Horizon Line (2020)

4.3
(7)

Horizon Line
Original:Horizon Line
Ano:2020•País:EUA, Suécia
Direção:Mikael Marcimain
Roteiro:Josh Campbell, Matthew Stuecken
Produção:Fredrik Wikström
Elenco:Allison Williams, Alexander Dreymon, Keith David, Pearl Mackie, Jumayn Hunter, Amanda Khan

Muitas vezes a motivação para assistir a uma produção vai além de sua sinopse ou críticas a respeito. No caso de Horizon Line, de Mikael Marcimain, o interesse em conferi-lo partiu por saber que o elenco traz o protagonismo de Allison Williams, a bela e versátil atriz que conquistou o holofote por ter transformado a vida do jovem Chris Washington (Daniel Kaluuya) um inferno quando ele quis conhecer a família da namorada, em Corra!(Run, 2017), de Jordan Peele, além de ter mostrado seus dons musicais e persuasivos em A Perfeição (The Perfection, 2019). É claro que também existe uma curiosidade sobre a proposta ousada de criar momentos de desespero durante a viagem de um monomotor, perdido sobre o oceano com diversos obstáculos pelo caminho.

Realizado pela STX Films, uma empresa que tem o costume de produzir filmes de médio orçamento e que, em sua maioria, são lançados diretamente em vídeo ou canais de streaming, Horizon Line teve uma estreia discreta nos cinemas, do tipo “piscou perdeu“, e logo chegou ao sistema VOD, sem muito alarde. Mesmo a fotografia principal ter explorado as belezas tropicais da Irlanda, e o longa se basear no relacionamento sem entrega, praticamente casual, de dois jovens, para depois colocá-los numa situação extrema, ele ainda não conseguiu atrair os olhares necessários. Nem mesmo Allison Williams conseguiu impulsionar o interesse do público!

Além dela, o elenco conta com uma rápida e importância participação do veterano ator Keith David. Com mais de 300 papéis no currículo, em sua filmografia você encontra filmes como O Enigma de Outro Mundo (1982), Eles Vivem (1988) e Eclipse Mortal (2000), além de tantos outros que irá te fazer pensar em qual ele não está. Sua participação não dura mais do que dez minutos em cena, mas é o suficiente para que as coisas degringolem, embora o enredo tente atrasar seu prato principal a todo custo. Até o corpo de David ser atirado no mar para que o avião fique mais leve, o enredo de Josh Campbell e Matthew Stuecken (de Rua Cloverfield 10) desenvolve demais os personagens, tanto que você até olha de novo para a sinopse para ter certeza se não está vendo o filme errado.

Com uma carreira já bem desenvolvida, Sara (Williams) resolveu passar um tempo nas Ilhas Maurício e se relacionou com Jackson (Alexander Dreymon). Sem preparo para despedidas, ela deixa para trás os bons momentos desse namoro de verão e retorna à cidade grande. Um ano depois, ela volta à ilha para o casamento de uma amiga, e descobre que o rapaz ainda está lá, trabalhando como instrutor de mergulho. Sara tenta uma nova reaproximação, mas, por mais que Jackson tente manter seu orgulho, ele acaba sucumbindo ao charme para mais uma noite de intimidades. Como um disco riscado, na manhã seguinte ela mais uma vez sai de fininho, atrasada para a cerimônia que acontecerá em uma ilha próxima.

Para tal, ela pede ajuda do piloto Freddy Wyman (David), que já anuncia que a viagem terá um outro ocupante. Ganha um doce, se conseguir imaginar quem será o outro passageiro. Assim que a aeronave, uma GippsAero GA-8 Airvan, está em pleno oceano, Wyman sofre um mau súbito e morre no ar. Para alívio da dupla, a jovem chegou a receber algumas aulinhas sobre pilotagem, ainda que não tenha nunca tentado uma aterrisagem, porém eles não imaginavam que uma situação irá destruir o GPS e afetar a manutenção do combustível. Sem saber se estão indo para o caminho certo, e com a perda constante de combustível, eles precisam encontrar meios de manter o avião no ar e encontrar um local para pouso.

É claro que para estabelecer a tensão, algumas situações absurdas precisam ser ingeridas pelo infernauta. Algumas delas como a de prender a saída de combustível com fita ou a de utilizar bebidas alcóolicas para completar o tanque pedem o bom humor do espectador, dentro das possibilidades apresentadas. Se ignorar a lógica e o modo como boa parte das ações acontecem, pode ser que você se divirta e até consiga roer um pouco das unhas, ainda que o desfecho seja óbvio e sem qualquer impacto. E os efeitos especiais realmente são bons, uma vez que é possível mesmo acreditar que eles estão realizando consertos e abastecendo uma nave em pleno voo.

Quem aprecia produções que se passam em ambientes únicos ou criam suspense com poucos personagens em cena, Horizon Line pode até divertir. Ou se você já se sente atraído por películas que envolvam a atriz Allison Williams, desta vez em um papel que o fará ter um pouco menos de raiva, é provável que este filme lhe seja uma boa opção. Já os mais exigentes e que questionam situações inverossímeis, é recomendado que busque outro voo.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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