Objetos Cortantes (2018)

[Filme poster=”http://bocadoinferno.com.br/wp-content/uploads/2018/12/Objetos-Cortantes-2018-6.jpg” nacional=”Objetos Cortantes” ano=”2018″ original=”Sharp Objects” pais=”EUA” diretor=”Jean-Marc Vallée” roteiro=”Gillian Flynn, Marti Noxon” produtora=”David Auge” elenco=”Amy Adams, Patricia Clarkson, Eliza Scanlen, Chris Messina, Henry Czerny, Matt Craven, Taylor John Smith, Madison Davenport, Miguel Sandoval, Sophia Lillis, Lulu Wilson, Elizabeth Perkins, David Sullivan”]

[Avaliação nota=”4-5″]

Eu nunca fui uma pessoa de séries porque a ideia de acompanhar uma história por anos e me frustrar no final é muito aterrorizante para mim. Por isso, as minisséries e adaptações de livros que tem o objetivo de apenas contar uma pequena história sempre me atraíram mais. Foi assim que Objetos Cortantes apareceu em minha vida.

A produção da HBO conta com oito episódios de aproximadamente uma hora cada, onde vemos adaptado o livro homônimo de Gillian Flynn (a mesma autora de Garota Exemplar, que ganhou um filme (2014) com Ben Affleck e Rosamund Pike). Não li nenhum livro da Flynn… até agora! Depois de Objetos Cortantes irei devorar suas quatro obras com toda a certeza.

Em Sharp Objects acompanhamos a jornalista Camille Preaker (Amy Adams), que trabalha para um pequeno jornal em St. Louis, no estado de Missouri. O editor propõe que Camille volte à sua cidade natal, a pequena e claustrofóbica Wind Gap, para escrever sobre o misterioso assassinato de duas adolescentes. O problema é que essa volta ao lar traz à tona vários traumas de infância da protagonista com a cidade e com sua mãe. Por falta de grana, Camille acaba se hospedando com sua família, que é constituída por: Adora (Patricia Clarkson), a mãe hipocondríaca e super protetora; o padrasto submisso que faz absolutamente tudo o que a esposa pede, Alan (Henry Czerny); e Amma (Eliza Scanlen) a meia-irmã mega mimada. Esta estadia acaba relevando alguns rastros de seu passado e levando ao limite a convivência familiar.

Nos quesitos técnicos, Objetos Cortantes é impecável. O diretor é o Jean-Marc Vallée, o mesmo que encabeçou a premiada minissérie Big Little Lies. As cores, trilha sonora e figurino mudam de acordo com os personagens e dão dicas sobre o que vai acontecer. Camille sempre usa roupas escuras, velhas e que escondem todo o seu corpo, mesmo no calor de Wind Gap. Ao olhar para ela temos a sensação de que a cidade não é tão quente, enquanto isso os outros personagens usam roupes leves com várias marcas de suor (as famosas “pizzas”). A impressão é de que Camille nunca está realmente naquele lugar, buscando refúgio na bebida e ouvindo muito Led Zeppelin para “sair” da realidade. Já sua mãe, Adora, está sempre impecável: só usa branco, roupas leves e “flutuantes”, o que a deixa com ar angelical. Esse contraste ultrapassa os limites da aparência, atingindo quesitos de personalidade e da relação entre mãe e filha.

As cores dos personagens se estendem às imagens da cidade e no clima que ela quer nos passar: tudo parece velho, de outra época. Wind Gap parou no tempo e a família de Adora é “dona” de tudo. Eles ditam as regras do lugar.

Além dos aspectos técnicos, os atores são outro ponto de destaque. O trio de mulheres que encabeçam a história está perfeito. Camille em suas duas idades, a adulta Amy Adams e a adolescente Sophia Lillis (a Beverly Marsh de It: A Coisa (2017)) têm um ar cansado e desesperado, que ditam o tom da personagem. Ela carrega a série com maestria. E Patricia Clarkson e Eliza Scanlen são um show de loucura à parte.

Mas, nem tudo são flores. É uma série de oito episódios, contudo, poderia ser tranquilamente um filme ou série ainda menor. Em certos episódios não acontece nada de muito relevante e acabam valendo a pena apenas pela fotografia. Deixam a desejar narrativamente.

E ao mesmo tempo que a série teve muitos episódios, algumas coisas ficam mal explicadas. Especialmente o que envolve um dos personagens que teve um breve envolvimento amoroso com Camille. Seu desfecho não aparece e nem exatamente o que ele sabia sobre os assassinatos.

Mesmo com pontos negativos, Objetos Cortantes é uma minissérie de respeito. Aborda o horror velado das famílias perfeitas e a responsabilidade que os pais têm sob os traumas dos filhos. Tudo regado a muito suspense, assassinatos e sensação de impotência. Não espere jump scares ou sangue em profusão. O terror aqui é outro e está dentro da nossa cabeça.

Luana Caroline Damião

Graduada em museologia, fã de faroestes e Christopher Lee, deseja que o mundo acabe com um apocalipse zumbi, onde, certamente, será um dos mortos-vivos.

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