Ted Bundy – a Irresistível Face do Mal (2019)

Ted Bundy - A Irresistível Face do Mal
Original:Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile
Ano:2019•País:EUA
Direção:Joe Berlinger
Roteiro:Michael Werwie
Produção:Joe Berlinger, Nicolas Chartier, Michael Costigan, Ara Keshishian, Michael Simkin
Elenco:Zac Efron, Lily Collins, Kaya Scodelario, John Malkovich, Haley Joel Osment, Jim Parsons, Grace Victoria Cox, Angela Sarafyan, Joe Berlinger, James Hetfield

Eu sempre gostei de filmes baseados em histórias reais. As produções relacionadas ao Bundy chamam minha atenção pelo nível de loucura envolvido. E sinto que não estou sozinha nessa. Joe Berlinger, além de assinar a direção desse filme, dirigiu e roteirizou a série documental Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy. Ou seja, o cara estava imerso na história de Bundy e pode ouvir testemunhos e histórias de todos os lados possíveis. Então porque ele fez esse filme desse jeito?

Antes de qualquer coisa, vamos abrir um parênteses aqui para falar sobre esse título nacional ma-ra-vi-lho-so: Ted Bundy – a Irresistível Face do Mal. Eu sei que o título em inglês não tem uma tradução muito “sonora”, mas não precisava esculachar assim, né? Sem falar que o nome em inglês é muito significativo, já que se trata de um trecho de fala do juiz no momento em que ele condena Bundy à morte. Aproveita que você está inconformado com essa tradução e vai ouvir nosso podcast sobre títulos escrotos.

O filme acompanha a história de Bundy por duas vertentes: a dos julgamentos e a de Liz Kendall (Lily Collins), primeira namorada de Ted. Isso quer dizer que em nenhum momento veremos explicitamente assassinatos e sequestros. Vamos acompanhar a história de uma perspectiva mais “midiática”. E aqui começam os erros.

O diretor tenta construir uma perspectiva a partir do olhar de Liz, que não sabia ao certo se Ted era culpado ou não. Com isso, ele cria um “suspense” desnecessário acerca da culpabilidade do protagonista. Todo mundo sabe que ele é culpado! E para completar, cria um discurso romântico demais na relação dos dois. O filme é baseado, entre outras fontes, no livro escrito pela própria Elizabeth KendallThe Phantom Prince: My Life with Ted Bundy“, ou seja, todos ali estavam cientes da relação conturbada que os dois tinham e das agressões de Ted. Mas no filme isso não existe, muito pelo contrário, afirmam que ele nunca teria feito nada contra Kendall, o que é uma mentira. Esse pequeno detalhe acaba fazendo com que a narrativa perca sua força e tire um pouco da carga emotiva que o momento “clímax” (quando Liz faz uma revelação) queria construir. Tentam dar sentimentos amorosos a Bundy, e ele não tinha nenhum.

Mas, a produção tem seus pontos positivos. A caracterização dos personagens é muito fiel. Você pode comparar fotos ou cenas da cobertura midiática da época com o filme e vai perceber as similaridades. Até mesmo as falas (como a do juiz, que dá título ao filme) são as mesmas. Além disso, as atuações estão excelentes. Destaque aqui para Zac Efron. Quando eu vi que ele havia sido escalado para o papel, meu primeiro pensamento foi “Nhé, vai ser uma bosta”. Mas ele ficou fisicamente parecido com Bundy e assumiu uma movimentação em cena muito similar a do assassino. Novamente, se compararmos imagens reais de Ted com o filme, são condizentes, o que traz uma riqueza à produção.

Agora um momento para aquelas curiosidades inúteis: James Hetfield, vocalista do Metallica, faz uma pontinha no filme como um policial. Joe Bellinger produziu dois documentários da banda (Metallica: Some Kind of Monster (2004) e Metallica: This Monster Lives (2014)) e são amigos desde então.

Caso você não conheça absolutamente nada sobre Ted Bundy, eu recomendo que assista o filme sem fazer nenhum tipo de pesquisa prévia e depois assista ao documentário que citei ali em cima. A partir disso, tornam-se notáveis as intenções do diretor no documentário: mostrar a verdadeira face de Bundy através de depoimentos do próprio assassino – e no filme – tentar construir uma narrativa a partir do olhar de Elizabeth Kendall. Contudo, ele falha terrivelmente ao romantizar demais a história, no caminho oposto ao que trabalhou na série documental.

Em resumo, Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile (porque eu me recuso a usar o nome em português) vale a pena pelas caracterizações de época e pelo elenco. Mas se você procura conhecer a história de Ted Bundy, não vai encontrar seu lugar aqui.

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Luana Caroline Damião

Luana Caroline Damião

Graduada em museologia, fã de faroestes e Christopher Lee, deseja que o mundo acabe com um apocalipse zumbi, onde, certamente, será um dos mortos-vivos.

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