The Bad Seed (2018)

 

Original:The Bad Seed
Ano:2018•País:EUA
Direção:Rob Lowe
Roteiro:Barbara Marshall, William March
Produção:Justis Greene, Harvey Kahn
Elenco:Mckenna Grace, Rob Lowe, Cara Buono, Patty McCormack, Sarah Dugdale, Lorne Cardinal, Luke Roessler, John Emmet Tracy, Lucas Steagall, Kate Isaac, Marci T. House, Shauna Johannesen, Ema Mlinar, Nevis Unipan

Aquela menina terrível do clássico Tara Maldita (The Bad Seed, 1956), de Mervyn LeRoy, inspirado na literatura de William March iria voltar de qualquer jeito. Se não numa continuação, em uma versão adulta de Rhoda (dos olhos esbugalhados de Patty McCormack), pelo menos em uma refilmagem moderna. Melhor ainda ao perceber pelo trailer algumas mudanças significativas e a escolha da minha atriz-mirim preferida do momento, Mckenna Grace, que esteve em Independence Day: O Ressurgimento, Amityville: O Despertar, Capitã Marvel e na excelente série A Maldição da Residência Hill, atuando como uma jovem e expressiva Theo. É sempre empolgante quando se percebe que uma refilmagem respeitou o trabalho original e tentou trazer novos suspiros para o enredo, mesmo que seja para um filme feito para a TV.

A primeira preocupação de fã da obra original é saber se ela seria uma refilmagem ou uma nova adaptação. No caso, pode-se dizer que é um pouco dos dois e nenhum ao mesmo tempo: o roteiro de Barbara Marshall apresenta uma versão moderna da pequena e cruel interesseira, alterando personagens e situações, ainda que respeite o que foi feito na década de 50. Vale também como elogio da proposta a direção e atuação de Rob Lowe, em sua estreia no comando de longas, apesar de manter as características de uma produção para a TV como o fade out entre algumas cenas para a entrada dos comerciais. The Bad Seed estreou no canal Lifetime no dia 9 de setembro de 2018, e depois foi ao ar um especial com os bastidores e entrevistas no dia 16. Conquistou quase dois milhões de views, entrando para o Top 10 dos programas conferidos na data.

No enredo, o viúvo David (Lowe) – espere aí! Tanto no original quanto na adaptação quem cuidava da menina era a mãe e ela não era viúva! – está tendo que se virar sozinho para cuidar da pequena Emma (Grace) – optaram por não manter o nome Rhoda -, um pequeno demônio que possui em casa. Com uma beleza doce, ampliado pelo olhar levemente caído da atriz, a garota é incapaz de sentir emoções, mas está disposta a qualquer atitude para conseguir o que deseja. Como no original, seu primeiro interesse é a medalha escolar, conquistada por disciplina e notas. Na perspectiva de Emma ela é erroneamente dada para o simpático Milo (Luke Roessler), que, na mesma ocasião – nada de acampamento escolar em outra data -, terá sua curta vida finalizada num riacho próximo. Sem mostrar a ação, mas destacando a cor intensamente vermelha de seu vestido, a pequena mente sobre ter sido a última pessoa a estar com o coleguinha, e isso inclui o desaparecimento da medalha.

Se na literatura de March, a escola, na figura da professora Ellis (Marci T. House), já não encontra razões para a continuidade de Emma no local, devido ao temor de outros pais, aqui há apenas algumas dúvidas sobre a tragédia. A menina não terá escrúpulos quando tiver a ousadia de colocar um vespeiro, escondido em seu veículo. É claro que para isso dependerá da boa vontade do infernauta que não criará questionamentos sobre o modo como ela fez isso: usou uma escada para retirá-la? Como conseguiu a chave do carro da professora? E como ela sabia que a simples presença dos insetos no interior do veículo já será suficiente para levá-la à morte? E se a professora simplesmente resolvesse pedir ajuda?

Outra grande mudança – e essa foi bem-vinda – é notada na substituição do empregado Leroy pela babá Chloe (Sarah Dugdale). Mantendo a mesma tortura psicológica contra a jovem, e isso inclui até mesmo textos parecidos com o original sobre a ameaça de ser condenada à cadeira elétrica, a babá ainda usa de sua sensualidade e beleza para seduzir o pai, ampliando o incômodo e praticamente selando seu destino, similar ao de Leroy. David busca ajuda psicológica com a Dra. March (Patty McCormack, que interpretou a Rhoda no filme de 56), que estabelece uma conexão com o original na fala: “Você lembra a mim quando eu tinha a sua idade!“. Uma belíssima homenagem!

Com um final diferente, e com mais suspense e criatividade, The Bad Seed cumpre bem seu papel de atualizar a literatura e o filme, além de brindar Mckenna Grace com seu primeiro grande papel. Mesmo não sendo perfeito, com falhas visíveis principalmente no roteiro, o longa desperta o interesse pelo texto original e permite reflexões sobre uma possível continuação, sem o lado sobrenatural de obras similares! Só de pensar em Rhoda/Emma na vida adulta, já dá bastante medo…

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

2 comentários em “The Bad Seed (2018)

  • 20/05/2019 em 18:54
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    Curti bastante! Eu gosto muito do filme clássico e esse soube trazer a obra de volta com uma repaginada bacana. A atriz mirim mandou muito bem tbm, fez jus a atriz original.

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