitchcock, e nesse filme criou uma homenagem ao mestre, utilizando a mesma estrutura narrativa do clássico de 1960. O que não quer dizer que ele tenha apenas copiado descaradamente as melhores ideias de Hitch. Não, De Palma é um cineasta de méritos próprios, que soube criar uma belíssima homenagem, mas ainda mantendo o frescor e as surpresas que fazem de Vestida para Matar um exemplar de primeira qualidade do cinema de suspense.

Contar a trama em detalhes seria matar a experiência de assistir a esse filme pela primeira vez. O fio condutor da história é o psiquiatra interpretado por Michael Caine. Uma de suas pacientes, Kate Miller (Angie Dickinson, linda) está sofrendo um casamento entediante e uma vida sexual monótona. Ela conhece um estranho num museu e passa uma noite de amor com ele, com resultados imprevistos. Outros personagens importantíssimos são a prostituta Liz Blake (Nancy Allen, que era casada com De Palma na época, e está simplesmente estonteante) e o Peter (Keith Gordon), o filho gênio de Kate.

O grande mistério do filme chega a ser previsível na última meia-hora, mas o que importa em Vestida para Matar não é tanto o roteiro, mas a técnica brilhante. A partir de conceitos simples, De Palma cria momentos de puro cinema. O maior destaque é a longa e silenciosa cena no museu, onde Kate Miller entra num jogo de sedução com um estranho. Outro momento espetacular é a cena do chuveiro no final do filme. O elenco está ótimo, em especial Angie Dickinson. Uma curiosidade é a participação relâmpago de Anneka di Lorenzo, como uma enfermeira. Para quem não sabe, a talentosa Anneka estrelou em Calígula de Tinto Brass, em uma cena de sexo explícito que feriu sua carreira, e aqui interpreta uma enfermeira que entra muda e sai calada.

Vestida para Matar não chega a ser a obra-prima de De Palma (difícil superar Um Tiro na Noite), mas é um dos filmes de suspense mais refinados já feitos. Curioso pensar que a mesma história em outra mídia (se fosse um livro, por exemplo) não teria nem uma fração do impacto. Essa é a beleza do cinema, e de cineastas como De Palma que amam o que fazem e sabem fazer bem.

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5 Comentários

  1. Muito bom esse filme, um suspense de primeira que lembra bastante Psicose, a cena do elevador é brilhantemente tensa.

  2. Revi a cena do museu/elevador três vezes só essa tarde. Brilhante demais.

  3. Adoro esse filme. nunca enjoo de assistir. Um dos meus preferidos do De Palma… só perde pra Carrie. Mateus você assistiu o mais novo trabalho com De Palma? Passion? Tem muita inspiração em Vestida pra matar. Principalmente a cena final. Até a música è praticamente a mesma.

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