Troll (1986)

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Troll
Original:Troll
Ano:1986•País:EUA, Itália
Direção:John Carl Buechler
Roteiro:Ed Naha
Produção:Albert Band
Elenco:Michael Moriarty, Shelley Hack, Noah Hathaway, Jenny Beck, Sonny Bono, Phil Fondacaro, Brad Hall, Anne Lockhart, Julia Louis-Dreyfus, Gary Sandy, June Lockhart

“Rat Burgers!!!!”

Troll não é exatamente um filme de terror (o fato de ser horrível não o caracteriza como assustador) e também não é exatamente um filme de ficção. Então porque raios falar sobre um filme como esse??? Por dois motivos: o diretor/roteirista John Carl Buechler (o mesmo do atentado intitulado Sexta Feira 13 parte VII) junto com o produtor Charles Band, conseguiu a proeza de juntar em um mesmo filme um elenco com atores e atrizes dos mais conceituados (mais detalhes no final desta análse), e porque é um filme B ruim, mas ruim demais, e ainda assim muito divertido…

Em um dia qualquer, Harry Potter (ahn? Eu li direito???) – isso mesmo, Harry Potter (Michael Moriarty) – muda-se com uma coleção de 3.000 discos velhos, a esposa Anne Potter (Shelley Hack) e seu casal de filhos para um velho prédio de apartamentos. Mas já no dia da mudança a filha Wendy Potter (Jenny Beck, que lembra muito Heather O’Rourke, a Carol Anne de Poltergeist), enquanto brinca no velho porão, acaba sendo capturada por um maligno Troll (Phil Fondacaro), que apareceu por lá. Só que o Troll tem um anel mágico que faz com que seja capaz de copiar as feições de Anne e assim o desaparecimento dela nem é notado.

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E, no mesmo dia depois do ocorrido, mesmo os pais vendo-a comer hambúrgueres como um porco, acionando o alarme de incêndio, correndo e gritando “Rat Burgers!!” como uma maluca, é apenas o filho, Harry Potter Jr. (hahaha, Noah Hathaway), que percebe que tem algo de errado com ela.

É nessa confusão com o acionamento do alarme de incêndio que somos apresentados aos outros habitantes do condomínio: o bigodudo metido a galanteador Peter Dickinson (Sonny Bono), o fuzileiro naval que odeia leitura, Barry Tabor (Gary Sandy), o casal Jeanette (Julia Louis-Dreyfus) e William (Brad Hall) e a dona do lugar, Eunice St. Clair (June Lockhart).

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Desfeita a situação caótica, Peter leva um fora dos grandes (e sinceramente do jeito que ele aborda as mulheres não devia ser diferente) e é visitado pela garota/troll Wendy, que o espeta com uma agulha que sai de seu anel. Nisto, Peter acaba inchando e virando uma semente(!!), que se abre e enche o quarto de plantas, transformando o local em uma verdadeira floresta cheia de monstrinhos feios e mal feitos. Bem, algo precisa ser dito sobre essa cena: na verdade, da primeira vez que vi, pensei que Peter estava se transformando em cocô, depois pensei que fosse uma ameixa gigante, tal a qualidade dos efeitos. Também é incrível como o quarto de Peter aumenta de tamanho quando vira uma floresta, mas o que eu chamo de furo de roteiro ou erro de continuidade, os diretores chamam de “licença poética“… Detalhes… Detalhes…

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Continuando, Harry Jr. anda com medo de Wendy, pois sua irmã havia demonstrado sua superforça atirando o irmão com o dobro de seu tamanho contra a parede, mas não conta nada aos pais (talvez com medo de ser tachado de doido ou por ser bundão mesmo) e vai buscar conselho com a velha ranzinza Eunice, dona de um cogumelo falante(!!), que acaba fazendo amizade com o garoto.

Wendy é salva de um atropelamento, muito mal filmado, pelo professor de inglês, o baixinho Malcolm Mallory (Phil Fondacaro em duplo papel), e simpatiza com a garota, que pensa que ele é um duende. Durante uma memorável e bizarra cena de dança do Harry Potter pai (que é uma das mais ridículas do cinema, não perca), Wendy vai até o quarto do fuzileiro Barry e o despacha também.

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Mais à noite, Malcolm vai jantar na casa dos Potter enquanto o Júnior está no quarto, cagando de medo da irmã e assistindo a alguns filmes velhos de ficção, e acaba chegando à incrível conclusão de que Wendy é na realidade uma vagem do planeta Marte (Uau, que garoto esperto!!!).

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Na mesa de jantar, Malcolm recita um antigo poema e começa um bizarro número musical com os bonecos dos apartamentos cantando, mas Eunice põe um ponto final na cantoria usando um irritante berrante(!). No dia seguinte Harry, o filho, vai até a casa de Eunice e descobre que ela é uma feiticeira (não me perguntem como – talvez por intuição, afinal ele é filho de Harry Potter, oras…) e ela abre o jogo e conta sua história pra ele, a propósito, bastante viajante e confusa. Resumindo e traduzindo: ela era uma princesa que se apaixonou por um altão chamado Torok, mas antes de se casar, sua cobiça pelo controle do mundo acabou condenando-o a ser um baixinho Troll e que tem 72 horas para “possuir” todos os apartamentos do prédio e trazer o seu exercito de volta e dominar o mundo.

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Então Torok pega os outros moradores do prédio. Por sinal, quando o Troll pega o baixinho Malcolm, ele transforma-o realmente em um duende, menor do que ele já era (hehehe, um duende de bigode e cabelo penteado? Hilário..). Harry Potter Jr. terá que correr contra o tempo e proteger sua casa e salvar sua irmã, além de matar um monstrengo que é a chave para impedir os planos de Torok, contando com a ajuda da real face de Eunice (na única coisa realmente boa do roteiro, já que em vez de usar maquiagem, usaram a filha de June, Anne Lockhart).

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É claro que um treco como esse jamais ganharia um Oscar, mas por causa do próprio filme ser assumidamente uma produção B, e sendo totalmente despretensiosa, essa acaba sendo a grande sacada para uma diversão rápida e esquecível. E o elenco altamente gabaritado, interpretando de forma relativamente canastra, ajuda um bocado para engolir um roteiro que parece ter sido criado na base do improviso.

O diretor Buechler é um pouco relaxado – acho que as palavras coerência e continuidade não significam muita coisa para ele -, mas entra rapidinho no climão trash da coisa e mantém o público atento a bobagem toda. E também coloca na tela um monte de bonecos manuais estranhos, e isso pode ser encarado como um elogio, afinal é bem melhor que CG e é a cereja do bolo uma produção trash como esta. Mas que são feios, isso são.

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E mais uma coisa, o fato dos personagens principais se chamarem Harry Potter, quase dez anos antes da multimilionária J.K. Rowling lançar o primeiro livro do seu primo rico, torna a experiência muito mais engraçada. Eu acho até que se eu fosse John Carl Buechler mandaria um processo e levaria pelo menos um dinheirinho dessa coisa toda.

Enfim, deixando de lado a produção paupérrima e o roteiro raso, Troll é um filme interessante para mentes não muito exigentes, perfeito para uma sessão da tarde em família e obrigatório para quem gosta de “bonecos de meia” e filmes bagaceiros. Fãs xiitas de filmes de terror de verdade devem passar longe. Gerou uma continuação, Troll 2, dirigido pelo intragável Cláudio Fragasso, e tem a fama de ser “Um dos piores filmes do mundo“…

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Quem é quem em Troll??

Troll é o tipo de filme que é muito mais interessante pela notoriedade de seu elenco do que pelo teor da história que conta (o que nem sempre é um bom sinal), mas como nem todo mundo conhece ou se lembra do elenco principal, está aí uma breve biografia de cada um dos principais atores e atrizes do filme:

1. Noah Hathaway (Harry Potter Jr.)

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Nascido em 1971, Noah começou na carreira artística em comerciais aos 3 anos de idade, em 1978 fez o personagem Boxey no antigo seriado Batllestar Galatica e no mesmo ano esteve no auge de sua carreira, interpretando Atreju no filme A História Sem Fim. Afastou-se do cinema aos 18 anos devido a complicações de saúde, tornou-se um lutador de Muay Thai amador e sumiu, retornando as telas apenas em 1992. Logo após, tornou-se um interessado em corridas de motos, sendo inclusive bar tender em vários destes clubes e acumulando várias tatuagens. Hoje ele é faixa preta em Tang Su Do e Shotokan, e treina Kenpo, além disso, tem sua própria loja de motos em Miami. Retornou ao cinema em 2012, participando do thriller Sushi Girl e do terror elogiado The Chair (2016). Está sendo anunciado como um dos prováveis atores do remake de Nightmare City, de Tom Savini.

2. Michael Moriarty (Harry Potter)

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Mais conhecido dos brasileiros por interpretar o protagonista de A Coisa e dos primeiros anos do seriado Lei e Ordem, Michael nasceu em Detroit em 1941, mudou-se para Londres onde foi um grande ator teatral (já ganhou um prêmio Tony por isso) e estudou na Escola Real de Atores Dramáticos de Londres. Ex-vendedor de enciclopédias e medindo 1,94m, Michael teve o seu maior êxito com sua performance na minissérie Holocausto, que lhe rendeu um Emmy. Seu histórico em filmes B também incluem o bagaço de filme It’s Alive III, Retorno a Salem´s Lot e Q: The Winged Serpent, todos de Larry Cohen. Atualmente continua atuando na TV, participando de diversos programas, como o episódio Pick Me Up no seriado Masters of Horror. Em 2012, fez o thriller The Yellow Wallpaper.

3. Shelley Hack (Anne Potter)

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Com poucas participações como protagonista, Shelley teve o seu melhor ponto na carreira como uma das Panteras do seriado clássico, substituindo Kate Jackson, porém durou apenas um temporada, em 1979. Participou do filme O Padrasto e em um episódio de Contos da Cripta, mas anda sumida desde então.

4. Jenny Beck (Wendy Potter)

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A maluquinha dos ‘Rat Burgers‘ está desaparecida do showbuisiness e nunca obteve realmente êxito comercial em sua carreira, composta em quase em sua totalidade de aparições em seriados de TV, participando no gênero apenas com um papel no antigo seriado sci-fi ‘V‘.

5. Sonny Bono (Peter Dickinson)

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Esse é um dos caras com o espírito mais B que viveu na Terra. O bigodão sedutor foi cantor antes de se tornar ator, mas acabou investindo na carreira política. Mesmo nunca tendo votado na vida, foi candidato e venceu as eleições para prefeito de Palm Springs e conseguiu ser congressista pelo estado da Califórnia até sua morte em 1998. Bono também foi conhecido por ter casado com a cantora Cher (afinal, gosto não se discute) com quem teve um filho.

6. Phil Fondacaro (Malcolm Mallory/Troll)

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Medindo apenas 1,07m, o nanico Phil trabalhou com grandes diretores (o trocadilho foi involuntário) em filmes e seriados de gêneros diversos. Nos segmentos terror e ficção, Phil foi um dos Ewoks em O Retorno de Jedi, um dos baixinhos macabros em Fantasma II (1988), também participou de Bordel de Sangue (1996), Dollman vs. Demonic Toys (1993), Willow (1988), Ghoulies II (1988), Terra dos Mortos (2005), Decadent Evil (2005), Evil Bong (2006), Immortally Yours (2009) e DevilDolls (2012).

7. Julia Louis-Dreyfus (Jeanette Cooper)

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Provavelmente neste elenco, a mais conhecida atualmente devido ao seu sucesso na sitcom Seinfeld. Casou-se com Brad Hall, que também está em Troll como William Daniels, em 1987, um ano após o lançamento do filme. Estreou no cinema no filme Hannah e suas Irmãs, de Woody Allen, e assim como seu marido participou do seriado cômico Saturday Night Live. Um dos seus melhores trabalhos foi a comédia romântica À Procura do Amor (2013).

8. June Lockhart (Eunice St. Clair)

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Nascida em 1925 e vinda de uma família de atores ganhou vários prêmios por suas atuações em teatro. Na televisão ficou conhecida por interpretar Ruth Martin em Lassie e Maureen Robinson em Perdidos no Espaço, mas pagou mico em 1989 por participar de C.H.U.D. II. Hoje ainda é atuante no ramo com participações em diversos seriados de TV e filmes estranhos como Zombie Hamlet, de 2012.

9. Anne Lockhart (Jovem Eunice St. Clair)

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Filha de June Lockart, é mais conhecida por ser a primeira escolha de John Carpenter para fazer o papel de Laurie Strode em Halloween (mas realmente não consigo pensar em outra senão Jamie Lee Curtis). Amazona experiente, ganhou diversos campeonatos, mas nunca teve grande destaque na telona e telinha, mesmo com dezenas de pontas e participações em filmes e seriados. Participou do antigo seriado do Freddy Krueger, pode ser vista no filme Baratas Assassinas e em uma ponta no filme Rota 666. Em 2010, a voz dela pode ser ouvida no excelente Enterrado Vivo, de Rodrigo Cortés, e na série Heróis contra o Fogo (2012-2016).

troll-1986-2110. Gary Sandy (Barry Tabor)

O fuzileiro xarope é um ator também vindo do teatro. Estudou na Academia Americana de Artes Dramáticas e suas aparições na TV e Cinema também são apenas como flashs, do tipo piscou-perdeu. Trabalhou na versão em ópera do musical Chicago e atualmente está mais dedicado ao teatro em produções da Broadway.

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados.

5 comentários em “Troll (1986)

  • 05/05/2019 em 19:51
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    Vou confessar, tinha visto este filme nos primórdios da Rede TV e o mesmo tinha ficado na minha memória porque Jeanette Cooper é uma tetéia.

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  • 08/11/2016 em 15:38
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    “E mais uma coisa, o fato dos personagens principais se chamarem Harry Potter, quase dez anos antes da multimilionária J.K. Rowling lançar o primeiro livro do seu primo rico, torna a experiência muito mais engraçada. Eu acho até que se eu fosse John Carl Buechler mandaria um processo e levaria pelo menos um dinheirinho dessa coisa toda.” – Rowling parece ter uma sorte incrível no que trata de se safar de processos de plágio: a autora de ‘Livros da Magia’ (posteriormente roteirizado para os Quadrinhos por Neil Gaiman também preferiu não processá-la.

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  • 06/11/2016 em 13:36
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    Nunca assisti – e nem pretendo.
    Agora, caso saia uma crítica sobre o TROLL 2, podem ter certeza que vou jogar elogios ao filme, porque gosto muito dele, viram?

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  • 06/11/2016 em 13:34
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    Não assisti – e nem pretendo.
    Agora, caso saia uma crítica sobre “Troll 2”, podem ter certeza que vou elogiar pra caramba, porque eu gosto muito do filme, viram?

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  • 06/11/2016 em 00:17
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    clássico simplesmente , classico!

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