The Rake (2018)

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Original:The Rake
Ano:2018•País:EUA
Direção:Tony Wash
Roteiro:Jeremy Silva, Tony Wash
Produção:Mike Dozier, Sarah Sharp, Robert Patrick Stern, Tony Wash
Elenco:Chris Amos, Frederick Ford Beckley, Joey Bicicchi, Stephen Brodie, Joey Cipriano, Shenae Grimes-Beech, Rachel Melvin, Izabella Miko, Joe Mullen

Entre as lendas urbanas modernas, criadas em fórum e desenvolvidas em creepypastas, o Rake tem a sua dose de popularidade. O imaginário coletivo, a partir de relatos e versões espalhadas na internet, deu vida a um monstro humanoide, que pode conduzir a vítima à loucura e ao suicídio, após um avistamento. Alto, de pele acinzentada, poucos fios desgrenhados na calvície, olhos negros e dotado de garras e dentes afiados, Rake teve até mesmo indícios de encontros em cidades pequenas e responsabilidade por atos de alto-flagelo e mortes violentas, dependendo da fonte onde você pesquisar. E serviu de inspiração para a realização de um filme pouco inspirado, dirigido por Tony Wash.

O Natal se aproxima. Enquanto Cassie (Izabella Miko) prepara a árvore com os enfeites derrubados pela pequena Ashley (Alexa Nasatir), o mais velho, Ben (Joey Cipriano), espreita o pai durante o trabalho em seu escritório. David está assistindo ao depoimento do insano Jacob Murphy (Joe Mullen), que acredita que uma entidade maléfica o esteja obrigando a ferir as pessoas e a si mesmo. O tal Rake é descrito pelo psiquiatra como uma criatura “inspirada no Wendigo dos nativos norte-americanos e no antigo Arrach celta“, mas como parte de uma alucinação. Momentos depois, o paciente irá visitar seu médico para um banho de sangue com aquela simpática família antes de cortar a própria garganta e dizer “Vai infectar a todos nós.”

Essa introdução já poderia servir como um belo curta-metragem, sem a necessidade da continuidade. Um conto que funciona bem pelas doses de tensão e pelo esforço da mãe em proteger seus filhos na tentativa de chamar o marido. Contudo, a história não termina aí. Umas duas décadas depois, o casal Andrew (Joey Bicicchi) e Nicole (Rachel Melvin) acaba de se mudar para uma nova casa, no campo, e decide chamar os amigos para comemorar. Ashley, agora interpretada por Shenae Grimes-Beech, foi morar com os pais de Nicole após a tragédia, e é a primeira a chegar. Devido à tragédia na infância, ela nunca foi capaz de ter uma vida normal, tendo passado muito tempo numa clínica, sob alta medicação, para evitar relembrar o passado e ser atormentada por alucinações.

Ben (Stephen Brodie), agora casado com Cassie (Izabella Miko), chegará mais tarde, assim como o simpático Jeremy (Joe Nunez). Apesar das possibilidades de festa e bebida, Ashley terá crises perturbadoras, sendo repreendida por Andrew, que acredita que ela recebera alta antes da hora. Logo, Rake terá a oportunidade de fazer novas vítimas, até mesmo fisicamente, e o grupo tentará sobreviver ao pesadelo violento. Mas, será que existe mesmo um monstro ou tudo não passa de uma alucinação de Ashley, assumindo a lenda como uma nova identidade?

O que mais incomoda no trabalho de Tony Wash é a fotografia exageradamente escura. Há cenas, tomadas pela escuridão, que o público praticamente fica tentando adivinhar o que está acontecendo. Isso atrapalha até mesmo para visualizar as aparições do monstro, numa aparência bastante distante das imagens divulgadas na lenda urbana. Ainda assim, entre os clichês que incomodam na produção e o chatíssimo personagem de Joey Bicicchi, há doses altíssimas de sangue e gore, com a exposição de entranhas e um corpo sendo aberto pela criatura. Pode interessar aos fãs da lenda e de um filme de terror splatter, mas não se deve esperar nada além de clichês e a exploração de lugares-comuns, sem inovação, sem surpreender e jamais assustar.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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