Hausu (1977)

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Hausu
Original:Hausu
Ano:1977•País:Japão
Direção:Nobuhiko Obayashi
Roteiro:Nobuhiko Obayashi e Chiho Katsura
Produção:Nobuhiko Obayashi e Yorihiko Yamada
Elenco:Kimiko Ikegami, Miki Jinbo, Ai Matubara, Kumiko Oba, Mieko Sato, Eriko Tanaka e Masayo Miyako

Um dos destaques, talvez o maior do box Obras Primas do Terror – Volume 5, que traz nesta edição filmes japoneses, responde pelo simples título de House. Ou em bom português, Casa. Trata-se de uma daquelas produções que somente as criativas mentes japonesas conseguiriam criar. E neste caso mais específico, com ajuda de uma criança. A trama, através de uma pequena sinopse, pode até não ser das mais interessantes já que Hausu, pronuncia japonesa, acompanha um grupo de amigas que vai passar um fim de semana em uma casa aparentemente assombrada. Mais simples, impossível, certo?

Completamente errado. Alias, a noção de certo passa longe deste filme que é muito querido por uma parcela dos fãs de horror, mas totalmente ignorado por outros grupos. Lançado em 1977, Hausu é uma simpática e divertida mistura de elementos de terror com exageros psicodélicos de direção de fotografia e montagem. É como assistir Evil Dead misturado com alguma novela mexicana da década de 1980 e muito, mas muito chroma key . Aliás, tudo no filme é exagerado e acompanhar onde toda a loucura sobrenatural acaba sendo a grande diversão do filme.

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Hausu começa com a jovem Bonita. Isso mesmo, nome da personagem principal é Bonita. Ela tem um grupo de amigas que se chamam Professora, Melodia, Kung Fu, Fantasia, Doce e Mac. Bonita está muito chateada porque o pai dela está de namorada nova. Revoltada com a situação, Bonita leva as amigas para visitar uma tia esquisitona que ela viu uma única vez quando criança e que mora sozinha em uma área rural. Embalada por uma trilha sonora típica de desenhos animados da Hanna Barbera da época, o grupo pega o trem e chega à casa da tia, que se chama… tia.

Esta apresentação dos personagens já é por si só uma grande diversão do filme. Mas a festa realmente começa quando o grupo chega na casa da tal tia. Tem início então um salve-se quem puder com personagem sendo morta por colchões enquanto outra acaba devorada pelo piano. E claro, cada uma das garotas explora ao máximo as suas particularidades. Inesquecível é a cena em que Kung Fu precisa abrir o armário e parte com um golpe de kung fu para derrubar a porta. Ou quando ela decidi enfrentar os problemas sobrenaturais na porrada.

Por incrível que pareça, Hausu começou a ser desenvolvido tendo Tubarão como fonte de inspiração. Na verdade, a produtora Toho queria um filme que fizesse tanto sucesso quanto o clássico de Spielberg. Mas tudo mudou na época da pré-produção quando o roteirista e produtor Nobuhiko Obayashi começou a desenvolver o script. Como fonte de inspiração, Obayashi decidiu consultar a sua filha pré-adolescente, que disse que filmes para adultos são chatos porquê são feitos para serem entendidos. Já filmes de crianças são muito mais divertidos porquê não precisam fazer sentido.

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Aliás, definir Hausu como uma obra sem o menor sentido faz todo sentido. E dependendo do ponto de vista está afirmação pode ser um elogio. Além das dicas da filha, Obayashi incluiu no filme também alguns dos seus medos de infância e até referências da Segunda Guerra Mundial. Tudo junto e misturado em uma casa com uma tia esquisitona, um gato macabro e que canta e adolescentes que parecem terem saído da vila do Chaves.

O problema foi que quando o roteiro ficou pronto, e nenhum diretor quis assumir a obra com medo de que Hausu fosse arruinar as suas carreiras. Durante dois anos, o projeto ficou na geladeira sem que nenhum diretor se interessasse pela obra enquanto a Toho não sabia o que fazer. Até que a produtora decidiu dar a cadeira de diretor para Obayashi, que conseguiu um elenco praticamente desconhecido. Apenas Kimiko Ikegami, a Bonita, tinha alguma experiência enquanto Yōko Minamida, a tia, já tinha feito mais de 30 filmes antes e faria mais uns 50 depois de Hausu.

A Toho não esperava que o filme fizesse sucesso e o lançamento foi bastante discreto. Mas o público jovem adorou Hausu e naturalmente o filme se tornou um grande fenômeno cult. Com a popularização da internet, Hausu ganhou ainda mais projeção fora do Japão. O segredo para gostar do filme é se permitir fazer a viagem seguindo a lógica proposta pela filha do roteirista. Ou seja, esquecer a lógica e aproveitar o festival de cores, ângulos, movimentos de câmera e o desfile de algumas das personagens mas estranhas e divertidas made in Japan.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista formado e Doutor em Comunicação. Fã de filmes de terror, pesquisa academicamente o gênero desde 2006. Autor dos livros Fronteiras do Medo e A Aceleração do Medo e co-autor do livro Medo de Palhaço.

5 comentários em “Hausu (1977)

  • 21/09/2020 em 14:00
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    Esse filme é a perfeita tradução do sonho que vira pesadelo. E poucas obras exigem que se abdique da lógica para que se possa apreciar. A chave para isso é lembrar do nome daquele doc sobre os Talking Heads, “Stop Making Sense” .

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  • 28/03/2020 em 01:01
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    Acabei de assistir e fui ler sobre. Parei nesse blog! Parabéns pelo conteúdo meus amigos! Já favoritei!

    Ah. Adorei o filme ?

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  • 31/05/2019 em 16:39
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    “é muito querido por uma parcela dos fãs de horror, mas totalmente ignorado por outros grupos”, sou da parte que ignora, não gosto de filmes Trash e nao consigo ter paciência!

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    • 14/07/2020 em 23:48
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      Então vai ver os filmes do Frederico Fellini e Godar, que vocês pseudo entendidos de cinema, hipsters tanto pagam pau. Trash é isso não essa masturbação intelectual do cinema excludente. Cinema elitista para uma castas dita intelectual.

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  • 28/10/2016 em 21:11
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    Filme Trash não tem nacionalidade tem admiradores e filme Trash tem que ter isso roteiro estranho ,interpretações fora de comum dentre outras coisa .Mais um filme que eu desconhecia e preciso assisti-lo.

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