Alan Wake (2010)

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Alan Wake
Original:Alan Wake
Ano:2010•País:Finlândia
Desenvolvedora:Remedy Entertainment •Distribuidora: Microsoft Game Studios

Quando o estúdio de games Remedy embarcou em um novo projeto logo após o lançamento de Max Payne 2: The Fall of Max Payne, talvez eles não imaginassem como este seria um passo desafiador e ao mesmo tempo determinante no futuro da empresa. E assim, após sete anos de Max Payne 2, o Xbox 360 recebia um título exclusivo e que se tornaria uma das marcas do console. Alan Wake chegava como um raro jogo single player de enredo com bastante profundidade após um processo de desenvolvimento repleto de problemas, que culminou em vendas abaixo do esperado, mas ainda assim como um sucesso que o tornou simplesmente um dos maiores clássicos cults dos jogos de terror da última década.

Com o nome do jogo já apresentando seu protagonista, logo no começo da campanha mergulhamos num dos perigosos e vívidos sonhos de Alan Wake, um escritor aclamado, mas que está sem inspiração para voltar à literatura há dois anos. Com total bloqueio criativo, sua mulher Alice o leva para passar férias na pequena cidade de Bright Falls e, após pegar as chaves de sua cabana alugada com uma bizarra mulher de véu preto, os dois finalmente chegam à ilha de Cauldron Lake. O que parecia ser um agradável momento para o casal logo se torna um pesadelo. Alan escuta o grito de sua mulher, corre para encontrá-la, mas chega a tempo de apenas vê-la sendo puxada para dentro do lago. Ele mergulha atrás dela, mas perde a consciência e acorda perdido, uma semana depois. Logo, fica claro que há uma força obscura que domina a escuridão ali, com interesses malignos no escritor e no que ele é capaz de criar. E é aí que o jogo começa de verdade.

O game em terceira pessoa tem estilo narrativo e totalmente linear, além de ser dividido em seis episódios, numa estrutura que lembra muito uma série de TV. E mesmo com ares de terror psicológico e um grande mistério a ser desvendado, Alan Wake entrega muita ação, uma grande variedade de armas, objetos de jogabilidade e até mesmo enormes hordas de inimigos para serem abatidos.

Em sua jornada para tentar resgatar Alice, Alan terá de enfrentar seres folclóricos dominados pela escuridão, cuja única arma realmente eficaz para derrotá-los é a luz. Assim, uma lanterna será sua mais fiel e importante companheira na jornada. E claro, com um grande número de personagens secundários para a época, a trama vai ficando cada vez mais complexa, onde com a incredulidade das outras pessoas em acreditar em Alan, passamos a duvidar do que é real, fazendo até mesmo com que ele se torne o principal suspeito pelo desaparecimento de Alice. Para deixar o mistério da trama ainda maior, todo o caminho do jogo é repleto de páginas de um livro para serem coletadas que possuem totalmente o jeito de Alan escrever, mas que ele não se lembra de ter digitado nenhuma palavra.

Assim, Alan Wake traz uma trama com referências a rodo. Stephen King é de longe a mais marcante, talvez até na concepção do próprio protagonista. Também a clássica série Além da Imaginação, onde inclusive há dentro do game um programa de mistérios, o Nightfalls, cujos episódios podem ser assistidos ao encontrar TVs pelo caminho. O Iluminado e Twins Peaks também tem suas assinaturas aqui mais em evidência na composição da trama.

Com tudo isso, fica claro que o maior atrativo de Alan Wake é sua boa e muito bem desenvolvida história. Mas o mesmo não reflete tão bem em sua jogabilidade, que depois de umas boas horas se torna repetitiva, além de puzzles muito fáceis de serem resolvidos e nada desafiadores. Os cenários também possuem uma uniformidade grande, onde quase tudo se passa atravessando ambientes rurais e de floresta, ainda que os momentos dentro do hospital psiquiátrico e a represa sejam ótimos, além do momento-chave com um grande palco, de longe a melhor sequência do jogo, onde ainda podemos aproveitar War em alto som, música da banda Poets of the Fall.

Ainda assim, o jogo faz bonito em suas quase 12 horas de campanha. E seus momentos finais nem de longe agradam a todos, escolhendo caminhos narrativos bastante corajosos e fugindo do óbvio ao não nos dar todas as respostas, mesmo que o que é dado seja bastante satisfatório, abrindo caminho para uma possível franquia.

Mas, infelizmente, não foi o que aconteceu. Sim, hoje Alan Wake é um clássico cult do mundo dos games e sua fanbase é bastante sólida, inclusive tendo sido considerado o jogo do ano pelo The New York Time. Mas, para um jogo que ficou seis anos em desenvolvimento (algo já muito raro para a época), o resultado comercial não foi dos melhores, onde apenas 3,2 milhões de cópias foram vendidas em cinco anos, um número considerado pequeno para um jogo com status de superprodução.

A verdade é que Alan Wake foi um passo muito importante para a Remedy. A história nem mesmo ficou presa ao game, com o enredo continuando por meio de duas DLCs e uma espécie de continuação, intitulada Alan Wake’s American Nightmare, que ainda que prossiga após os eventos do jogo, é tratada como uma história individual.

O que veio a seguir pelo estúdio também ganhou um status de “trilogia” junto a Alan Wake. Seu próximo game, Quantum Break, viria com mecânicas que foram desenvolvidas para um provável Alan Wake 2. Já a obra prima do estúdio, Control, tem referências em sua campanha e uma DLC totalmente dedicada a Alan Wake, o que alimentou ainda mais os fãs sobre uma continuação.

E sim, torcemos muito para que isso aconteça.

Alan Wake está disponível para Xbox 360, Xbox One, Xbox Series e PC. 

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Samuel Bryan

Jornalista, acreano, tão fã de filmes, games, livros e HQs de terror, que se não fosse ateu, teria sérios problemas com o ocultismo. Contato: games@bocadoinferno.com.br

One thought on “Alan Wake (2010)

  • 23/02/2021 em 16:59
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    Um dos melhores jogos daquela geração, a maneira como a trama decorre (como se fossem episódios de uma série incluindo até música de encerramento), os programas de rádio, a série de Tv (dentro do jogo), tudo caminha tão bem que é até difícil acreditar que não seguiu como franquia, o universo criado foi muito rico. A trilha sonora do jogo é outro ponto forte com Roy Orbison, Poe e principalmente a banda (fictícia) Old Gods of Asgard e suas músicas que são parte importante da trama e responsáveis por alguns dos momentos mais divertidos, a banda na verdade é o próprio Poets of The Fall.
    Comecei o Control a pouco tempo e estou ansioso para ver a ligação com o game, espero que Alan Wake ressurja das sombras do lago nessa nova geração e nos de a chance de voltar a Bright Falls, amarre algumas pontas soltas e mais importante, que deixe muito mais pontas soltas pois isso é ótimo (tal como Twin Peaks fez em sua 3 temporada). Há uma velha cidade envolta com o mistério de Tom, o poeta e sua musa e o lago mágico que deu vida às palavras que o poeta usou.

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