4.2
(10)

O Padrasto (1987)

O Padrasto
Original:Stepfather
Ano:1987•País:EUA
Direção:Joseph Ruben
Roteiro:Carolyn Lefcourt, Brian Garfield
Produção:Jay Benson
Elenco:Terry O'Quinn, Jill Schoelen, Shelley Hack

“Ele só quer uma família perfeita. Nem que para isso ele tenha que matar.”

Não, não é um drama destes exibidos no Supercine aos sábados, apesar de “baseado em fatos reais”. E sim, é um dos primeiros trabalhos do ator Terry “Locke” O’Quinn, o careca mais famoso da ilha de Lost.

O Padrasto, que carrega uma injusta fama de trash e se destacou nos anos 80 como um dos clássicos da saudosa era do VHS, permanece inédito em DVD por aqui até hoje (na época foi lançado em “fita” pela também falecida VTI). Ao contrário do que possa pensar a princípio, O Padrasto é um thriller de suspense psicológico muito bem elaborado e marcado por um clima tenso resultante da aparente sobriedade do personagem interpretado por Terry O’Quinn.

Já nos primeiros minutos de filme a identidade do personagem Jerry Blake é revelada. Esta sequência mostra Jerry (com aparência de psicopata) se limpando em um banheiro. Seu rosto, suas roupas e suas mãos estão ensanguentadas. Após retirar o sangue, o homem faz a barba e arruma suas as malas. Jerry parece agora um respeitável e comum pai de família. Enquanto desce as escadas rumo à porta, vemos marcas de sangue pelas paredes. A câmera então não nos poupa do perturbador cenário: vários corpos espalhados por uma sala toda destruída. Entre os corpos está o de uma mulher e o de uma criança segurando um ursinho de pelúcia coberto de sangue. Jerry, indiferente, recolhe o jornal e parte, como um pai responsável no início de mais um dia de trabalho.

Algum tempo depois, Jerry já tem uma nova família: a encantadora Susan e a enteada Stephanie. A garota ainda não superou a morte do pai e não tem uma boa relação com o novo namorado da mãe. Stephanie resolve investigar o passado do padrasto e Jerry vê suas chances de construir a família ideal ameaçadas. Aos poucos sua “identidade-psicopata” começa a se manifestar de maneira violenta e mortal.

O Padrasto é um dos melhores trabalhos do diretor americano Joseph Rubem, responsável por longas conhecidos como Dormindo com o Inimigo (Sleeping With the Enemy, 1991) e Os Esquecidos (The Forgotten, 2004). Em O Padrasto, a sua direção é extremamente segura. O cineasta usa inteligentemente as panorâmicas externas, algumas mostrando as casas de família dispostas geometricamente lado a lado, as ruas vazias, o jovem entregador de cartas, criando uma atmosfera melancólica de perfeição (a mesma idealizada pelo personagem Jerry Blake). Surpreendentemente, as poucas cenas de maior violência são explícitas. O vilão também é muito bem desenvolvido e apresentado como um homem comum, fugindo do estereótipo oitentista “assassino imortal”, usado a exaustão nos slashers da época.

O roteiro é uma adaptação de Carolyn Lefcourt e Donald E. Westlake para a novela homônima escrita por Brian Garfield. Ele se inspirou no caso real de John List, que matou sua família na década de setenta e só foi capturado dezoito anos depois, quando a tragédia foi mostrada no programa de televisão America’s Most Wanted. Garfield é famoso por ter escrito os livros Death Wish e Death Sentence, filmados como Desejo de Matar (com Charles Bronson) e o recente Sentença de Morte (dirigido pelo criador da franquia Jogos Mortais, James Wan).

Mas o ponto máximo de O Padrasto é a interpretação vigorosa e intensa de Terry O’Quinn, que consegue convencer e impressionar tanto quanto o pai dedicado quanto como o serial killer de famílias. O bom desempenho do ator compensa as fracas atuações do resto do elenco. Entre eles Shelley Hack (do seriado televisivo As Panteras) interpretando a viúva Susan e a jovem Jill Schoelen no papel da enteada problemática. Futuramente, Jill protagonizaria o ótimo Popcorn – O Pesadelo Está de Volta (Popcorn, 1991).

A trilha sonora composta pelo ex-tecladista da banda de rock progressivo Yes, Patrick Moraz, soa muitas vezes incomoda e não acrescenta nada ao suspense da trama. A trilha, constituída quase exclusivamente por efeitos de teclado, acabou datada e hoje parece mais trilha sonora de vídeo-game antigo. Curiosidade: Moraz já viveu no Brasil. Quando em terras tupiniquins, tentou montar uma banda com a “nata” da música brasileira. A banda, que deveria tocar rock progressivo chamou-se Vimana e contava com Lobão e Lulu Santos. Dizem as más línguas que o Lobo Mau roubou sua namorada e abandonou o grupo. A banda acabou e Moraz foi embora do Brasil.

O Padrasto obteve relativo sucesso nos festivais onde foi apresentado. Terry O’Quinn foi indicado para “melhor ator” no Saturn Award de 1988 e Independent Spirit Awards, “melhor filme e roteiro” no Edgar Allan Poe Awards, “melhor atriz” no Young Artist Awards e “melhor filme” no Fantasporto de 1990. Ganhou os prêmios de “melhor atriz” (Jill Schoelen) no Sitges – Catalonian International Film Festival e “prêmio da crítica” no Cognac Festival du Film Policier.

Estreou nos Estados Unidos em 105 salas no dia 25 de janeiro de 1987. A bilheteria bruta (gross box), em solo americano, foi de míseros 2,5 milhões de dólares. No entanto, O Padrasto saiu-se muito bem quando lançado mundialmente no mercado de vídeo, viabilizando a produção de mais duas continuações (inferiores, lógico): A Volta do Padrasto (The Stepfather 2, 1989, ainda com Terry O’Quinn no papel do psicopata) e O Padrasto – Ele Voltou para Ficar (The Stepfather 3: Father’s Day, 1991, agora com Robert Wightman no papel do padrasto). Além do remake recente lançado pela Sony Pictures/ Screen Gems.

Enfim, O Padrasto é um inteligente e inquietante suspense que faz parte da safra de “bons filmes” produzidos na década de 80. Merece ser conhecido e relembrado.

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Média da classificação 4.2 / 5. Número de votos: 10

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8 Comentários

  1. O João Pires escreveu essa resenha com o boneco na mão, nojento.

  2. Assisti esse filme em fita VHS mas em DVD não procurei. Gostei muito e assisti também as duas sequências que também achei demais.

  3. Este filme é muito bom, tem boas cenas de tensão, muito bom.

  4. ohh queria muito assistir o original,mas n encontro em lugar nenhum! Vcs n tem,como postar onde encontramos esse filme para baixar? desejo muito, Obrigada desde ja! Site muitooo boom,as criticas sao muito muito boas.

    1. TANBEM QUERIA SABER NAO COMSIGO ENCONTRAR EM LUGAR NENHUM OS ANTIGOS SE VC NAO SABE IMAGINE EU ENTAO NAO ME PERGUNTA JA TO COM RAIVA ESCREVENDO COISA QUE NAO TEM NADA VER POQUE EU SO FA E VC SO QUE ASISTIR O FILME. CONHEÇO UM BOM FILME PRA VC ASISTIR QUE TAL A HORA EM QUE EU DESIDO PARA DE RESPONDER . HA HA HA ,E BRINCADEIRA VC PODE ENCONTRAR NA CAPITAL DO SEU ESTADO LA DEVE TER

  5. QUERIA MUITO VER ESSE,DEVE SER MASSA,JÁ QUE O REMAKE FOI UMA DROGA MESMO.

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