Errementari – O Ferreiro e o Diabo (2017)

Errementari - O Ferreiro e o Diabo
Original:Errementari
Ano:2017•País:Espanha, França
Direção:Paul Urkijo Alijo
Roteiro:Paul Urkijo Alijo, Asier Guerricaechevarría
Produção:Ortzi Acosta, Álex de la Iglesia, Luis de Oza,Laurent Fumeron, Daniel Goroshko, Gorka Gómez Andreu, Rodolphe Sanzé
Elenco:Kandido Uranga, Uma Bracaglia, Eneko Sagardoy, Ramón Aguirre, José Ramón Argoitia, Josean Bengoetxea, Gotzon Sanchez, Aitor Urcelai, Itziar Ituño

Um conto de fadas gótico ao melhor estilo O Labirinto do Fauno. Esta tem sido a forma como muitos fãs do gênero estão se referindo ao filme espanhol O Ferreiro e o Diabo. A produção, de idioma basco, foi lançada em 2017 e timidamente chamou atenção de quem segue o gênero. Uma pena visto que a obra, uma excelente mistura de fantasia com terror gótico e com um roteiro bastante interessante, teria fôlego para lotar as salas de cinema caso tivesse tido um lançamento descente.

O filme começa mostrando um grupo de homens prestes de ser fuzilado por soldados bascos. O pelotão não consegue matar um soldado chamado Patxi (Kandido Uranga), que acaba escapando com a ajuda do que aparenta ser um demônio ou diabo (Eneko Sagardov), não ficando claro neste primeiro momento. Oito anos depois, reencontramos Paxti, agora um ferreiro, morando nos arredores do povoado de Alava. De acordo com os habitantes do lugar, Paxti é um homem louco e servidor do Diabo, mas na verdade todos têm medo do ferreiro evitando chegarem perto dele ou de onde ele mora.

A casa na qual Paxti mora é por sinal bastante macabra com diversas cruzes no muro e no entorno da construção criando quase uma fortaleza impenetrável ou impedindo qualquer tentativa de fuga. A vida segue tranquila no lugar até que um estranho chamado Alfredo (Gorka Aguinagalde), representando o governo no que seria um caso investigando Paxti, precisa ir até a casa do ferreiro.

Explicar a relação de Paxti com a figura demoníaca, que aqui recebe o nome de Sartael, tiraria parte do encanto do filme. Aliás, qualquer tentativa de aprofundar a sinopse do filme quebraria o encanto do mesmo. O roteiro assinado por Paul Urkijo Alijo, que também dirigiu a película, é de uma beleza macabra como poucas vezes vimos no cinema ao mesclar terror, fantasia e elementos religiosos e pagãos. O trabalho de maquiagem também se destaca principalmente na concepção dos elementos de vilania.

A direção de fotografia, assinada por Gorka Gómez Andreu, de Lost Village, também é um show para os olhos com a criação de sequências incríveis para deleite do público desde as escolhas dos ângulos e trabalhos de iluminação e sombras. O filme está no catálogo do Netflix; e falar da direção de fotografia é, de certa forma, lamentar que o mesmo não tenha sido lançado nos cinemas nacionais. Com certeza teria sido um festival para os olhos.

Com três curtas no currículo, O Ferreiro e o Diabo foi o primeiro longa dirigido por Urkijo, cuja inspiração veio de uma lenda basca do começo do século XX. Urkijo recebeu apoio do experiente cineasta Álex de La Iglesia, de sucessos como O Dia da Besta, Enigmas de um Crime e As Bruxas de Zugarram, que entrou no projeto como produtor.

Outro elemento extremamente interessante do filme é a utilização da língua basca durante toda a película. Para que a trama fosse funcional dentro do ponto de vista histórico, o filme foi praticamente todo gravado em basco antigo.

O Ferreiro e o Diabo foi o grande vencedor na categoria Melhor Longa da semana de fantasia na 28ª edição do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián de 2017, além de ter vencido na indicação de audiência de melhor longa-metragem na 14ª edição do Festival Grossmann de Filme Fantástico. Isto sem contar os festivais nos quais a obra foi exibida e colecionou elogios. Ou seja, mesmo sem uma sala de cinema, tente emular uma fechando a janela e apagando as luzes para você também ter esta experiência diante deste belo e tenebroso filme.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista formado e Doutor em Comunicação. Fã de filmes de terror, pesquisa academicamente o gênero desde 2006. Autor dos livros Fronteiras do Medo e A Aceleração do Medo e co-autor do livro Medo de Palhaço.

Um comentário em “Errementari – O Ferreiro e o Diabo (2017)

  • 17/12/2018 em 14:03
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    Merecido, já que este longa é uma grande obra, uma pena não ter o reconhecimento da naioria do público!

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