4.4
(13)

O Ritual
Original:The Ritual
Ano:2017•País:UK
Direção:David Bruckner
Roteiro:Joe Barton, Adam Nevill
Produção:Jonathan Cavendish, Richard Holmes
Elenco:Rafe Spall, Arsher Ali, Robert James-Collier, Sam Troughton, Paul Reid, Maria Erwolter, Kerri McLean

Historicamente rica, com criaturas e deuses fantásticos e uma interessante hierarquia, a mitologia nórdica é pouco explorada no Cinema. Muitas pessoas a conhecem apenas pelas adaptações dos quadrinhos de Thor, dentro do universo da Marvel, sendo que há muito mais a ser descoberto e explorado, além da literatura de Robert E. Howard. E é curioso pensar que boa parte das poucas produções que traçam uma relação com as crenças escandinavas resulta em trabalhos eficientes e que valem o conhecimento, como é o caso do recente O Ritual, de David Bruckner (O Sinal, Southbound), que está disponível na Netflix pelo mundo desde 9 de fevereiro, exceto Brasil.

Inspirado em um romance de Adam Nevill, o roteiro de Joe Barton traz um grupo de amigos tendo problemas durante uma trilha no norte da Suécia. Na sequência inicial – e que remete a Doghouse -, Phil (Arsher Ali), Dom (Sam Troughton), Hutch (Robert James-Collier), Luke (Rafe Spall) e Rob (Paul Reid) estão em um pub decidindo para onde irão viajar. Com a insistência de Rob pela viagem à Suécia, o grupo adere à proposta após um incidente numa loja de conveniência, quando, durante um assalto, Luke não faz nada para impedir a morte do parceiro.

Assim, seis meses depois, os quatro realizam o passeio pela conhecida “Trilha do Rei” (Kungsleden), no Parque Nacional de Sarek, e homenageiam o amigo em um dos pontos alcançados. Enquanto estão voltando à civilização, Dom torce o pé, e Hutch sugere que eles sigam por um atalho no mapa, atravessando uma floresta densa – a maldição do Wrong Turn. Pelo caminho, encontram estranhas inscrições nas árvores, além de um sinistro alce preso e aberto no alto de uma árvore, como indicação de que o local não é assim tão seguro.

À noite, a busca por um abrigo leva o grupo a uma cabana isolada. É lá que os rapazes serão atormentados por pesadelos, principalmente Luke, e encontrarão uma bizarra estátua, segurando dois chifres. Algo assustador começará a segui-los pela mata, à espreita, aguardando a oportunidade certa para suas investidas. Além das decisões complicadas – continuar o percurso, retornar, ficar na cabana, procurar ajuda? -, eles ainda entram em conflitos entre si, acusando Luke pela morte do amigo, para tornar a luta pela sobrevivência ainda mais perigosa.

O que mais atrai em O Ritual são a química dos personagens e a atmosfera macabra que envolve o enredo. Em alguns momentos, lembra A Bruxa de Blair, pelos símbolos que passam a persegui-los e os sinais no corpo, como se eles tivessem sido marcados. A loucura começa a tomar conta dos rapazes pela dificuldade em encontrar uma saída, levando-os à escolhas erradas como a persistência pela trilha, mesmo contrariando a bússola. A sensação de ameaça é constante, e o espectador inevitavelmente torce para que haja uma saída, mesmo que seja tomado pela curiosidade em entender tudo o que está acontecendo.

Luke assume as rédeas da produção, desde o fatídico acontecimento inicial. Sentindo-se culpado pela tragédia, ele parece se esforçar ao máximo para proteger os amigos até nos momentos em que devia se proteger do inimigo sobrenatural. Quando a situação piora, na chegada a um vilarejo, Luke percebe que o sacrifício é eminente, exigindo um grande esforço para conseguir sobreviver à trilha maldita.

Com produção de Andy Serkis, O Ritual reserva cenas de tensão e desespero, com aspecto de filme-de-monstro, em efeitos especiais bem convincentes. Uma produção bem feita, que explora de maneira satisfatória uma das mais interessantes lendas nórdicas, mesmo que superficialmente.

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Média da classificação 4.4 / 5. Número de votos: 13

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7 Comentários

  1. Filme foda, me lembrou uma mistura de A Bruxa de Blair e Abismo do Medo, 2 filmes que eu adoro. O que pecou um pouco foi o final que eu acho que ficou um tanto exagerado, mas isso não tira o mérito dos 2 primeiros atos do filme.

  2. O filme é muito bom Lembra Pânico na Floresta… porém o final deixa a desejar… queria saber oq realmente aconteceu…

  3. A atmosfera sinistra da floresta é bem convincente , situações tenebrosas que surgem são bem conduzidas também . Mas a idiotice dos personagens , com a velha ideia de conflitos e remorso e um culpando o outro já tornam o filme meio irritante . E o desfecho , com a criatura parecendo mais um . . . bom deixa pra quem for ver o filme decidir , mas eu acabei rindo sozinho vendo o final .
    Beira o ridículo . Mas entretém . Nota 6,5 , forçando um pouco .

  4. Confesso que vi e não chamou a minha atenção, mas depois dessa crítica vou conferir sim

  5. Me lembrou um pouco A bruxa de Blair, mas com uma pegada diferente. Gostei bastante.

    1. A ambientação do filme é maravilhosa!
      E a tensão construída entre os personagens por causa da perda (a culpa do protagonista, o ressentimento dos outros amigos, o luto e etc.) é onde reside o verdadeiro terror.
      Pra mim, a escolha do diretor de mostrar o sobrenatural tirou um pouco a graça do filme.

      SPOILERS!

      Preferia que eles tivessem simplesmente enlouquecido dentro da floresta e que as cenas finais da vila, assim como a aparição da criatura nunca tivessem acontecido.

  6. Achei o filme incrível apesar da burrice dos personagens. Há tempos não faziam um filme bom nesse estilo de perdidos-na-floresta.

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