O Que Nos Mantêm Vivos (2018)

O que nos Mantêm Vivos
Original:What Keeps You Alive
Ano:2018•País:Canadá
Direção:Colin Minihan
Roteiro:Colin Minihan
Produção:Chris Ball, Kurtis David Harder, Ben Knechtel, Colin Minihan,
Elenco:Hannah Emily Anderson, Brittany Allen, Martha MacIsaac, Joey Klein, Charlotte Lindsay Marron

A luta pela sobrevivência talvez? Ou seria um dos motivadores da caça, com o intuito de se alimentar da carne do animal, como sugere a personagem de Hannah Emily Anderson? A proposta desse interessante thriller canadense, comandado por Colin Minihan, é levar o ser humano ao seu limite, mesmo que isso exija a deterioração da sua alma. O casal Jackie (Anderson) e Jules (Brittany Allen) está completando um ano de namoro. Para comemorar a data, elas se isolam na casa da família de Jackie numa região de mata densa e vales, para comemorar e até mesmo passar a residir no local. Contudo, Jules conhece pouco do passado da namorada.

Logo na primeira noite, elas recebem a visita de Sarah (Martha MacIsaac), uma conhecida de Jackie que insiste em chamá-la de Megan. Ela informa que está morando do outro lado do lago, com o marido Daniel (Joey Klein) e se despede, apenas para se tornar o gatilho de um conflito mortal. Existe no passado de Jackie a morte, considerada acidental, de uma amiga das duas, o que causa um leve desconfiar de Jules. Ao passear nos vales, próximo a um precipício, Jackie empurra a garota do alto, acreditando que a queda possa matá-la. Viva, apesar de vários ferimentos, incluindo uma abertura no baço, Jules luta para sobreviver, sendo perseguida pela frieza do amor de sua vida, numa interpretação fantástica de Hannah Emily Anderson, que lembra Rebecca De Mornay em A Mão que Balança o Berço.

Assim, esse embate ganha novas proporções quando, após uma perseguição em barcos a remo (é ver para crer), elas são vistas por Daniel, que relembra um convite para jantar com as duas. Sob a ameaça de Jack, elas terão que receber as visitas, fingindo que nada de diferente aconteceu, mesmo que o desespero, sob a vestimenta do olhar agressivo da vilã, seja evidente. Com a postura apenas defensiva de Jules, o que pode incomodar o infernauta, os duelos são conduzidos em diversos ambientes, tendo na sequência final o principal e sangrento combate.

Colin Minihan fazia uma curiosa dupla com Stuart Ortiz intitulada The Vicious Brothers. Juntos comandaram Fenômenos Paranormais (2011), além do roteiro da parte 2, até partirem para carreiras solos. Colin então comandaria Extraterrestrial (2014) e It Stains the Sands Red (2016), até desenvolver o roteiro e direção de O que nos Mantêm Vivos. Em uma das cenas mais bem dirigidas, as garotas brigam em diversos cômodos no andar de cima da casa, enquanto a câmera apenas acompanha a movimentação dos lustres e o som das passadas na parte térrea, resultando numa sequência muito inteligente e bem realizada.

Mesmo com todas as qualidades, o longa, disponível na Amazon Prime, não consegue se esquivar de suas falhas. O enredo repete o velho clichê da pessoa que tem a chance de matar o inimigo, desmaiado, e simplesmente deixa pra lá, ainda que isso vai contribuir para novas investidas contra ela. E a gravação no final simplesmente coroa essa falta de originalidade do roteiro, deixando de surpreender tanto quanto até o momento fazia. Vale enaltecer – o que deveria ser uma prática comum – a ideia de manter como casal principal duas garotas, mesmo com a confissão do diretor de que não era a pretensão inicial.

Enfim, O Que nos Mantém Vivo pode ser apontado como um intenso thriller, com bastante dinamismo e suspense. Com poucos personagens e algumas reviravoltas, o filme merece ser recomendado pela ousadia e doses de violência.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

3 comentários em “O Que Nos Mantêm Vivos (2018)

  • 13/07/2020 em 20:52
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    Fimaço! Comecei a assistir sem muito interesse e fiquei grudado na tela…. Só achei que teria que ter uns 10 min a menos ! Mais filmaçooo !!!!!

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  • 12/07/2020 em 10:26
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    Um dos filmes com propostas mais interessantes e desperdiçadas que já vi. Uma personagem que vendo toda a loucura e psicopatia da outra, com inúmeras chances de pôr um fim àquilo, fica de nhenhenhen não sei quantas vezes, irritando o espectador, levando a um final totalmente desnecessário. Jules é uma das personagens mais idiotas que já vi. Uma pena porque poderia ter sido exatamente o contrário.

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    • 28/08/2020 em 08:36
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      Exatamente, muito burra e idiota…me deu foi raiva e achei bem feito o final, Jules mereceu por ser idiota!

      Resposta

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