O 3º andar – Terror na Rua Malasaña (2020)

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O 3º andar - Terror na Rua Malasaña
Original:Malasaña 32
Ano:2020•País:Espanha, França
Direção:Albert Pintó
Roteiro:Ramón Campos, Gema R. Neira, David Orea, Salvador S. Molina
Produção:Ramón Campos, Mercedes Gamero, Jordi Gasull, Pablo Nogueroles
Elenco:Begoña Vargas, Iván Marcos, Bea Segura, Sergio Castellanos, José Luis de Madariaga, Iván Renedo, Concha Velasco, Javier Botet

Ir ao cinema assistir a filmes de horror é uma experiência quase sempre interessante. Ao longo dessas quase duas horas dentro da sala escura, nos colocamos a disposição de um cineasta e uma grande equipe de produção cujo intento é apenas um: nos aterrorizar. Essa mesma experiência no contexto de uma pandemia já é um pouco diferente. Mesmo com cuidados mil e uma sala inteira para apenas um punhado de jornalistas (no caso da minha sessão), um medo real tanto precede o filme quanto permanece após a sessão. Para (sobre)viver em 2020, é preciso um certo grau do medo, não é mesmo? Isso faz do terror ainda mais especial, já que é um medo controlado e com hora para acabar.

3° Andar – Terror na Rua Malasaña é um longa-metragem espanhol dirigido Albert Pintó, experiente diretor de curtas com apenas um outro longa no portfólio. Estrelado por Begoña Vargas, Iván Marcos e Bea Segura, conta a história de uma família interiorana que, na busca por uma vida melhor, migra para Madrid durante os anos 70. Como se a vida real já não fosse turbulenta o suficiente para essas pessoas, ainda passam pela infelicidade de escolherem um apartamento assombrado para morar.

A entidade que parece habitar o apartamento do terceiro andar tem a forma de uma idosa corcunda, de cabelos longos e unhas ainda mais compridas. Interpretando essa figura grotesca e verdadeiramente arrepiante está ninguém menos que Javier Botet, ator que tem feito carreira interpretando criaturas sobrenaturais e monstros, tanto na Espanha quanto em Hollywood, indo da menina Medeiros de REC(2007) até o mendigo leproso de It: A Coisa (2017). Botet é, sem sombra de dúvidas, o ponto alto do filme.

Nas diversas escolas que têm formado cineastas de terror atualmente, diria que Albert Pintó cursou a faculdade James Wan, concluindo com louvores algumas matérias, mas sendo reprovado em outras. A fita é uma história de casa assombrada com contornos muito semelhantes ao que Wan estabeleceu em Invocação do Mal e que vem sendo replicado já há alguns anos no conjuringverse.

Pintó usa os próprios espaços da casa, incluindo portas, janelas, vitrais, móveis, cômodos inteiros e corredores para manipular os personagens. Eventos estranhos recorrentes fazem com que esses personagens perambulem encontrando aqui e ali situações inexplicáveis que, somadas, apontam para um resultado óbvio. As sequências são sempre muito prolongadas, com prevalência da produção de um efeito estético do que desenvolvimento de personagens ou da trama. Constrói-se o momento de tensão e, em seguida, prolonga-se esse momento até o limite. Exemplos disso são a cena em que o garotinho impressionado com o crucifixo que brilha no escuro acende e apaga a luz do abajur repetidamente, até que algo ocorra. A fotografia e os movimentos de câmera corroboram para esse estilo Wan de fazer cinema de gênero, mesmo que sem a mesma inventividade.

O problema de seguir essa cartilha é que 3° Andar… cai na armadilha do clichê minuto a minuto. O plot twist em sua resolução até tenta mover o filme para longe do lugar comum, mas é tarde demais. Convencional e previsível soam como boas escolhas de adjetivos para descrevê-lo. Mesmo assim, o problema REAL é, mais uma vez, o abuso dos jumpscares. Do segundo ato em diante, a sensação é de que absolutamente todas as cenas são desenhadas para entregar um jumpscare do pior tipo: o sonoro. Chega a ser tão incômodo que me vi na necessidade ocasional de tapar os ouvidos em antecipação aos sustos telegrafados.

Aqui e ali o longa tem sido comparado com Verônica: Jogo Sobrenatural (2017) de Paco Plaza, outra fita sobrenatural que se passa numa Madrid do passado (anos 90). É uma comparação um tanto quanto injusta, já que Plaza é um cineasta muito mais consolidado, experiente e criativo. Porém é interessante notarmos como ambos os filmes retornam ao passado de Madrid para entregar uma história de horror. Me pergunto quais são os fantasmas dessa cidade…

Se você leitor optar por assistir esse filme no cinema, lembre-se dos cuidados essenciais. O corona vírus é uma realidade mais assustadora que o fantasma de Javier Botet, então máscara no rosto, álcool gel nas mãos e mantenha-se distante!

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Daniel Rodriguez

Belorizontino, professor de inglês, psicólogo de formação e fã do bizarro, do estranho, do surreal, do sanguinário e do monstruoso!

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