![]() Doghouse
Original:Doghouse
Ano:2009•País:UK Direção:Jake West Roteiro:Dan Schaffer Produção:Mike Loveday Elenco:Danny Dyer, Noel Clarke, Emil Marwa, Lee Ingleby, Keith-Lee Castle, Christina Cole, Terry Stone, Neil Maskell, Emily Booth, Stephen Graham, Victoria Hopkins, Deborah Hyde, Nicola Jane Reading |
por Gabriel Paixão
Quando eu escrevi sobre Zumbilândia, coloquei que tanto ele quanto Matadores de Vampiras Lésbicas tinham entre seus defeitos quererem emular um estilo de comédia de em que outra nacionalidade é especialista e falharam. Pode até ser que eu esteja enganado na grande figura, mas minha percepção continua a mesma: não conheço nenhum bom filme americano de humor negro que use o estilo inglês ou um filme inglês decente no mesmo gênero puxando os yankees.
Reforço meu argumento com o espetacular Doghouse, uma produção de humor negro tipicamente britânica – ignorada pelas distribuidoras brasileiras até o momento – que embora não tenha a genialidade ímpar de Shaun of the Dead (note como toda produção neste gênero precisa ser comparada com a obra de Wright/Pegg/Frost), usa as mecânicas dos filmes de Romero e de Evil Dead de forma a criar um conjunto de situações hilariantes, nojentas e com alta dose de testosterona. Efetivamente uma película de horror “de macho” para rir enquanto toma umas cervejas entre os amigos.
Doghouse, literalmente “Casa de Cachorro“, tem procedência com “pedigree” (desculpem o trocadilho infame). O diretor Jake West, em 2005, entregou Evil Aliens, que para quem não conhece é um filme satírico e violento que tem referência de Arquivo X a Cannibal Holocaust. Com um script escrito pelo quadrinista Dan Schaffer (que se inspirou quando sua namorada contraiu a gripe suína e ficou parecida com um “zumbi“), Doghouse expressa a guerra dos sexos em sua forma mais violenta usando diálogos afiados, galões de sangue e ritmo incessante, porém onde West errou em Evil Aliens – especialmente na estupidez estereotipada dos personagens – Doghouse usa estas características ao seu favor.
Agora um recado às infernautas que eventualmente leiam esta análise preocupadas com o teor do filme: não devemos misturar sátira com misoginia. Um dos fundamentos do diretor, explicitado em entrevistas, é ironizar o relacionamento entre homens e mulheres levando a falta de comunicação e a relação turbulenta aos extremos e não ser sexista. West complementa que nas exibições em festivais elas costumam rir tanto quanto eles. Em todo caso, obviamente, segue sempre a premissa máxima das comédias provocativas: com bom humor sem se levar a sério, divertindo sem ofender.
A história gira em torno de Vince (Stephen Graham), que está deprimido depois de seu processo de divórcio. Objetivando alegrá-lo, seus amigos organizam uma excursão para um fim de semana na casa da avó de um deles no interior “onde a cerveja é gelada e as mulheres são fartas“. Na divertida abertura e justificando o título do filme, cada personagem é apresentado inventando uma desculpa ou discutem com a parceira para dar essa “escapadinha” de casa sempre com graves consequências. São eles o garanhão Neil (Danny Dyer), Mikey (Noel Clarke), o nerd Matt (Lee Ingleby), o estressado Patrick (Keith-Lee Castle), o homosexual Graham (Emil Marwa) e o gordinho sempre atrasado Bansky (Neil Maskell).
Todos, exceto Bansky, que está com problemas em seu furgão inspirado no do Esquadrão Classe-A, encontram-se num Pub e depois de muitas biritas acertam os pormenores da viagem a pequena cidade de Moodley. Para levá-los contratam a empresa West Tours (alusão ao nome do diretor) e a surpresa é geral quando a motorista Candy (Christina Cole) aparece, afinal é uma bela loira e única mulher no grupo.
Apesar do sexo, Candy é muito mais “homem” que todos os marmanjos, pois no meio do caminho encontram duas ovelhas mortas bloqueando a estrada e deixam a garota remover as carcaças do caminho sozinha, o que também demonstra o “descavalherismo” dos nossos protagonistas. Para selar os destinos dos homens, Neil aproveita e recolhe todos os celulares (que estão com o mesmo toque, aliás) para evitar as constantes interrupções por telefonemas. Os aparelhos são colocados numa sacola e deixados dentro do ônibus quando chegam ao vilarejo.
A cidadezinha está muito quieta e o grupo segue para o bar chamado “Cock & Bull” exceto Candy que fica cuidando do veículo e Mikey que vai para a casa da avó ver se podem passar a noite lá. Sem ninguém no pub para atendê-los, o grupo que estava no bar volta para o ônibus quando notam uma mulher de capuz cambaleando provavelmente bêbada e enquanto vão ao seu encontro a mulher é atingida por um homem em uniforme militar que começa a espancá-la sem motivo aparente.
Eles correm para ajudar a moça sem dar chance para o homem se explicar, tiram a faca que ele segura na mão. No meio da confusão, a garota pega a faca e fere a mão de Neil e seus amigos percebem o que está acontecendo: ela parece possessa e disposta a matar os rapazes.
Eles correm de volta ao ônibus levando o soldado inconsciente a tiracolo, contudo chegando lá Candy também está infectada e bloqueia sua fuga. Mais mulheres aparecem e atacam o grupo, que bate em retirada para a casa onde Mikey fora anteriormente. Lá descobrem que o vírus afeta somente as mulheres (e Vince ironiza dizendo que pode ser a “gripe aviária“, hahahaha).
O oficial acorda e revela que seu nome é Gavin Wright (Terry Stone) e depois de muita relutância entrega o jogo: a cidade foi infectada por um agente biológico que só afeta o gênero feminino, as transformando em devoradoras de homens… Literalmente. Sem um plano certo, os sobreviventes partem para uma verdadeira guerra dos sexos, mas desta vez é por suas próprias vidas. Não há reviravoltas e tudo é bem previsível (bem, quase tudo), mas tudo o que posso dizer em adianto é que muito provavelmente Dan Schaffer estava chapado quando escreveu o roteiro e Jake West se divertiu demais dirigindo-o.
Com um excelente ritmo e soltando piadas o tempo todo, Doghouse nunca é chato ou tem a pretensão de ser uma grande produção. Ri de suas próprias limitações e entrega personagens detestáveis, mas é o mais perto que o filme tem de “heróis”. Sob este aspecto me lembrou bastante (em menor escala, obviamente) Um Drink no Inferno.
West também aproveitara ao máximo seu orçamento maior e contratou bons atores para seus papéis principais e a estereotipação dos personagens masculinos é bem aproveitada no contexto da trama. O orçamento maior também é notado na maquiagem das caricatas possuídas/infectadas. Infelizmente a produção tem suas falhas e quem gostou da carnificina insana de Evil Aliens pode ficar um pouco desapontado com o que foi preparado em Doghouse, bem como do final que além de aberto e rasteiro demais me fez pensar em Jackass.
Curioso é que a película tenha sido desdenhada pela dita imprensa especializada na Inglaterra e nos Estados Unidos; o motivo básico é um mistério pois o filme é muito bom, porém podemos ter uma noção por causa do lançamento muito próximo, praticamente na sequência, de Matadores de Vampiras Lésbicas e muito perto do hipado Zumbilândia. Talvez os críticos tenham se saturado com a dupla horror/comédia e castigado a obra do diretor. Mas o fato é que embora não tenha se dado bem nos cinemas, Doghouse tem retornado o investimento quando lançado nas locadoras, destino certo do filme SE for lançado no Brasil um dia. Uma pena, já que os dois outros filmes de humor negro referenciados no artigo e lançados nos cinemas nacionais são significativamente mais fracos.
Se você espera ser assustado com esta película, esqueça, este filme não foi feito e não tenta meter medo nas pessoas, ainda assim continua um excelente entretenimento para passar o tempo. Dito isto, creio que devo comparar Doghouse com uma bebedeira: você ri, curte um bom tempo com os amigos e no dia seguinte não se lembra mais de nada. Com a vantagem que não fica com uma baita dor de cabeça…






Se existisse SESSÃO DA TARDE, o filme seria anunciado como: ” uma comédia muito louca, cheia de traquinagens”. É uma comédia com morte e muito sangue, e situações grotescas. Tem que entrar no clima do filme para apreciar o que ele tem de bom, pois ele é um bom filme para o subgenero terror/comédia, ou Terrir. Muitas idéias boas, atuação decente de todos, roteiro bom, maquiagem boa. Um bom filme.