O Guardião Invisível (2017)

O Guardião Invisível
Original:El guardián invisible
Ano:2017•País:Espanha, Alemanha
Direção:Fernando González Molina
Roteiro:Luiso Berdejo, Dolores Redondo
Produção:Mercedes Gamero, Adrián Guerra, Peter Nadermann, Núria Valls
Elenco:Marta Etura, Elvira Mínguez, Nene, Francesc Orella, Itziar Aizpuru, Benn Northover, Miren Gaztañaga, Idurre Puertas, Patricia López Arnaiz, Miquel Fernández, Mikel Losada

O corpo de uma jovem é encontrado sem roupas à beira de um rio, na pequena comunidade de Baztan, atraindo à sua cidade-natal a inspetora Amaia Salazar (Marta Etura, de Enquanto Você Dorme, 2011). Talvez não seja apenas uma coincidência a semelhança entre a linha narrativa de Luiso Berdejo, inspirado no romance homônimo de Dolores Redondo, com a clássica série Twin Peaks. Contudo, O Guardião Invisível só lembra o argumento básico e parte para um thriller de investigação policial, com elementos fantasiosos (não tão metafóricos como o de David Linch), à medida em que novos corpos surgem pela região e acredita-se que exista uma força benéfica na Natureza. E o enredo ainda traz elementos de drama e mistério, com excelentes atuações, e uma fotografia “Seven” (era também bastante utilizada por Dario Argento em sua fase inicial), com o céu acinzentado e chuvas constantes.

Com lembranças de uma infância complicada, Amaia conseguiu sair da cidade para morar em Pamplona, com o namorado americano James (Benn Northover). Assim que é avisada do primeiro assassinato, ela retorna à cidade para investigar, ao lado de Jonan (Nene), o terrível crime: uma adolescente de 13 anos, Ainhoa Elizasu (Valeria Salcedo), foi encontrada nua, com os cabelos penteados, e um doce (o popular chanchigorri, da cozinha espanhola) posicionado em seu púbis depilado. Não demora muito para que a inspetora encontre ligações entre esse crime e o assassinato de Carla Huarte, seis semanas antes, estrangulada com o mesmo tipo de corda. E o mistério ainda envolve a presença de pelos de animais sobre o corpo, que dá ao serial killer o apelido de “o Basajaún” (nome de uma entidade protetora das matas, representada por um homem/mulher com o corpo coberto de pelos).

Voltando a morar com a tia Engrasi (Itziar Aizpuru), Amaia reencontra suas irmãs, principalmente a intragável Flora (Elvira Mínguez), que administra a empresa da família e que fornece produtos como farinhas para as padarias, e também seu passado traumático, envolvendo a ação abusiva da mãe. Um outro corpo é encontrado, assim como é relatado o desaparecimento de uma outra jovem, e nota-se que os assassinatos possam ter relação com crimes ocorridos na região há 20 anos. Quem estaria por trás dessas mortes, qual a sua motivação, e por que as pistas parecem ter relação com a vida particular de Amaia?

Sem explorar apenas o estilo “whodunit“, o público não se preocupa em criar teorias sobre a identidade do inimigo, mas se envolve com a protagonista em sua investigação pessoal, tendo as dificuldades da profissão e os bloqueios familiares. À medida em que novas pistas são dispostas no jogo, algumas até grotescas, logo nota-se que os crimes do “Basajaún” são apenas o contexto de algo maior e que será apresentado ao longo de uma trilogia. O Guardião Invisível é apenas a primeira parte de uma série que explora a inspetora Amaia Salazar, sendo que o segundo capítulo, Legado nos Ossos, está chegando hoje a Netflix.

Com um elenco adulto e bem selecionado, O Guardião Invisível ainda conta com uma ponta de Miguel Herrán (o Rio, de La Casa de Papel) e com o especialista em se disfarçar de criaturas, Javier Botet (de Histórias Assustadoras para Contar no Escuro, It – Capítulo 2…). Uma narrativa inteligente, sem um grande plot twist mas com boa tensão e mistério, O Guardião Invisível é uma ótima pedida para quem busca um bom thriller e tramas envolventes.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

Um comentário em “O Guardião Invisível (2017)

  • 27/04/2020 em 21:29
    Permalink

    Discordo da crítica… É só mais uma trama genérica que inunda a grade irregular da netflix.Não há razão para tanto alarde.Só assista se você se impressiona fácil, com sustos gratuitos,corre-corre que não leva lugar nenhum e enredo sem nada de novo para acrescentar. Vá em frente.

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