Calvaire (2004)

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Calvaire (2004) (1)

Calvaire
Original:Calvaire
Ano:2004•País:França, Bélgica, Luxemburgo
Direção:Fabrice Du Welz
Roteiro:Fabrice Du Welz, Romain Protat
Produção:Michael Gentile, Eddy Géradon-Luyckx, Vincent Tavier
Elenco:Laurent Lucas, Brigitte Lahaie, Gigi Coursigny, Jean-Luc Couchard, Jackie Berroyer, Philippe Nahon, Philippe Grand'Henry, Jo Prestia

Não é simplesmente um filme doentio, mas um exercício reflexivo para o espectador! Em minha pesquisa sobre o New French Extremity, acabei me deparando com esta produção belga de 2004, que figura nas listas do movimento. Calvaire tem aquele climão de filme independente, o primeiro do diretor Fabrice Du Welz, que foi bastante elogiado pelo seu recente trabalho, Alleluia.

Marc Stevens (Laurent Lucas), é um cantor picareta de 3ª categoria, e ganha vida cantando em asilos. Enquanto viajava para uma apresentação, sua van estraga. Marc é obrigado a passar a noite em uma pensão do solitário Sr. Bartel (Jackie Berroyer), que gentilmente se propõe a conseguir um mecânico para consertar a van. A pousada fica isolada em um vilarejo, o que segundo o Sr. Bartel, dificulta para que o mecânico chegue ao local. Com o passar dos dias, Marc vai conhecendo os habitantes da vila, e as reais intenções do Sr. Bartel.

A fotografia ficou nas mãos de Benoît Debie (que também trabalhou em Irreversível, de Gaspar Noé): granulada e acinzentada, reflete o clima frio do local. Um elenco afiado, com destaque para Jackie Berroyer como o solitário Sr. Bartel.

Calvaire (2004) (3)

Com algumas influências de um David Lynch em começo de carreira, Fabrice constrói um mosaico de personagens excêntricos, onde as histórias se cruzam em um passado de traição entre os habitantes locais, e Marc acaba sendo, de uma maneira bizarra, a fagulha para explodir o conflito entre o Sr. Bartel e outra família do Vilarejo. Destaque para a estranha cena de dança no bar, indescritivel em palavras.

O passado da vila nunca é explicado; não existe atualmente nenhuma mulher na vila, o que gera dúvidas sobre a existência da ex-esposa do Sr. Barte. Os motivos que levam os aldeões da vila a tomarem suas atitudes, refletem em uma espécie de loucura coletiva.

Calvaire (2004) (2)

Calvaire não é simplesmente um filme doentio, é um exercício reflexivo para o espectador, ao referir-se à crucificação de Cristo (Calvário é a montanha em que ele foi Crucificado). Marc, por onde passa, encontra pessoas que esperam mais do que ele pode oferecer, e assim como Jesus, Marc é perseguido e de certa forma crucificado por pessoas a quem ele acabava por oferecer um certo conforto. Calvaire é claramente menos violento de outros trabalhos que compõe o New French Extremity, mas ainda sim é um filme incômodo, que talvez, cause mais estranheza pelo que mostra, do que se propõe.

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Ivo Costa

Cineasta formado pela Escola Livre de Cinema, dirigiu os curtas “Sexta-feira da Paixão”, “O Presente de Camila”, “Influência” e “Com Teu Sangue Pagará. Produziu o curta ‘Vem Brincar Comigo’. Atualmente é crítico no site Boca do Inferno e professor do Curso Cinema de Horror, da Escola Livre de Cinema. Fez parte do Júri Popular do Festival Cinefantasy em 2011, Júri Oficial do Festival  Boca do Inferno 2017, Juri Oficial da Mostra Espanha Fantástica no Cinefantasy 2020.  Realizou a curadoria da Mostra Amador do Cinefantasy 2019 e do Festival Boca do Inferno 2019.

5 thoughts on “Calvaire (2004)

    • 02/05/2020 em 22:25
      Permalink

      Amo você! Que surra pra conseguir achar um torrent! Estou agoniada querendo ver o filme!! hahaha

      Resposta
  • 20/11/2016 em 15:08
    Permalink

    Está nos favoritos do Filmow… Não tem o exagero das torturas do NFE, mas o cara passa por mals bocados sim! Tirando que a ambientação é 10! Amo forte.

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  • 02/03/2016 em 02:34
    Permalink

    Sinceramente não consegui entender porque ” Calvaire ” é Extremo e faz parte do New French Extremity , comparado aos outros ele é fraco ! Não o achei doentio e nem incômodo , e não gostei de como acabou .
    ” Calvaire ” faz parte da minha coleção porque sou colecionador , se não eu o ignorava facilmente !

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