Casamento Sangrento (2019)

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Casamento Sangrento
Original:Ready or Not
Ano:2019•País:EUA, Canadá
Direção:Matt Bettinelli-Olpin, Tyler Gillett
Roteiro:Guy Busick, R. Christopher Murphy
Produção:Tripp Vinson, William Sherak, James Vanderbilt
Elenco:Samara Weaving, Adam Brody, Mark O'Brien, Henry Czerny, Andie MacDowell, Melanie Scrofano, Kristian Bruun, Elyse Levesque, Nicky Guadagni, John Ralston, Liam MacDonald, Ethan Tavares, Hanneke Talbot, Celine Tsai

Embora seja de 2019 e já tenha conquistado algumas boas críticas, foi somente o elogio de Neve Campbell, justificando o motivo por ter aceitado fazer um novo Pânico sem Wes Craven, que chamou a minha atenção para o filme. Ela havia assistido ao thriller com elementos de humor negro Casamento Sangrento, de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, e imaginava que teria a mesma energia narrativa, com violência, referências e altas doses de sangue. Ambos, que ainda fazem parte do trio Radio Silence com Chad Villella, ainda têm em sua filmografia outros bons trabalhos como Southbound (2015), O Herdeiro do Diabo (2014) e o melhor segmento de V/H/S (2012). E quando se observa que Casamento Sangrento também tem o protagonismo de Samara Weaving (a Babá diabólica dos filmes da Netflix) e a participação de Adam Brody (de Shazam! e Garota Infernal), Henry Czerny (O Exorcismo de Emily Rose, Fido, Possuído pelo Demônio) e Andie MacDowell (de Feitiço do Tempo, 1993), além de um enredo ao estilo survivor movie, o interesse certamente aumenta.

Há quem diga que sobreviver a um casamento é um dos grandes desafios da vida. E fica evidente a metáfora que permeia esse ousado passo nos primeiros minutos do filme, quando Grace (Weaving) se questiona sobre suas intenções e ainda recebe uma pergunta mais direta do seu futuro marido Alex (Mark O’Brien): “Tem certeza de que deseja fazer isso?“. É claro que a sentença (e é bem isso mesmo) condiz com o inferno que ela irá enfrentar uns quinze minutos depois, mas já mostra o quanto o roteiro costura de maneira inteligente os votos com uma provável condenação. Mal sabe ela que o “sim” no altar será a assinatura de uma longa noite de núpcias em que precisará de sorte e coragem para sobreviver.

Pertencente à rica família Le Domas, que se desenvolveu a partir da produção de jogos de baralho até se tornar um nome de respeito na indústria de entretenimento, Alex adia a Lua de Mel pelo ritual tradicional da família, que envolve a participação da noiva em um jogo a ser escolhido pelo destino. O patriarca Tony (Czerny) explica, no salão de jogos, que a empresa se fomentou graças ao esforço do bisavô Le Bail, que rege às regras de manutenção de seu império: qualquer pessoa que entre na família deve participar de uma partida de um jogo que será escolhido por uma caixa mágica, podendo ser dos mais tradicionais aos mais perigosos e complexos. Grace tira a carta do “esconde-esconde” (ou pique-esconde, dependendo da sua região) e deve simplesmente se manter escondida na mansão até o amanhecer, não imaginando que os familiares irão caçá-la para eliminá-la, com armas antigas como bestas, arco e flecha, machados e espingardas.

Grace só irá descobrir que está fazendo parte de uma armadilha graças às trapalhadas da tia Emilie (Melanie Scrofano), que mata acidentalmente duas pessoas. Contudo, há muitos outros insanos correndo pela casa como a mal humorada Helene (Nicky Guadagni), a conselheira Becky (MacDowell), o gordinho Fitch (Kristian Bruun), a fria Charity (Elyse Levesque), além dos empregados da morada como o mordomo Stevens (John Ralston) e as crianças, Georgie (Liam MacDonald) e Clara (Hanneke Talbot). Em contrapartida, ela conta com a ajuda de Alex, que planeja uma fuga da moça por quem está apaixonado, e talvez de Daniel (Brody), que questiona se as tradições devem ser seguidas à risca realmente.

Casamento Sangrento é bem divertido. Não é extremamente engraçado como algumas resenhas apontam, e isso é um bom sinal. Filmes de horror devem usar o humor negro com cautela para não se transformar numa comédia pastelão ou escatológica. O que acontece aqui é a cadência nas cenas hilárias como todas as que envolvem Emilie ou na própria frase que encerra a produção, sem a necessidade de apelar para momentos engraçados. Quando Grace descobre no celeiro os cadáveres de outras pessoas que tentaram fazer parte da família, ferida e ensanguentada, o humor se constrói na situação inusitada em que, ao tentar sair do fosso dos corpos, ela crava a mão ferida em um prego; ou até mesmo na sequência em que tenta engatilhar uma arma aproveitando o ritmo da cantoria do mordomo.

É claro que não se trata de um filme original, tendo em vista até mesmo o longa lançado este ano, The Hunter – A Caçada, entre outras produções no mesmo estilo. Contudo, com todo o elenco disponível e o sangue que irá escorrer entre corpos explodidos, é uma ótimo cartão de visitas para quem não conhece o trabalho da dupla de cineastas e está curioso quanto ao ritmo dos ataques de Ghostface e talvez receoso pelo modo como serão mostradas as referências e o humor envolvido. Que possamos ainda ver muitos trabalhos curiosos desses dois diretores, com uma boa química no cinema, até que a morte os separe.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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